Enquanto a cidade segue sua rotina na superfície, uma máquina do tamanho de um campo de futebol avança silenciosamente lá embaixo, instalando anéis de concreto à medida que escava. E há um detalhe curioso: a montanha de terra retirada não vira lixo, mas ganha um destino que poucos imaginam.
Uma tuneladora de 98 metros de comprimento chamada Mayrit já escavou mais de 670 metros de túnel e retirou quase 47 mil metros cúbicos de terra em apenas 55 dias sob as ruas de Madri. A gigantesca máquina trabalha na ampliação da Linha 11 do metrô, uma obra que pretende criar a chamada grande diagonal subterrânea da capital espanhola, ligando bairros distantes sem passar pelo congestionado centro da cidade.
Os dados foram divulgados pela Comunidade de Madri, governo regional responsável pela obra, com base em informações da Secretaria de Habitação, Transportes e Infraestruturas. A máquina começou a perfurar em 26 de março de 2026 e é a primeira tuneladora a operar no subsolo madrilenho em 15 anos. Vale registrar que as imagens que circularam com a notícia em alguns sites foram geradas por inteligência artificial, e não fotos reais da obra, mas os números e o andamento do projeto são oficiais e podem ser verificados junto ao governo regional.
Os números impressionantes da tuneladora Mayrit

Em 55 dias de trabalho, a tuneladora Mayrit, que tem 98 metros de comprimento e pesa cerca de 1.500 toneladas, avançou 672,6 metros a partir da futura estação de Comillas em direção a Madrid Río, retirou 46.676,2 metros cúbicos de terra e instalou 389 anéis de concreto que sustentam o túnel à medida que ele é escavado.
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Segundo a Comunidade de Madri, a máquina atingiu em maio um ritmo próximo de 20 metros perfurados por dia, cerca de 500 metros por mês, operando de forma contínua.
A tuneladora não apenas escava, mas também consolida o túnel, instalando os anéis de concreto que garantem a segurança da estrutura.
Fabricada na Alemanha, ela representa um salto de produtividade em relação aos métodos tradicionais de escavação, permitindo executar a obra com mais agilidade.
O destino curioso da terra escavada
Um dos aspectos mais interessantes do projeto é o que acontece com todo o material retirado.
As milhares de toneladas de terra extraídas do subsolo de Madri não são simplesmente descartadas: elas são usadas para restaurar cerca de meia dúzia de antigas explorações de mineração e recuperar um aterro que hoje está desativado na região, num exemplo de reaproveitamento de resíduos.
Para dar conta desse transporte, uma frota de aproximadamente 150 caminhões opera continuamente, levando os sedimentos para os destinos planejados.
A terra sai do túnel por esteiras rolantes e passa por fossos de grande capacidade antes de ser transportada.
Essa logística mostra como uma grande obra subterrânea precisa pensar não só na escavação em si, mas também na gestão ambiental de tudo o que é retirado do solo.
Como o túnel é montado por dentro

As peças de concreto que formam as paredes do túnel, chamadas de dovelas, são fabricadas em uma planta específica em Noblejas, na província de Toledo, onde cerca de 50 operários produzem 42 dovelas por dia, o equivalente a seis anéis completos, que depois são transportados até o canteiro de obras por veículos especiais para cargas pesadas.
Cada anel estrutural completo é formado pela junção exata de sete peças de concreto, encaixadas no subsolo pela própria tuneladora.
Esse modelo de construção industrializada, no qual as peças são produzidas em fábrica e apenas montadas no local, ajuda a acelerar os prazos e a reduzir imprevistos.
A produção das dovelas, aliás, começou ainda em setembro de 2025, antes mesmo de a máquina chegar à Espanha vinda da Alemanha.
A grande diagonal subterrânea de Madri
O objetivo final da obra é transformar a mobilidade na capital espanhola.
A ampliação da Linha 11 pretende criar uma grande diagonal subterrânea que, quando totalmente concluída, ligará as regiões de Cuatro Vientos e Valdebebas ao longo de 33,5 quilômetros, permitindo cruzar Madri de uma ponta à outra em pouco mais de uma hora, sem passar pelo centro congestionado.
O trecho atual, em escavação, conectará a estação de Comillas, no bairro de Carabanchel, a pontos como Atocha e Conde de Casal, sem a necessidade de baldeações pela sobrecarregada Linha 6.
A proposta é reduzir o tempo de viagem dos usuários, diminuir os congestionamentos e a poluição do ar, oferecendo uma alternativa de transporte público mais eficiente para quem vive e circula pela cidade.
Prazos, etapas e investimento
A obra avança por fases bem definidas e com um orçamento expressivo.
A previsão é que o trecho entre Comillas e Madrid Río seja concluído em junho de 2026, quando a tuneladora passará por uma revisão técnica de cerca de duas semanas antes de seguir rumo a Palos de la Frontera, Atocha e, finalmente, Conde de Casal, encerrando esta fase prevista para o fim de 2027, caso os prazos sejam cumpridos.
O investimento total destinado a essa modernização ultrapassa 739 milhões de euros, dos quais a maior parte, cerca de 586 milhões, é dedicada à execução do túnel e de cinco novas estações.
O trecho em obras, de aproximadamente 5,5 quilômetros, exigirá a instalação de mais de 3 mil anéis de concreto.
É um investimento elevado, mas que o governo regional apresenta como uma aposta estratégica para transformar a forma como as pessoas se deslocam pela capital.
O que isso tem a ver com o Brasil
Obras como essa não são exclusividade europeia e dialogam com a realidade brasileira.
O Brasil também utiliza tuneladoras de grande porte em obras de metrô, especialmente em São Paulo, onde máquinas semelhantes vêm sendo empregadas na expansão de linhas para enfrentar os mesmos desafios de mobilidade urbana e congestionamento que afligem as grandes capitais do mundo.
Acompanhar projetos internacionais de referência, como o de Madri, ajuda a entender as tecnologias e os métodos construtivos que podem ser aplicados por aqui.
A construção industrializada, o uso de tuneladoras e o reaproveitamento do material escavado são tendências globais na engenharia de infraestrutura, e o avanço da Mayrit é um bom exemplo de como a tecnologia vem tornando essas grandes obras mais rápidas e eficientes.
O avanço da tuneladora Mayrit sob as ruas de Madri é uma demonstração impressionante de como a engenharia moderna é capaz de transformar uma cidade a partir do subsolo, com máquinas colossais, construção industrializada e até preocupação com o destino da terra escavada.
Mais do que números grandiosos, a obra representa uma aposta na mobilidade urbana do futuro, com a promessa de conectar bairros e facilitar a vida de milhões de pessoas.
Se os prazos forem cumpridos, a grande diagonal subterrânea de Madri será um marco que vale a pena acompanhar, inclusive como inspiração para o Brasil.
E você, já tinha ideia do tamanho e da complexidade das máquinas que constroem os túneis de metrô? O que achou do destino dado à terra escavada e dessa obra sob as ruas de Madri? Deixe seu comentário, conte sua opinião sobre transporte público e mobilidade urbana e compartilhe a matéria com quem se interessa por engenharia, obras e tecnologia.


Uma obra que só um governo inteligente consegue executar e dar exemplo de como gastar o dinheiro do povo,,, ao invés de sair distribuindo reais e mais reais para políticos,cada vez mais gananciosos