Uma massa de ar quente de proporções gigantescas cobriu o Sul do Brasil, o Uruguai, quase toda a Argentina e avançou até setores próximos da Península Antártica, provocando raios e trovoadas em locais onde tempestades elétricas quase nunca ocorrem, como Ushuaia na Terra do Fogo, as Ilhas Malvinas onde a temperatura chegou a 20 graus e as Ilhas Geórgia do Sul que abrigam uma das maiores colônias de pinguins do planeta
Uma massa de ar quente gigantesca se estendeu do Sul do Brasil até as proximidades da Península Antártica e provocou neste domingo (29) um fenômeno extremamente raro: raios e trovoadas em regiões do extremo sul do continente onde tempestades elétricas quase nunca acontecem. O Aeroporto de Ushuaia, na Terra do Fogo, registrou chuva com trovoadas e presença de nuvens do tipo Cumulonimbus. A mesma massa de ar quente que saiu do Brasil empurrou a temperatura nas Ilhas Malvinas para 20 graus, quando o normal para esta época do ano fica entre 10 e 13 graus, e gerou raios até nas remotas Ilhas Geórgia do Sul, arquipélago que abriga uma das maiores colônias de pinguins do planeta.
Conforme MetSul, a extensão da massa de ar quente é o que torna o evento tão excepcional. Ela cobre áreas do Sul do Brasil, Uruguai, quase toda a Argentina, a região de Magallanes no Chile, a Terra do Fogo, as Ilhas Malvinas e avança até as Ilhas Geórgia do Sul, no extremo sul do Oceano Atlântico. Raios em locais tão próximos da Antártida são eventos raros porque o clima frio dessas regiões normalmente impede a formação das nuvens altas e carregadas que produzem tempestades elétricas.
Por que a massa de ar quente conseguiu chegar tão perto da Antártida
A massa de ar quente que provocou os raios no extremo sul do continente teve origem em temperaturas acima do normal no Sul do Brasil e se expandiu para o sul de forma contínua, cobrindo uma faixa enorme do continente.
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A extensão dessa massa de ar quente é incomum: ela não perdeu força ao cruzar a Argentina e continuou avançando até latitudes onde o ar normalmente é frio o ano inteiro, alcançando setores próximos da Península Antártica.
Quando a massa de ar quente encontra o ar frio que predomina nessas latitudes austrais, a diferença de temperatura cria instabilidade atmosférica. Essa instabilidade é o que gera nuvens de grande desenvolvimento vertical, capazes de produzir raios e trovoadas.
Em condições normais, o ar frio do extremo sul impede a convecção necessária para tempestades elétricas, mas a massa de ar quente vinda do Brasil forneceu calor e umidade suficientes para que nuvens Cumulonimbus se formassem mesmo em Ushuaia e nas Ilhas Malvinas.
Raios em Ushuaia e 20 graus nas Malvinas: o que a massa de ar quente causou
No começo da noite de domingo, o boletim meteorológico do Aeroporto de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, registrou chuva com trovoadas (código TSRA na aviação) com temperatura de 10 graus e presença de nuvens Cumulonimbus. Ushuaia é considerada uma das cidades mais austrais do mundo, e trovoadas ali são eventos que chamam a atenção de meteorologistas.
A massa de ar quente que veio do Brasil transformou temporariamente a atmosfera de uma região onde o tempo normal é chuva fraca e persistente com nuvens baixas, não tempestades elétricas com raios.
Nas Ilhas Malvinas, a temperatura em Mount Pleasant chegou a 20 graus, um valor que parece modesto para quem vive no Brasil mas que é extremamente elevado para o arquipélago no fim de março. As máximas normais ficam entre 10 e 13 graus nesta época. A anomalia térmica provocada pela massa de ar quente foi tão intensa que as Malvinas registraram uma temperatura quase o dobro do esperado para o período, um dado que ilustra a escala do fenômeno.
Raios nas Ilhas Geórgia do Sul: onde vivem pinguins e quase nunca há tempestades
As Ilhas Geórgia do Sul ficam no extremo sul do Oceano Atlântico e abrigam uma das maiores colônias de pinguins do planeta. O ambiente é tão frio e hostil que a fauna local é dominada por espécies adaptadas ao gelo e ao mar gelado. Vento forte a intenso e gelado sopra na maior parte do ano.
Registrar raios nesse arquipélago é algo extraordinário porque as temperaturas baixas limitam a quantidade de vapor de água na atmosfera, e sem vapor suficiente não há como formar as nuvens altas que produzem descargas elétricas.
Mapas de descargas elétricas do começo da noite de domingo mostraram raios no extremo sul do continente e nas próprias Ilhas Geórgia do Sul.
A massa de ar quente que partiu do Brasil conseguiu empurrar calor e umidade até latitudes onde pinguins vivem em colônias de centenas de milhares de indivíduos e onde o clima normalmente torna tempestades elétricas praticamente impossíveis.
O evento demonstra o alcance e a intensidade de anomalias térmicas que podem atravessar continentes inteiros.
Por que raios são tão raros perto da Antártida e o que esse evento significa
Raios dependem de nuvens de grande desenvolvimento vertical, formadas em ambientes com calor e umidade. Nas regiões austrais próximas da Antártida, as temperaturas baixas limitam o vapor de água disponível, e as nuvens tendem a ser baixas e estratiformes, produzindo chuva fraca e contínua.
A baixa incidência de radiação solar ao longo do ano também reduz o aquecimento da superfície, o que enfraquece a convecção, o processo essencial para a separação de cargas elétricas dentro das nuvens que gera raios.
Quando uma massa de ar quente gigantesca como a que saiu do Brasil alcança essas latitudes, ela fornece temporariamente o calor e a umidade que faltam para que nuvens convectivas se formem.
O resultado são trovoadas e raios em locais onde a população local e os cientistas que estudam a região podem passar anos sem presenciar uma única tempestade elétrica.
O evento é um indicador de como anomalias térmicas de grande escala podem alterar temporariamente o comportamento atmosférico de regiões inteiras do planeta.
Do Brasil à terra dos pinguins: quando o calor vai longe demais
Uma massa de ar quente saiu do Sul do Brasil, cruzou o Uruguai e a Argentina inteira e chegou às portas da Antártida, provocando raios em Ushuaia, 20 graus nas Ilhas Malvinas e trovoadas nas Ilhas Geórgia do Sul, onde pinguins vivem em colônias imensas e tempestades elétricas são praticamente desconhecidas.
O evento é raro, impressionante e demonstra que uma massa de ar quente com extensão suficiente pode alterar temporariamente o clima de regiões que ficam entre as mais frias e remotas do planeta.
Você imaginava que uma massa de ar quente do Brasil poderia causar raios perto da Antártida? Acha que eventos como esse vão se tornar mais frequentes com as mudanças climáticas? Já viu algum fenômeno meteorológico raro na sua região? Deixe nos comentários e compartilhe este artigo com quem se fascina por clima e meteorologia.

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