A NASA confirmou o pouso da cápsula Orion no Oceano Pacífico às 21h07 de Brasília desta sexta-feira (10), completando a missão Artemis II após 10 dias e mais de 1,1 milhão de quilômetros percorridos, os três paraquedas principais desaceleraram a nave de uma velocidade extrema até cerca de 32 km/h para um splashdown seguro na costa de San Diego.
A NASA acabou de trazer quatro astronautas de volta à Terra depois da viagem mais distante que seres humanos já fizeram no espaço. A cápsula Orion, batizada de Integrity pela tripulação, tocou a água do Oceano Pacífico às 21h07 no horário de Brasília desta sexta-feira (10), ao largo da costa de San Diego, na Califórnia. Os três paraquedas principais se abriram a aproximadamente 1,8 quilômetro de altitude e reduziram a velocidade da nave de milhares de quilômetros por hora para cerca de 32 km/h, o suficiente para um impacto controlado com a água que os comentaristas da NASA descreveram como um “bullseye perfeito”.
O pouso encerra a missão Artemis II, que durou 10 dias e percorreu mais de 1,1 milhão de quilômetros desde a decolagem do foguete SLS no dia 1º de abril. A tripulação, os astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen, se tornou a primeira a contornar a Lua em mais de 50 anos e bateu o recorde de maior distância da Terra já alcançada por seres humanos, superando a marca da Apollo 13 ao atingir 406.777 quilômetros do planeta. Agora, equipes da NASA e da Marinha americana trabalham para extrair os astronautas da cápsula e transportá-los de helicóptero até o navio USS John P. Murtha.
Como a NASA trouxe a Orion de 40 mil km/h até o pouso no oceano
A sequência de desaceleração da Orion é uma das operações mais complexas que a NASA já executou com tripulação a bordo. A cápsula atingiu a atmosfera terrestre a aproximadamente 38.600 quilômetros por hora, velocidade que gera temperaturas de cerca de 2.800 graus Celsius no escudo térmico. O atrito com o ar funciona como um freio natural, mas não é suficiente sozinho. A combinação de calor extremo, forças gravitacionais de até 3,9 vezes o peso corporal e um apagão de comunicação de seis minutos torna a reentrada a fase mais perigosa de toda a missão.
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Depois de atravessar a parte mais intensa da atmosfera, a NASA acionou uma sequência precisa de 11 paraquedas em etapas. Primeiro, três paraquedas removeram a cobertura frontal da cápsula. Em seguida, dois paraquedas de frenagem se abriram a cerca de 6,7 quilômetros de altitude para estabilizar a Orion e reduzir sua velocidade. Por fim, os três paraquedas principais, cada um com 35 metros de diâmetro, se abriram a aproximadamente 1,8 quilômetro do solo, desacelerando a nave até os 32 km/h necessários para um impacto seguro com a água. O comentarista da NASA, Rob Navias, descreveu a descida como “perfeita”.
Os seis minutos em que a NASA perdeu contato com os astronautas
De acordo com o portal do G1, o momento mais tenso de todo o retorno aconteceu às 19h53, horário de Brasília, quando a Orion entrou na atmosfera a 122 quilômetros de altitude. Nesse instante, o ar ao redor da cápsula se comprimiu com tal violência que gerou uma camada de plasma a 2.800 graus Celsius, bloqueando completamente todas as transmissões de rádio entre a nave e o controle da missão em Houston. Durante seis minutos, os astronautas ficaram absolutamente sozinhos, sem qualquer comunicação com a NASA.
Esse intervalo é também quando o escudo térmico da Orion faz seu trabalho mais crítico. A NASA sabia que o escudo tinha problemas de design identificados na missão não tripulada Artemis I, em 2022, quando mais de 100 pontos de erosão inesperada foram encontrados no material Avcoat. Para reduzir o risco, a agência modificou a trajetória de reentrada da Artemis II, fazendo a cápsula descer mais rápido e em ângulo mais acentuado para minimizar o tempo de exposição ao calor máximo. Quando as comunicações foram restabelecidas e a NASA confirmou que a tripulação estava sã e salva, o alívio no controle da missão foi visível.
