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Uma empresa perfurou mais de 5 quilômetros de granito na Inglaterra e encontrou água acima de 190°C; agora ligou a primeira usina geotérmica do Reino Unido e começou a produzir lítio comercialmente

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 26/04/2026 às 17:37 Atualizado em 26/04/2026 às 20:21
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Usina geotérmica inédita no Reino Unido gera energia contínua e extrai lítio de rochas profundas na Cornualha, marcando avanço na transição energética.
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Perfuração profunda em granito britânico revela calor extremo e abre caminho simultâneo para geração contínua de energia e extração de lítio estratégico em projeto inédito na Cornualha, combinando eletricidade renovável estável com produção mineral essencial para baterias.

Após décadas de planejamento e testes, a Geothermal Engineering Ltd colocou em operação, em United Downs, na Cornualha, a primeira usina geotérmica do Reino Unido, iniciando também a produção comercial de carbonato de lítio a partir dos mesmos fluidos extraídos do subsolo.

A geração elétrica começou em 26 de fevereiro de 2026, resultado de uma perfuração que ultrapassou 5 quilômetros de profundidade em formações graníticas no sudoeste da Inglaterra, considerada uma das regiões mais promissoras do país para geotermia profunda.

Diretamente desse reservatório subterrâneo, a água retorna à superfície com temperaturas superiores a 190°C, condição essencial para viabilizar tanto a produção de energia quanto a extração mineral integrada no mesmo sistema industrial.

Energia geotérmica no Reino Unido avança com geração contínua

Usina geotérmica inédita no Reino Unido gera energia contínua e extrai lítio de rochas profundas na Cornualha, marcando avanço na transição energética.
Usina geotérmica inédita no Reino Unido gera energia contínua e extrai lítio de rochas profundas na Cornualha, marcando avanço na transição energética.

Com contrato de longo prazo firmado com a Octopus Energy, a planta foi projetada para fornecer pelo menos 3 megawatts de energia contínua, capacidade estimada para atender cerca de 10 mil residências, segundo dados divulgados pela própria empresa responsável pelo projeto.

Diferentemente de fontes intermitentes, como solar e eólica, a operação funciona de forma ininterrupta, garantindo fornecimento estável ao longo das 24 horas do dia, independentemente de condições climáticas ou variações sazonais.

Extração de lítio a partir de salmoura geotérmica

Além da geração elétrica, o projeto se destaca por integrar a recuperação de minerais estratégicos, aproveitando o mesmo fluxo de água quente que circula no sistema geotérmico para extrair lítio dissolvido na salmoura subterrânea.

Antes de ser reinjetado no subsolo, o fluido passa por um processo de separação que permite recuperar o mineral, ampliando o potencial econômico da operação sem necessidade de novas frentes de extração independentes.

De acordo com a Geothermal Engineering Ltd, a concentração supera 340 partes por milhão de equivalente de carbonato de lítio, nível considerado elevado dentro dos padrões desse tipo de exploração.

Inicialmente, a capacidade anunciada é de 100 toneladas anuais de carbonato de lítio, volume que pode crescer significativamente conforme novos projetos sejam desenvolvidos na mesma região.

A empresa projeta expansão para mais de 18 mil toneladas por ano na próxima década, embora esse avanço dependa de fatores como investimento, licenciamento e evolução tecnológica das unidades futuras.

Usina geotérmica inédita no Reino Unido gera energia contínua e extrai lítio de rochas profundas na Cornualha, marcando avanço na transição energética.
Usina geotérmica inédita no Reino Unido gera energia contínua e extrai lítio de rochas profundas na Cornualha, marcando avanço na transição energética.

Cornualha e o potencial geológico para geotermia profunda

Historicamente marcada pela mineração de estanho e cobre, a Cornualha reúne características geológicas que favorecem a exploração geotérmica, incluindo presença de granito quente, falhas naturais e fluxo térmico acima da média observada no território britânico.

Nesse contexto, a água circula por fraturas profundas aquecidas pela crosta terrestre, retorna à superfície em alta temperatura e transfere calor para um sistema binário capaz de converter essa energia térmica em eletricidade.

Para isso, utiliza-se um fluido secundário com ponto de ebulição mais baixo, que se vaporiza ao receber calor e movimenta as turbinas responsáveis pela geração elétrica contínua.

Após cumprir essa função dupla, tanto energética quanto mineral, o fluido geotérmico é reinjetado no reservatório, mantendo o equilíbrio do sistema e reduzindo impactos ambientais na superfície.

Marco energético e industrial para o Reino Unido

Embora o país tenha tradição em engenharia subterrânea e exploração mineral, a geração elétrica geotérmica permaneceu por décadas em estágio experimental, cenário que começa a mudar com a entrada em operação de United Downs.

Ao longo de quase vinte anos de desenvolvimento, o projeto consolidou um modelo que combina inovação tecnológica com aproveitamento de recursos naturais já conhecidos, mas pouco explorados até então.

Nesse contexto, o lítio assume papel estratégico, já que é essencial para baterias de veículos elétricos e sistemas de armazenamento, áreas consideradas centrais para a transição energética e industrial.

Além disso, a capacidade de fornecer energia firme e previsível fortalece a relevância da geotermia dentro de um sistema elétrico cada vez mais dependente de fontes renováveis intermitentes.

Mineração integrada e impacto de superfície reduzido

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Ao aproveitar fluidos já extraídos para geração elétrica, a produção de lítio associada à geotermia tende a ocupar menos espaço na superfície quando comparada a métodos tradicionais de mineração ou evaporação de salmouras.

Mesmo assim, a viabilidade econômica continua condicionada a fatores técnicos, como composição química do fluido, eficiência dos processos de extração e custos operacionais ao longo do ciclo produtivo.

Dentro desse modelo, a integração entre energia e mineração permite diluir investimentos em infraestrutura, já que poços, tubulações e plantas industriais atendem simultaneamente a duas cadeias produtivas distintas.

Apesar desse potencial, a expansão em larga escala ainda depende da abertura de novos poços, aprovação regulatória e estabilidade do mercado global de lítio, que influencia diretamente a atratividade econômica do projeto.

Novo papel da Cornualha na transição energética

Com a usina em funcionamento, a Cornualha passa a ocupar uma posição estratégica na transição energética britânica, resgatando sua vocação mineral sob uma nova lógica associada à eletrificação e à sustentabilidade.

Ao mesmo tempo, o projeto evidencia como formações geológicas profundas podem se transformar em ativos relevantes quando combinadas com tecnologia de perfuração avançada e soluções industriais integradas.

Nesse cenário, o mesmo poço que acessa calor nas profundezas também viabiliza a recuperação de insumos essenciais para baterias, conectando diretamente energia renovável e cadeia de materiais críticos.

Ainda em escala inicial, United Downs estabelece uma referência concreta para o país ao demonstrar que é possível produzir eletricidade geotérmica e lítio de forma integrada dentro de um único empreendimento industrial.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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