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Usina no deserto do Atacama capaz de transformar 1,6 milhão de litros de água do mar em água potável por hora mostra como até a área mais seca do planeta já começa a beber o oceano

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 02/01/2026 às 09:08
Atualizado em 02/01/2026 às 10:21
Usina no deserto do Atacama transforma água do mar em água potável por hora e garante abastecimento a cidades chilenas em região de extrema escassez.
Usina no deserto do Atacama transforma água do mar em água potável por hora e garante abastecimento a cidades chilenas em região de extrema escassez.
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Instalada em Caldera, no coração do deserto do Atacama, grande usina chilena de dessalinização usa osmose reversa e energia renovável para transformar água do mar em fonte estratégica de abastecimento urbano e agrícola.

Na região considerada uma das mais secas do planeta, o Chile passou a depender de uma grande usina de dessalinização para garantir o abastecimento diário de água potável à população.

Instalada no município de Caldera, na região de Atacama, a planta é capaz de transformar cerca de 1,6 milhão de litros de água do mar por hora em água doce, tornando-se peça central da estratégia do país para enfrentar a escassez hídrica em uma área sem aquíferos naturais suficientes para o autoabastecimento.

Capacidade da Planta Desaladora de Atacama

A instalação, conhecida como Atacama Desalination Plant ou Planta Desaladora de Atacama, foi projetada com capacidade inicial de 38.880 metros cúbicos por dia, o equivalente a aproximadamente 38,9 milhões de litros diários, e desenhada para operar em módulos até atingir uma vazão máxima de 1.200 litros por segundo de água potável.

Essa capacidade final corresponde a cerca de 103.600 metros cúbicos por dia.

De acordo com a empresa responsável pelo projeto e documentos oficiais, a usina foi dimensionada para garantir o fornecimento de água de qualidade para mais de 210 mil habitantes em quatro comunas: Copiapó, Caldera, Chañaral e Tierra Amarilla, atendendo aproximadamente 70% da população da região de Atacama.

Projeto público e participação internacional

O empreendimento é conduzido pela estatal Econssa Chile S.A., responsável pelos serviços de saneamento em diversas regiões do país, e foi financiado com recursos públicos, sendo apresentado como a primeira grande usina de dessalinização voltada ao consumo humano financiada integralmente pelo Estado.

Usina no deserto do Atacama transforma água do mar em água potável por hora e garante abastecimento a cidades chilenas em região de extrema escassez.
Usina no deserto do Atacama transforma água do mar em água potável por hora e garante abastecimento a cidades chilenas em região de extrema escassez.

A obra foi adjudicada em 2017 a um consórcio formado pela espanhola GS Inima e pela construtora chilena Claro Vicuña Valenzuela, que assumiu a engenharia, o fornecimento de equipamentos, a construção e os primeiros anos de operação e manutenção.

Estresse hídrico extremo no norte do Chile

A escolha por uma usina de grande porte foi diretamente ligada à situação de stress hídrico crônico no norte do Chile.

O deserto do Atacama é classificado por estudos climáticos como o deserto não polar mais seco do mundo, com médias anuais de chuva de poucos milímetros e registros de áreas que chegam a permanecer anos sem qualquer precipitação mensurável.

Em trechos da região, a pluviosidade média é inferior a 2 milímetros por ano, o que torna inviável depender de reservatórios superficiais.

O cenário é agravado pelo fato de o país figurar em levantamentos internacionais entre as nações com maior pressão sobre os recursos hídricos, em função da combinação de demanda crescente e oferta limitada.

Antes da entrada em operação da usina, a região de Atacama dependia principalmente do aquífero do rio Copiapó, que sofreu forte rebaixamento após décadas de exploração para consumo humano, agricultura e mineração.

Autoridades chilenas passaram a descrever a área como permanentemente ameaçada pelo risco de ficar sem água em caso de eventos climáticos extremos.

Com a conclusão da planta, o próprio governo passou a tratar o projeto como uma “obra de Estado”, prioritária na política pública de segurança hídrica para o norte do país.

Tecnologia de osmose reversa no deserto do Atacama

Usina no deserto do Atacama transforma água do mar em água potável por hora e garante abastecimento a cidades chilenas em região de extrema escassez.
Usina no deserto do Atacama transforma água do mar em água potável por hora e garante abastecimento a cidades chilenas em região de extrema escassez.