O que os astronautas viram e fizeram durante os 10 dias no espaço
A Artemis II não foi apenas uma viagem de ida e volta à Lua. No dia 6 de abril, a cápsula Orion contornou o lado oculto do satélite natural, e os quatro astronautas se tornaram os primeiros seres humanos a ver com os próprios olhos regiões da Lua que nunca haviam sido observadas sob a luz solar. Durante as seis horas de sobrevoo lunar, a tripulação documentou crateras, bacias e formações geológicas inéditas, enquanto a nave atingia sua distância máxima de 406.777 quilômetros da Terra.
Um dos momentos mais emocionantes da missão aconteceu quando o astronauta canadense Jeremy Hansen sugeriu que uma cratera lunar fosse batizada de “Carroll”, em homenagem à falecida esposa do comandante Reid Wiseman. Os colegas de tripulação foram vistos enxugando lágrimas durante a homenagem. Wiseman chamou o momento de “o mais profundamente significativo de toda a missão”. A tripulação também presenciou um eclipse solar visto de além da Lua, algo que nenhum ser humano havia testemunhado antes. O piloto Victor Glover descreveu a experiência como “um dos maiores presentes” da viagem, e a NASA divulgou imagens espetaculares capturadas pelas câmeras da Orion.
O resgate no mar e os próximos passos da NASA após o pouso
Assim que a Orion tocou a água, equipes combinadas da NASA e do Departamento de Defesa dos Estados Unidos iniciaram a operação de resgate. Mergulhadores da Marinha americana foram os primeiros a chegar à cápsula, fotografando o escudo térmico para avaliar seu desempenho antes mesmo de abrir a escotilha. A inspeção imediata do escudo era uma das prioridades da NASA, dado os problemas identificados na Artemis I. Os astronautas devem ser extraídos um a um e levados de helicóptero até o navio USS John P. Murtha, onde passarão por avaliações médicas iniciais.
O coronel Christopher Winn, dos Fuzileiros Navais, que liderou o planejamento de recuperação, confirmou que as condições no local do pouso eram ideais: nuvens dispersas, ventos de 10 nós e ondas de apenas 1,2 metro. A NASA descreveu o cenário como “um dia gentil no Pacífico para o retorno dos astronautas da Integrity”. Após as avaliações a bordo do navio, a tripulação seguirá para o Centro Espacial Johnson, em Houston, para acompanhamento pós-missão detalhado. A cápsula Orion também será recuperada e transportada para análise minuciosa, os dados coletados durante a reentrada e o pouso serão fundamentais para o planejamento das próximas missões.
O que a Artemis II significa para o futuro das missões da NASA à Lua
A Artemis II valida os sistemas que a NASA pretende usar para devolver astronautas à superfície lunar. Os paraquedas, o escudo térmico, a trajetória de retorno e o splashdown oceânico foram todos testados com tripulação a bordo pela primeira vez, fornecendo dados que nenhuma simulação ou missão não tripulada consegue replicar. Se os resultados confirmarem que a Orion e seus sistemas funcionam conforme projetado, a agência poderá avançar com confiança para as próximas etapas do programa.
A NASA prevê que a Artemis III, programada para o início de 2028, incluirá manobras de acoplamento em órbita terrestre. A Artemis IV, no final de 2028, tentará pousar dois astronautas perto do polo sul da Lua, o primeiro pouso lunar tripulado desde a Apollo 17, em dezembro de 1972. O sucesso do pouso da Artemis II no Pacífico nesta sexta-feira é o que torna esses planos possíveis. A NASA provou que consegue enviar astronautas à Lua e trazê-los de volta em segurança. Agora, a próxima pergunta é: consegue pousá-los lá?
A NASA acaba de completar o primeiro retorno de astronautas da Lua em mais de 50 anos, e os três paraquedas funcionaram perfeitamente. Você acompanhou o pouso ao vivo? O que mais te impressionou na Artemis II? Deixe sua opinião nos comentários.
