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A Vale dobrou o ritmo de perfuração de cobre em Carajás e vai furar 120 quilômetros de rocha em 2026 — o equivalente a atravessar o Rio de Janeiro de ponta a ponta

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 01/07/2026 às 17:33 Atualizado em 01/07/2026 às 19:19
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A Vale Base Metals dobrou a intensidade de perfuração de cobre no Distrito de Carajás, no Pará, em 2025 e planeja dobrar novamente em 2026 — chegando a mais de 120.000 metros de rocha perfurada ao longo do ano, distância suficiente para atravessar o Rio de Janeiro de ponta a ponta quatro vezes — enquanto os recursos de cobre da empresa chegaram ao recorde histórico de 44,9 milhões de toneladas contidas.

O que é 120.000 metros de perfuração e por que Carajás é o lugar certo

120.000 metros de perfuração não é uma broca descendo 120 km numa direção só — é a soma de centenas de furos exploratórios realizados ao longo do ano em diferentes ângulos e profundidades, cada um buscando confirmar onde estão os depósitos de cobre que os modelos geológicos indicam. É trabalho de formigueiro: perfuração, coleta de testemunho de rocha, análise laboratorial, ajuste do modelo, novo furo.

Carajás é o endereço certo para isso. O Distrito Mineral de Carajás, no sudeste do Pará, é a maior reserva de minério de ferro do planeta e um dos maiores sistemas metalogênicos do mundo — com depósitos associados de cobre, ouro, manganês e níquel que ainda estão sendo mapeados. A Serra Norte de Carajás já opera há décadas, mas os sistemas N4 e N5 e as áreas adjacentes ainda guardam depósitos que a Vale está agora explorando agressivamente.

O crescimento de 7% nos recursos de cobre em um único ano — de 41,9Mt para 44,9Mt contidas — representa bilhões de dólares em valor futuro, considerando o preço atual do cobre acima de US$10.000 por tonelada.

Por que o cobre virou corrida estratégica global

Cobre não é glamoroso. Não tem o nome do lítio — que virou sinônimo de bateria elétrica — nem o prestígio do ouro. Mas o cobre é o nervo da transição energética: está em cada metro de cabo elétrico, em cada motor de carro elétrico, em cada turbina eólica e em cada painel solar. Um carro elétrico usa três vezes mais cobre do que um carro a combustão. Uma turbina eólica offshore usa toneladas do metal.

A demanda global por cobre deve crescer exponencialmente até 2040 segundo a Agência Internacional de Energia. O problema é que as minas existentes levam entre 10 e 20 anos para entrar em operação desde a descoberta do depósito — o que significa que o cobre que o mundo vai precisar em 2035 precisa ser descoberto e desenvolvido agora. É exatamente isso que a Vale está fazendo em Carajás com os 120.000 metros de perfuração de 2026.

A posição do Brasil na corrida por minerais críticos

O Brasil tem a segunda maior reserva de minério de ferro do mundo, a maior reserva de nióbio, reservas significativas de lítio, grafite e terras-raras — e agora consolida posição no cobre. Esse portfólio coloca o país numa posição invejável na corrida por minerais críticos que EUA, UE e China travam com urgência crescente.

A União Europeia aprovou o Critical Raw Materials Act em 2024 exatamente para garantir acesso a minerais estratégicos — e o Brasil está na lista de parceiros prioritários. Os EUA, por sua vez, negociaram um acordo de minerais críticos com o Brasil que inclui isenção parcial de tarifas para exportações de cobre refinado brasileiro. Nunca na história o subsolo de Carajás valeu tanto geopoliticamente quanto agora.

A Vale opera Carajás como um ecossistema integrado: mina, beneficiamento, ferrovia (EFC) e porto. A mesma infraestrutura que escoa o minério de ferro já está adaptada para escoar o cobre — o que acelera o tempo de desenvolvimento dos novos depósitos descobertos pelos 120.000 metros de rocha perfurada em 2026.

O que os 120 quilômetros de broca significam para o futuro

A lógica da perfuração exploratória é simples: você só pode minerar o que você encontrou primeiro. Cada metro de testemunho de rocha coletado em Carajás em 2026 é um dado que vai alimentar o modelo geológico e, eventualmente, transformar potencial em reserva provada — o passo que precede qualquer decisão de investimento em nova mina.

Se os resultados de 2026 confirmarem os modelos, a Vale pode anunciar novas minas de cobre em Carajás ao longo da próxima década, colocando o Brasil entre os maiores produtores mundiais de um metal que vai ser tão estratégico nos anos 2030 quanto o petróleo foi nos anos 1970.

A corrida já começou. Chile e Peru dominam a produção atual de cobre. A República Democrática do Congo lidera o cobalto. A Austrália tem as maiores reservas de lítio. O Brasil pode chegar à próxima fase da transição energética como o maior fornecedor de cobre das Américas — ou perder a janela de desenvolvimento para concorrentes que estão perfurando mais rápido.

Vale lembrar que a corrida pelo cobre tem uma dimensão geopolítica que vai além dos números de drilling. Os EUA classificaram o cobre como mineral crítico em 2022, e a Lei de Redução da Inflação (IRA) direciona bilhões de dólares em subsídios para a cadeia de suprimento de minerais críticos doméstica e de aliados. O Brasil, com sua posição estratégica como parceiro não-OTAN dos EUA e com reservas expressivas em Carajás, tem um argumento forte para negociar acesso preferencial aos mercados americanos de minerais críticos. A nova mina de cobre em Carajás que pode surgir dos 120.000 metros de drilling de 2026 pode valer muito mais do que o preço de mercado do metal — pode valer a posição estratégica do Brasil como fornecedor confiável numa cadeia de suprimento que os EUA querem desesperadamente diversificar fora da China. A broca que perfura Carajás hoje está traçando o mapa geopolítico da próxima década.

Com 44,9 milhões de toneladas de cobre no subsolo de Carajás, o Brasil vai virar potência de minerais críticos ou vai exportar o minério bruto e deixar o valor agregado para outros?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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