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Uma startup francesa quer colocar 3.400 satélites a apenas 375 km da Terra, mais perto que a Starlink, para oferecer internet 5G direto no celular sem precisar de antena especial, e acaba de levantar 27 milhões de euros para começar a desafiar os gigantes americanos

Publicado em 26/04/2026 às 01:29
Atualizado em 26/04/2026 às 01:37
Startup francesa planeja 3.400 satélites a 375 km para oferecer internet 5G direto no celular, sem antena. A Starlink agora tem um novo rival europeu.
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Uma startup francesa acaba de entrar na disputa global por internet via satélite com uma proposta que se diferencia da Starlink e da Amazon em um ponto fundamental: enviar sinal 5G diretamente para o celular que o usuário já tem no bolso, sem exigir nenhum equipamento adicional. A empresa planeja posicionar 3.400 satélites a apenas 375 km de altitude, uma órbita mais baixa do que a utilizada pela constelação de Elon Musk, e acaba de levantar 27 milhões de euros para financiar as primeiras etapas do projeto. A proximidade com a Terra é a chave técnica que permite a conexão direta com smartphones convencionais.

O modelo de negócio ataca uma limitação que todas as grandes constelações enfrentam até agora. A Starlink, com mais de 6.000 satélites em operação, exige que o usuário compre e instale uma antena receptora para se conectar. A Amazon, com o projeto Kuiper, segue a mesma lógica. A startup francesa quer eliminar essa barreira ao operar em uma altitude tão baixa que o sinal chega com potência suficiente para ser captado diretamente pelo celular, transformando qualquer smartphone compatível com 5G em terminal de internet via satélite sem acessórios adicionais.

Por que 375 km de altitude fazem tanta diferença para a conexão

Segundo informações divulgadas pelo portal Minha Operadora, a altitude de órbita é o fator que determina a qualidade e a viabilidade de uma conexão direta com o celular. Quanto mais perto o satélite está da Terra, menor é a latência e maior é a potência do sinal que chega ao solo, reduzindo a necessidade de equipamentos sofisticados para captar a transmissão. A Starlink opera a cerca de 550 km de altitude, e a diferença de 175 km pode parecer pequena em termos absolutos, mas é significativa em termos de engenharia de telecomunicações.

A 375 km, os satélites da startup francesa conseguem entregar sinal 5G com potência compatível com a sensibilidade de um smartphone convencional. Essa proximidade também reduz a latência, o intervalo entre enviar e receber dados, para níveis comparáveis aos de redes terrestres, algo que constelações em órbitas mais altas não conseguem igualar com a mesma consistência. A contrapartida é que satélites em órbita mais baixa percorrem a atmosfera mais rapidamente e precisam ser substituídos com maior frequência, o que aumenta custos operacionais de longo prazo.

O que significa internet 5G direto no celular sem antena especial

A proposta de eliminar a antena receptora é o diferencial competitivo mais relevante da startup. A Starlink cobra pelo equipamento de recepção, que custa centenas de dólares, e exige instalação em local com visão desobstruída do céu, o que limita o uso em áreas urbanas densas e em situações de mobilidade. Com internet 5G direto no celular, o usuário acessa a rede satelital da mesma forma que se conecta a uma torre de telefonia: automaticamente, sem configuração e sem hardware adicional.

Para regiões remotas que não possuem cobertura de operadoras terrestres, a diferença é transformadora. Comunidades rurais, embarcações em alto mar, áreas de desastre e zonas de conflito teriam acesso à internet pelo mesmo celular que já usam, sem depender de logística de entrega e instalação de antenas. O modelo também interessa a operadoras de telecomunicações que buscam expandir cobertura sem o custo de construir torres em áreas de baixa densidade populacional.

Os 27 milhões de euros e o caminho até os primeiros satélites em órbita

A rodada de financiamento de 27 milhões de euros é o primeiro passo de um projeto que exigirá investimentos muito maiores para se concretizar. Colocar 3.400 satélites em órbita baixa demanda capacidade de lançamento, fabricação em escala e infraestrutura de controle que ainda precisam ser desenvolvidos ou contratados. A startup francesa planeja usar os recursos iniciais para construir protótipos, realizar testes de comunicação e demonstrar a viabilidade técnica do sistema antes de buscar rodadas maiores.

O mercado de internet via satélite movimenta bilhões de dólares e atrai investidores que enxergam potencial de crescimento em conectar os aproximadamente 3 bilhões de pessoas que ainda não têm acesso à rede. A SpaceX já investiu mais de US$ 10 bilhões na Starlink e a Amazon comprometeu US$ 10 bilhões no Kuiper, o que dimensiona o patamar de capital necessário para competir nesse mercado. A vantagem da startup está em atacar um nicho que os gigantes ainda não resolveram: a conexão direta ao celular sem intermediários.

Os desafios técnicos e regulatórios que a startup precisa superar

Operar 3.400 satélites a 375 km de altitude apresenta desafios que vão além do financiamento. A órbita baixa exige reposição frequente de equipamentos porque o arrasto atmosférico reduz a vida útil dos satélites, e a gestão de tráfego orbital se torna mais complexa à medida que o número de objetos nessa faixa aumenta. A coordenação com reguladores internacionais de espectro e frequência é outro obstáculo, já que a empresa precisa garantir que seus sinais não interfiram com redes terrestres de 5G e com outras constelações.

Do lado regulatório, cada país onde a startup pretende oferecer serviço precisará conceder licença de operação. A Starlink enfrentou e continua enfrentando resistência em diversos mercados, e uma empresa menor terá ainda menos poder de negociação com governos que protegem operadoras nacionais. A Europa, no entanto, tem demonstrado interesse em desenvolver alternativas próprias à dominância americana no setor espacial, o que pode facilitar o caminho regulatório para uma startup francesa que oferece soberania tecnológica ao continente.

O que essa startup representa para o futuro da internet via satélite

A entrada de um competidor europeu no mercado de internet via satélite com proposta de conexão direta ao celular sinaliza que o setor está caminhando para uma nova fase. A primeira geração de constelações como a Starlink resolveu o problema da cobertura global, mas criou uma dependência de antenas que limita a adoção em massa. A próxima geração, da qual a startup francesa quer fazer parte, promete eliminar essa barreira e tornar a internet satelital tão acessível quanto uma rede celular convencional.

Se o projeto funcionar, a consequência mais imediata é pressionar a Starlink e a Amazon a acelerarem seus próprios planos de conexão direta ao smartphone. A SpaceX já testa parcerias com a T-Mobile para oferecer cobertura satelital em celulares, mas ainda não alcançou a velocidade 5G que a startup francesa propõe. O mercado de satélites em órbita baixa está apenas começando a mostrar seu potencial, e a disputa entre europeus e americanos pode beneficiar o consumidor final com mais opções, preços menores e cobertura verdadeiramente global.

Você trocaria sua operadora de celular por uma internet 5G via satélite que funciona em qualquer lugar do planeta, ou acha que a tecnologia ainda está longe de funcionar na prática? Conte nos comentários se acredita que uma startup francesa pode competir com a Starlink e o que faria diferença para você mudar de provedor de internet.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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