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Startup nascida no MIT usou tecnologia de fusão nuclear para vaporizar granito a 100 milhões de graus no Texas e já perfurou 100 metros sem broca, abrindo caminho para usinas geotérmicas capazes de gerar energia em qualquer lugar do planeta, inclusive no Brasil

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 29/04/2026 às 17:13 Atualizado em 29/04/2026 às 17:35
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tecnologia inspirada em fusao nuclear na energia geotermica
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Tecnologia inspirada na fusão nuclear perfura rocha sem broca e pode permitir energia geotérmica global com temperaturas de até 500 °C em qualquer região.

Em 22 de julho de 2025, a Quaise Energy, startup nascida a partir de pesquisas do MIT, anunciou ter perfurado 100 metros em rocha no centro do Texas usando sua tecnologia proprietária de ondas milimétricas, um método que substitui a broca no fundo do poço por energia eletromagnética de alta potência. Segundo a empresa, o feito marcou um recorde para esse tipo de perfuração e levou para o campo uma tecnologia que, até então, havia avançado principalmente em ambiente laboratorial.

O sistema usa girotrons, equipamentos conhecidos em pesquisas de fusão nuclear, para gerar ondas capazes de aquecer, fundir e vaporizar rochas duras como granito e basalto sem contato mecânico direto no ponto de perfuração. Em análise publicada em 3 de novembro de 2025, o MIT Energy Initiative informou que a Quaise perfurou 118 metros em campo em julho e depois demonstrou avanço em granito a uma taxa de até 5 metros por hora, reforçando a aposta da empresa na geotermia superquente como fonte firme de energia

O resultado representa uma mudança radical em um dos processos mais limitados da indústria energética: a perfuração profunda.

Perfuração sem broca elimina um dos maiores gargalos da energia geotérmica

A energia geotérmica tradicional depende de perfurações profundas para alcançar reservatórios naturais de água quente. No entanto, a tecnologia atual enfrenta limitações físicas importantes.

Brocas convencionais sofrem desgaste extremo ao penetrar rochas duras, além de apresentarem limitações de profundidade e custo crescente à medida que avançam no subsolo.

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A abordagem da Quaise elimina esse problema ao substituir o contato mecânico por energia térmica. O processo funciona da seguinte forma:

  • ondas milimétricas são direcionadas para a rocha
  • o material é aquecido rapidamente
  • a rocha se transforma em vapor e é removida do poço

Esse método evita desgaste físico e permite alcançar profundidades que antes eram inviáveis com tecnologia convencional.

Objetivo é atingir até 20 quilômetros de profundidade em qualquer região do planeta

O grande diferencial da tecnologia não está apenas na perfuração em si, mas na profundidade que ela pode alcançar.

A meta da empresa é chegar a 10 a 20 quilômetros abaixo da superfície, onde a temperatura natural da crosta terrestre pode atingir entre 400 °C e 500 °C praticamente em qualquer ponto do planeta.

Esse nível de calor é suficiente para gerar vapor de alta pressão, que pode ser convertido em eletricidade de forma contínua.

Tecnologia inspirada na fusão nuclear perfura rocha sem broca e pode permitir energia geotérmica global com temperaturas de até 500 °C em qualquer região.
tecnologia inspirada em fusao nuclear na energia geotermica

Diferente da geotermia tradicional, que depende de condições geológicas específicas, essa abordagem busca acessar calor disponível globalmente.

Limitação geográfica da geotermia pode ser superada

Hoje, a energia geotérmica é altamente dependente de regiões com características específicas, como atividade vulcânica ou presença de reservatórios hidrotermais.

Países como Islândia, Quênia e partes dos Estados Unidos concentram a maior parte da produção geotérmica mundial justamente por possuírem essas condições naturais.

A proposta da Quaise altera esse cenário ao focar no calor da rocha, e não na presença de água quente. Isso significa que, em teoria, qualquer país poderia explorar energia geotérmica profunda, independentemente de sua geologia superficial.

Primeira usina piloto está prevista para os Estados Unidos

A empresa já planeja a construção de uma usina piloto com capacidade de 20 megawatts no estado do Oregon, com previsão inicial para 2028.

Esse projeto será o primeiro teste em escala comercial da tecnologia, avaliando sua viabilidade econômica e operacional.

A ideia é integrar o sistema a usinas já existentes, utilizando infraestrutura energética atual para acelerar a implementação. O sucesso dessa etapa será determinante para validar a tecnologia em escala global.

Energia geotérmica profunda pode funcionar 24 horas por dia sem depender do clima

Uma das principais vantagens da geotermia em relação a outras fontes renováveis é a sua estabilidade. Diferente da energia solar e eólica, que dependem de condições climáticas, a energia geotérmica pode operar continuamente.

Isso ocorre porque o calor interno da Terra é constante e não sofre variações significativas no curto prazo. A possibilidade de gerar energia limpa de forma contínua coloca a geotermia como uma candidata estratégica para complementar a matriz energética global.

