Paulínia (SP) recebeu nesta semana uma usina termelétrica movida a biometano que promete gerar energia elétrica para o sistema nacional de energia sem nenhuma pausa até o ano de 2025.
A termelétrica Paulínia Verde – SP entrou em operação comercial na última semana, após uma mobilização de esforços das sócias Orizon, Grupo Gera e Mercurio Partners para tirar do papel um projeto greenfield em menos de um ano. Apesar de só deter contratos para os próximos três anos, a expectativa é que a usina movida a biometano tenha suas atividades prolongadas no longo prazo via novos leilões ou outras alternativas de mercado.
Usina de biometano da Orizon tem capacidade de até 110 mil m³
Situada em Paulínia (SP), a termelétrica movida a biometano já recebeu R$ 180 milhões em investimentos e disponibilizará 15,7 megawatts de garantia física para o sistema de energia elétrica brasileiro ininterruptamente até 2025. A usina produzirá energia com base em gás biometano, que será processado no aterro sanitário da Orizon no município de SP.
A usina de produção do biometano é totalmente da Orizon e possui capacidade para a produção de até 110 mil metros cúbicos por dia do gás para a termelétrica. De acordo com o fundador e CEO da Mercurio Partners, Alexandre Americano, as empresas correram contra o tempo para que o projeto se tornasse viável. Este é o segundo dos 17 empreendimentos emergenciais contratados pelo governo a entrar em operação, além dele, apenas uma termelétrica a biomassa de cavaco de madeira está em atividade.
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Como o contrato prevê que a termelétrica em SP movida a biometano não pode parar de gerar energia elétrica ao sistema, as empresas investiram em equipamentos adicionais para garantir que não haja problemas.
Parceria com a Comgás
Além disso, a termelétrica em SP trabalhará com outras opções além do biometano como combustível. A mesma poderá atuar com gás natural ou gás natural liquefeito.
De acordo com Americano foi fechado um contrato com a Comgás, que construiu um gasoduto para suprir as demandas da termelétrica, para possuir uma maior flexibilidade e redundância. André Castro, sócio do grupo Gera e diretor de operações da termelétrica a biometano, afirma que a complexidade e velocidade do projeto impôs uma série de desafios à instalação.
Segundo Castro, foram furadas todas as filas mundiais de importação para conseguir trazer o motor da termelétrica, no meio da Covid, greve da receita, guerra, entre outras coisas. Além disso, tinha uma subestação para ser construída dentro do site e uma linha de transmissão a ser construída em terreno de terceiros.
Termelétrica pode buscar novos contratos de fornecimento de energia elétrica
No futuro, os executivos entendem que a termelétrica movida a biometano pode buscar novos contratos de fornecimento de energia, seja em leilões do governo ou diretamente com clientes, em modalidades como a geração distribuída.
Segundo o diretor de engenharia e implantação da Orizon, as alternativas para um ativo como esse em SP, em bom estado e relativamente novo, são muitas. É possível dar sequência até com outros tipos de combustível, como o biogás, a partir de algumas adaptações. Elias ressalta ainda que a Orizon preparou sua infraestrutura de produção do biometano em Paulínia de forma a suprir interesses futuros, como uma ampliação da termelétrica, por exemplo.
O aterro da Orizon em SP possui material suficiente para a produção de 250 mil metros cúbicos por dia de biometano, entretanto isso dependeria de novos investimentos. Paulínia Verde foi uma das vencedoras da licitação organizada às pressas pelo governo no auge da crise hídrica em 2021.