Do ponto de vista técnico, a usina utiliza tecnologia de osmose reversa de água do mar.

O processo começa na captação, com estruturas submarinas e tubulações que levam a água bruta do oceano até as instalações em terra.

Na sequência, o líquido passa por etapas de pré-tratamento físico e químico para remover sólidos em suspensão, areia, matéria orgânica e organismos marinhos que poderiam danificar as membranas.

Só então a água é pressurizada por bombas de alta potência e enviada a módulos de osmose reversa, onde atravessa membranas semipermeáveis que retêm sais e a maior parte dos contaminantes, separando o fluxo em água dessalinizada e salmoura concentrada.

A água potável produzida é submetida a correções finais de pH, remineralização e desinfecção, antes de ser bombeada por dezenas de quilômetros de adutoras até os centros urbanos da região.

A rede associada à usina inclui estações de recalque e reservatórios intermediários que permitem vencer desníveis de altitude e garantir pressão adequada no abastecimento das cidades atendidas.

Já a salmoura retorna ao mar por meio de emissários submarinos projetados para diluir o concentrado salino e minimizar alterações locais de salinidade.

Eficiência energética e uso de energia renovável

Um dos pontos destacados por empresas e entidades do setor é a eficiência energética da Planta Desaladora de Atacama.

Informações técnicas divulgadas por GS Inima e parceiros indicam que a usina opera com consumo elétrico garantido inferior a 2,8 kWh por metro cúbico de água produzida, patamar considerado entre os mais baixos do mundo em instalações desse porte.

Durante testes de desempenho, foram registrados valores médios ainda menores, próximos de 2,6 kWh por metro cúbico, resultado associado ao uso de equipamentos de recuperação de energia no rejeito de alta pressão e ao desenho otimizado do processo.

Outro diferencial é a integração com fontes renováveis de energia.

Usina no deserto do Atacama transforma água do mar em água potável por hora e garante abastecimento a cidades chilenas em região de extrema escassez.
Usina no deserto do Atacama transforma água do mar em água potável por hora e garante abastecimento a cidades chilenas em região de extrema escassez.

Documentos públicos relacionados ao empreendimento apontam que o fornecimento elétrico da usina é garantido por um arranjo de geração eólica e solar, caracterizado oficialmente como 100% renovável.

Essa configuração reduz a pegada de carbono associada à dessalinização, uma crítica frequente a projetos similares em outras partes do mundo, onde a energia para as bombas de alta pressão costuma vir majoritariamente de termelétricas a combustíveis fósseis.

Reconhecimento internacional e impacto regional

O conjunto de soluções tecnológicas e o impacto direto sobre o abastecimento da região renderam reconhecimento internacional ao projeto.

Em 2022, a usina de dessalinização de Atacama foi anunciada como vencedora do prêmio “Desalination Plant of the Year” no Global Water Awards, premiação organizada por entidades ligadas ao setor de água e saneamento.

A planta também havia sido apontada anteriormente como um dos projetos de engenharia mais relevantes do país por associações técnicas chilenas, em função do volume de investimento, do papel social e das soluções adotadas para reduzir impactos ambientais na zona costeira.

No plano interno, o governo chileno ressalta o efeito da usina sobre a segurança hídrica local.

Durante a inauguração oficial, autoridades destacaram que a região, antes sob risco permanente de desabastecimento, passou a ter a oferta de água potável assegurada por décadas, com base na capacidade contratada e no desenho modular que permite futuras expansões.

Relatos institucionais também mencionam a geração de mais de 500 empregos diretos durante a fase de construção e o volume de recursos investidos, em torno de 100 milhões de dólares, como fatores de peso na economia regional.

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Juan
Juan
05/01/2026 11:37

Es una buena solución si se gestiona correctamente la salmuera que produce. En muchos lugares la salmuera de rechazo se tira al mar y arrasa la vida marina

paulo valentim
paulo valentim
04/01/2026 12:16

Para onde vão os 2/3 da água captada?

Rodolfo
Rodolfo
04/01/2026 07:58

Devolver salmuera al mar acarreara problemas con la flora y fauna marina, cuando se den cuenta será tarde como siempre.

Jose billalta
Jose billalta
Em resposta a  Rodolfo
04/01/2026 10:10

La cantidad es muy pequeña no llega a perjudicar

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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