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Se a perfuração profunda em qualquer local se tornar viável economicamente, a energia geotérmica pode ganhar um papel central na transição energética. Atualmente, grande parte da eletricidade global ainda depende de combustíveis fósseis, que apresentam impactos ambientais significativos.

A geotermia profunda oferece uma alternativa com menor emissão de gases de efeito estufa e capacidade de operação constante. Isso pode contribuir para reduzir a dependência de fontes poluentes e aumentar a segurança energética.

Desafios técnicos e econômicos ainda precisam ser superados

Apesar dos avanços, a tecnologia ainda enfrenta desafios importantes. Entre os principais estão:

  • eficiência do processo em maiores profundidades
  • controle do material vaporizado
  • custo operacional em escala industrial

Além disso, perfurações profundas exigem sistemas robustos de controle térmico e segurança. O sucesso comercial dependerá da capacidade de tornar o processo economicamente competitivo.

Adaptação da tecnologia de fusão nuclear amplia possibilidades industriais

A utilização de girotrões fora do contexto da fusão nuclear representa uma inovação relevante. Esses dispositivos foram originalmente desenvolvidos para aquecer plasma em reatores experimentais, como os utilizados em pesquisas de fusão.

Ao aplicar essa tecnologia na perfuração geológica, a Quaise cria uma ponte entre duas áreas científicas distintas. Essa convergência tecnológica amplia o potencial de aplicações industriais para equipamentos desenvolvidos em laboratório.

Brasil aparece como possível beneficiário da tecnologia

Um dos pontos mais interessantes dessa abordagem é sua aplicabilidade em países que hoje não possuem exploração geotérmica significativa.

O Brasil, por exemplo, possui baixa atividade geotérmica convencional, mas apresenta calor interno suficiente em profundidades maiores. Com a tecnologia de perfuração profunda, regiões que hoje não são consideradas viáveis poderiam se tornar fontes de energia.

Isso abre a possibilidade de diversificação da matriz energética em países que atualmente dependem de outras fontes.

Perfuração sem contato pode redefinir limites da engenharia subterrânea

Além da energia, a tecnologia pode impactar outras áreas que dependem de perfuração profunda.

Aplicações potenciais incluem:

  • exploração mineral
  • armazenamento subterrâneo
  • estudos geológicos avançados

A capacidade de perfurar sem contato físico reduz desgaste e amplia possibilidades de acesso ao subsolo. Isso pode redefinir os limites da engenharia em ambientes subterrâneos.

Diante desse avanço, a energia geotérmica pode deixar de ser limitada a poucos países?

Com a possibilidade de acessar calor profundo em qualquer região, a tecnologia desenvolvida pela Quaise Energy representa uma mudança de paradigma na produção de energia.

O que antes era restrito a regiões específicas pode se tornar uma solução global, capaz de operar de forma contínua e independente das condições climáticas.

A questão que surge é direta: se o calor da Terra está disponível em todo o planeta, a tecnologia conseguirá torná-lo acessível em escala suficiente para transformar o sistema energético mundial?

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Cristovao
Cristovao
03/05/2026 17:11

Esse calor para perfurar não atrapalha o meio ambiente, fala se tanto em aquecimento global? Fogo de mato não chega às 200 graus, agora um calor desses? E esse vapor quente que estava lá embaixo e vem pra superfície não aumenta o aquecimento global? Quando jogarem esse ar quente na atmosfera acredito que vai mudar sim a temperatura da região!

Anderson
Anderson
30/04/2026 13:56

Sim, essa fonte de energia é a mais sustentável em comparação com a térmica movida a carvão e oleo diesil e as eólicas e solares.
Pois estas depende muito de condições climáticas favoráveis e sem contar que a térmica depende de combustíveis fosseis e carvão vegetal.
Bom, por outro lado, visto como eficácia contínua em produção de energia.
Está sim, seria a mais sustentável de todas as matrizes energéticas.
E se a tecnologia evoluiu tanto a ponto de criar a máquina girotron que usa indução elétrica e ondas contínuas de micro-ondas de alta intensidade.
Portanto acaba se tornando a melhor forma de se perfurar rochas muito sólidas e de perfurar poços profundos.
Vejo que essa tecnologia girotron de ondas e plasma se tornará a revolução das perfurações em vários terrenos rochosos e montanhosos do planeta.
É uma tecnologia nova que surge para acelerar a transição energética para uma fonte mais limpa e sustentável.
A energia geotérmica vinda do centro da terra é segura e mantém calor o tempo todo sem depender de chuvas, tempo muito frio e outras condições que afetaria a matriz energética.
Isso é que o mundo prescisa nesse instante de transição para as matrizes geotérmicas profunadas.
Que nossos governos avaliem e vejam como promissora o uso de fonte termal, que é de fato inesgotável.
E se começarem a trocar as termais de carvão e as usinas nucleares por esse sistema de aquecimento de água para gerar vapores de alta pressão e velocidade, isso causará a maior revolução das fontes de energia para grandes cidades e até para complexos de data centers.
Assim varios países do mundo evoluiriam mais rapidamente para a maior transição de todas as matrizes energéticas.

Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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