Escolha da alemã TKMS foi anunciada pelo primeiro-ministro Mark Carney em Halifax, na Nova Escócia, e abre caminho para a negociação final do contrato até o fim do ano. Os submarinos Tipo 212CD substituirão a classe Victoria, considerada obsoleta, em um programa que inclui construção, manutenção, infraestrutura, armamentos e suporte de longo prazo.
O Canadá escolheu a alemã TKMS para construir sua nova frota de submarinos, a maior compra de defesa já realizada pelo país. O anúncio foi feito pelo premiê Mark Carney em 6 de julho, em Halifax.
A decisão encerrou uma disputa internacional entre a TKMS e a sul-coreana Hanwha Ocean. Com a escolha, o governo canadense abre agora a fase de negociação contratual, com conclusão esperada até o fim do ano.
A empresa alemã fornecerá submarinos Tipo 212CD, modelo já em construção para Alemanha e Noruega. As novas embarcações vão substituir a frota da classe Victoria, considerada obsoleta e próxima da aposentadoria em meados da década de 2030.
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Novos submarinos devem chegar a partir de 2033
De acordo com o interestingengineering, oprimeiro submarino da nova frota canadense está previsto para 2033. Outros três devem chegar no ano seguinte, em um cronograma pensado para evitar um vazio operacional quando os atuais submarinos Victoria forem desativados.
O valor do contrato ainda não foi informado por Carney. Mesmo assim, a estimativa apresentada para o programa completo é de cerca de US$ 70 bilhões, o equivalente a CAD 100 bilhões, ao longo de sua duração.
Esse montante envolve construção, manutenção, infraestrutura, armamentos e suporte de longo prazo. A dimensão do pacote ajuda a explicar por que a compra ganhou peso estratégico dentro da política de defesa canadense.
Com cerca de 73 metros de comprimento e deslocamento aproximado de 3.307 toneladas americanas, o Tipo 212CD foi projetado para missões prolongadas. O projeto inclui maior capacidade de carga útil e melhores condições de vida para tripulações.
TKMS venceu disputa apertada contra a Hanwha
Carney afirmou que a escolha foi difícil e apertada, envolvendo dois fornecedores altamente qualificados. Ele disse que tanto a proposta da TKMS quanto a da Hanwha atendiam aos padrões de capacidade da Marinha Real Canadense.
O primeiro-ministro também destacou que as duas empresas apresentaram propostas sólidas para ampliar benefícios a trabalhadores e empresas canadenses. No fim, a decisão buscou reunir plataforma e parceria consideradas mais adequadas aos interesses estratégicos, de segurança e econômicos do Canadá.
A Hanwha Ocean havia oferecido o submarino KSS-III. Durante a competição, a companhia sul-coreana promoveu uma campanha intensa para demonstrar a capacidade de seu projeto e reforçar sua presença no debate canadense sobre defesa.
Em maio, a Marinha da República da Coreia enviou um KSS-III a Victoria, na Colúmbia Britânica. O objetivo foi mostrar capacidades de longo alcance e participar de operações conjuntas com a Marinha Real Canadense.
Compra reforça metas da OTAN e indústria canadense
O anúncio ocorreu um dia antes da Cúpula da OTAN na Turquia. O Canadá investe atualmente 2,1% do PIB em defesa e assumiu compromisso de elevar esse percentual para 5% até 2035.
Carney afirmou que o programa fortalecerá as Forças Armadas canadenses e abrirá oportunidades para a indústria nacional. Ele também relacionou os submarinos ao fortalecimento da base industrial de defesa e ao aprofundamento de parcerias com aliados.
O CEO da TKMS, Oliver Burkhard, disse que a empresa está pronta para trabalhar com o governo canadense, a indústria local e parceiros na Alemanha e na Noruega. Para ele, a nova capacidade submarina também poderá gerar oportunidades econômicas.
A Hanwha Canada declarou estar desapontada com o resultado, mas afirmou que a competição demonstrou a força da base industrial de defesa da Coreia do Sul. A empresa disse ainda que pretende seguir ampliando laços com o Canadá.
Carney afirmou que a decisão não altera a estratégia canadense para o Indo-Pacífico. Ele disse que o país segue comprometido com a região e citou iniciativas com a Coreia voltadas à resiliência econômica e à presença em segurança.
Licitação avançou em menos de um ano
Stephen Fuhr, secretário de Estado canadense para Aquisições de Defesa, afirmou que a licitação dos submarinos foi concluída em menos de um ano. Segundo ele, trata-se de uma das aquisições de defesa mais rápidas da história do Canadá.
Fuhr reconheceu que o sistema canadense de compras militares costuma ser criticado pela lentidão. Para o governo, o programa mostra que futuras aquisições podem avançar em ritmo mais rápido.
A expectativa é que os novos submarinos entrem em serviço no período em que a classe Victoria for retirada, mantendo a capacidade submarina do país.
Por que submarinos pesam tanto na defesa
Submarinos são plataformas militares estratégicas porque operam de forma discreta, longe da observação direta de adversários, e podem permanecer em missão por longos períodos.
Em países com grande litoral e interesses em regiões marítimas distantes, esse tipo de capacidade ajuda a patrulhar áreas sensíveis, proteger rotas e apoiar operações aliadas.
A substituição de uma frota antiga também exige planejamento prolongado, porque envolve treinamento, infraestrutura, manutenção, armamentos e integração com outras forças. Por isso, programas de submarinos costumam ter alto custo e impacto industrial amplo.
As informações sobre a escolha da TKMS, o anúncio feito por Mark Carney em 6 de julho, em Halifax, o cronograma de entrega a partir de 2033, a estimativa de até US$ 70 bilhões para o programa completo e o compromisso canadense de elevar os gastos militares a 5% do PIB até 2035 foram divulgadas pelo governo do Canadá e por autoridades envolvidas no processo.
