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Usina de asfalto no Brasil comprada por R$ 900 mil com promessa de reduzir custos nunca funcionou, ficou quatro anos parada sob lonas e acabou leiloada por R$ 851 mil para empresário com contrato de R$ 16,5 milhões na prefeitura

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 16/05/2026 às 18:10
Atualizado em 16/05/2026 às 18:12
Prefeitura de Rio Brilhante vende usina de asfalto parada há quatro anos para empresário com contrato milionário.
Prefeitura de Rio Brilhante vende usina de asfalto parada há quatro anos para empresário com contrato milionário.
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Equipamento comprado para reduzir gastos públicos ficou anos sem operação em Mato Grosso do Sul, acabou vendido em leilão com apenas um lance e foi arrematado por empresário ligado a empresa que já mantém contrato milionário de pavimentação e manutenção de estradas com a prefeitura.

A Prefeitura de Rio Brilhante, em Mato Grosso do Sul, vendeu por R$ 851 mil uma usina de asfalto adquirida com recursos públicos por R$ 900 mil em 2021 e que, conforme revelou o Campo Grande News, jamais entrou em operação desde a compra anunciada pela gestão municipal.

Arrematado pela Avante Usinagem de Asfalto Ltda, o equipamento passou para as mãos de empresa ligada ao empresário Bruno Cezar de Souza Trindade, proprietário também da Avance Construtora, companhia que mantém contrato de R$ 16,5 milhões com a prefeitura.

Ainda durante a gestão do prefeito Lucas Centenaro Foroni, a administração divulgou a compra da usina como alternativa para ampliar a autonomia do município em obras de pavimentação e reduzir despesas com manutenção viária ao longo dos anos seguintes.

Na prática, porém, o projeto nunca saiu do papel e a estrutura permaneceu armazenada sob lonas no Parque Industrial de Rio Brilhante, enquanto a prefeitura continuou contratando empresas terceirizadas para serviços de pavimentação e conservação de ruas e estradas.

Ministério Público acompanhou situação da usina de asfalto

Prefeitura de Rio Brilhante vende usina de asfalto parada há quatro anos para empresário com contrato milionário.
Prefeitura de Rio Brilhante vende usina de asfalto parada há quatro anos para empresário com contrato milionário.

Com o passar dos anos sem utilização do equipamento, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul passou a acompanhar o caso e abriu apuração sobre a compra da usina e a ausência de funcionamento desde sua aquisição.

Já em junho de 2024, o MPMS solicitou documentos à prefeitura e pediu esclarecimentos sobre as condições de conservação da estrutura, que permanecia armazenada sem qualquer atividade operacional desde a compra feita pelo município.

Poucos meses depois, em agosto de 2024, o promotor Alexandre Rosa Luz firmou um Termo de Ajustamento de Conduta com o prefeito Lucas Foroni para definir providências relacionadas ao equipamento adquirido pela administração municipal.

Entre as medidas previstas no acordo estavam ações para preservar o patrimônio público, avaliar a possibilidade de compartilhamento com outros municípios e até mesmo iniciar um procedimento de alienação caso a utilização permanecesse inviável.

Diante desse cenário, a prefeitura optou pela realização de um leilão eletrônico como alternativa para encerrar o impasse envolvendo a usina de asfalto comprada com recursos públicos.

O edital foi publicado em 2025, com avaliação do equipamento em R$ 850 mil e descrição de estado de conservação considerado “bom”, apesar de a estrutura não ter sido colocada em funcionamento desde a aquisição.

A sessão eletrônica ocorreu em 23 de abril de 2025 e teve apenas um participante.

O único lance apresentado foi de R$ 851 mil, valor R$ 1 mil acima do mínimo previsto e R$ 49 mil abaixo do montante desembolsado originalmente pelo município.

Empresa vencedora do leilão mantém contrato com prefeitura

Prefeitura de Rio Brilhante vende usina de asfalto parada há quatro anos para empresário com contrato milionário.
Prefeitura de Rio Brilhante vende usina de asfalto parada há quatro anos para empresário com contrato milionário.

Responsável pelo único lance apresentado no leilão, a Avante Usinagem de Asfalto Ltda é vinculada ao empresário Bruno Cezar de Souza Trindade, que também aparece como proprietário da Avance Construtora, contratada pela Prefeitura de Rio Brilhante.

A empresa mantém contrato para manutenção e conservação de estradas pavimentadas e não pavimentadas do município, firmado em 22 de março de 2024 no valor de R$ 16,5 milhões, conforme extrato publicado em diário oficial.

Cinco meses antes da assinatura do TAC entre o Ministério Público e a prefeitura, a contratação da Avance já estava em vigor e abrangia justamente serviços ligados à pavimentação e manutenção viária executados na cidade.

Segundo informações divulgadas pelo Campo Grande News, a construtora realizava trabalhos na mesma área em que a usina pública havia sido apresentada pela administração municipal como alternativa para reduzir custos e ampliar a capacidade operacional do município.

Além do contrato municipal, a Avance também é citada em obras vinculadas ao Governo de Mato Grosso do Sul, incluindo intervenções no Pantanal e no Polo Industrial de Rio Brilhante, com recursos da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística.

Prefeito afirma que usina se tornou inviável

Em resposta ao Campo Grande News, o prefeito Lucas Foroni afirmou que a compra da usina tinha como principal objetivo reduzir despesas com recapeamento, embora a operação própria tenha se mostrado mais complexa do que o inicialmente previsto pela administração municipal.

“Vendemos a usina porque quando abrimos pregões para compra de insumos, as indústrias não se interessavam em vender as matérias-primas necessárias por um preço mais barato ao município”, declarou o prefeito.

Segundo Foroni, a ausência de propostas consideradas vantajosas para o fornecimento dos materiais acabou tornando inviável a utilização da estrutura adquirida pela prefeitura para produção própria de asfalto.

“O estudo é perfeito, mas na prática é muito mais complexo para conseguir o fornecimento”, disse.

Questionado sobre a venda após o TAC com o Ministério Público, o prefeito sustentou que a alienação foi a solução adotada para encerrar o impasse envolvendo o equipamento.

Segundo ele, o acordo tratava de possível dano ao erário, mas não impunha uma única forma de resolução.

“O TAC era focado em dano ao erário. A forma que poderia ser feita não era direcionada, então foi essa a forma que encontramos de achar o melhor caminho, que seria a venda”, afirmou Foroni.

Até a publicação da reportagem do Campo Grande News, o prefeito não havia respondido se tinha conhecimento de que a Avante Usinagem de Asfalto Ltda e a Avance Construtora pertencem ao mesmo empresário.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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