Uma varredura geofísica em Machrie Moor revelou marcas circulares sob a turfa escocesa e reacendeu o interesse sobre antigas estruturas cerimoniais associadas ao Neolítico e à Idade do Bronze na Ilha de Arran.
Arqueólogos identificaram no subsolo de Machrie Moor, na Ilha de Arran, no oeste da Escócia, vestígios de um possível novo círculo pré-histórico formado por 12 marcas circulares enterradas.
A descoberta foi divulgada em 30 de junho de 2026 pelo Historic Environment Scotland, órgão responsável por pesquisar, registrar e proteger o patrimônio histórico escocês, depois que uma varredura geofísica revelou sinais que não podiam ser percebidos a olho nu.
Machrie Moor já reúne um dos principais conjuntos arqueológicos da Escócia, segundo o Historic Environment Scotland.
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A paisagem abriga círculos de pedras, monólitos, cairns funerários e cistas associados ao Neolítico e à Idade do Bronze, em um período estimado entre 3500 a.C. e 1500 a.C..
A nova estrutura estava encoberta pela camada de turfa.
Conforme o órgão escocês, a equipe liderada pelo arqueólogo Nick Hannon encontrou 12 anomalias semelhantes a fossas.
Quando analisadas em conjunto, essas marcas formam um círculo, com espaçamentos que podem indicar a existência de outros dois pontos no arranjo original.
A comparação com monumentos como Stonehenge ocorre pelo formato circular e pelo possível contexto ritual associado à paisagem arqueológica.
Ainda assim, os especialistas tratam o achado como um possível círculo de pedra ou de madeira, já que nenhuma escavação confirmou a composição completa da estrutura.
Sensores revelaram marcas ocultas no subsolo de Machrie Moor
A descoberta não ocorreu por meio de escavação tradicional.
Os arqueólogos utilizaram equipamentos de prospecção geofísica para rastrear alterações no solo, tecnologia capaz de detectar diferenças magnéticas e outras anomalias que podem estar relacionadas a pedras, madeira, metais ou intervenções humanas antigas.
Em Machrie Moor, os sinais surgiram em um trecho onde não havia estrutura visível na superfície.
Como as marcas não apresentaram pedras em seu interior, os pesquisadores consideram a hipótese de que o círculo tenha sido formado por postes de madeira ou por pedras removidas em algum momento ainda não determinado.
Esse método tem sido usado em áreas arqueológicas sensíveis porque permite investigar o subsolo antes de qualquer intervenção direta.
Em locais com vestígios frágeis, a prospecção ajuda a mapear pontos de interesse e reduz o risco de dano a informações preservadas por longos períodos.

Nick Hannon, gerente sênior de registro patrimonial do Historic Environment Scotland, afirmou que a equipe ficou “tremendamente animada” com a descoberta.
De acordo com ele, os arqueólogos já sabiam que Machrie Moor ainda guardava materiais a serem identificados, mas encontrar um novo círculo “superou completamente” as expectativas.
O pesquisador também disse que as ferramentas usadas para estudar o subsolo estão em constante desenvolvimento.
Segundo Hannon, esses recursos permitem ampliar o conhecimento sobre a história enterrada sem perturbar a terra e sem comprometer possíveis restos arqueológicos.
Sítio pré-histórico reúne rituais, sepultamentos e alinhamento solar
Machrie Moor fica perto de Blackwaterfoot, na Ilha de Arran, e concentra vestígios associados a atividades domésticas, rituais e funerárias de comunidades que viveram na região há milhares de anos.
O local é conhecido por seis círculos de pedra identificados como círculos 1, 2, 3, 4, 5 e 11.
Pesquisas anteriores indicaram que alguns desses círculos de pedra foram precedidos por estruturas de madeira nas mesmas posições.
Essa sequência sugere que parte da paisagem cerimonial passou por transformações ao longo do tempo, com possíveis substituições de postes por pedras em diferentes fases de ocupação.
Os círculos já conhecidos foram associados por arqueólogos a práticas rituais e cerimoniais de agricultores do Neolítico e da Idade do Bronze.
Em períodos posteriores, essas áreas também receberam sepultamentos, incluindo cremações e inumações, segundo informações do Historic Environment Scotland.

Outro elemento estudado é a relação entre os monumentos e a paisagem ao redor.
De acordo com o órgão escocês, os círculos se alinham a uma abertura marcante no alto de Machrie Glen, ponto onde o nascer do sol no solstício de verão teria sido visível.
Essa característica é interpretada por especialistas como um possível indício de que observações solares fizeram parte das cerimônias realizadas no local.
No caso do novo círculo, porém, os arqueólogos ainda não afirmam que ele teve a mesma função dos demais monumentos.
A hipótese de uso ritual é considerada plausível porque a estrutura aparece no mesmo contexto arqueológico de Machrie Moor.
A confirmação, no entanto, depende de novas etapas de pesquisa, já que a prospecção geofísica identifica anomalias, mas não substitui análises mais detalhadas sobre datação, materiais e função.
Estrutura pode ter cerca de 28 metros de diâmetro
Reportagem da Live Science, com base no relatório da pesquisa, informou que o anel detectado tem aproximadamente 28 metros de diâmetro e que as marcas circulares aparecem espaçadas em torno de 6,5 metros.
A publicação também apontou que duas lacunas maiores podem corresponder a locais onde existiram outros dois postes ou pedras, o que elevaria o total original para 14 elementos.
Esses dados indicam que as marcas podem fazer parte de uma estrutura planejada, e não de alterações isoladas no terreno.
Ainda assim, como o monumento não foi escavado, os pesquisadores evitam conclusões definitivas sobre os materiais usados e sobre a finalidade do círculo.
A descoberta acrescenta um novo elemento ao estudo de Machrie Moor, área já associada a atividades rituais, funerárias e domésticas em diferentes períodos da pré-história.
Para os arqueólogos, o novo conjunto de marcas pode ajudar a compreender como as comunidades antigas organizavam seus espaços cerimoniais.
O caso também mostra que áreas estudadas há décadas podem preservar estruturas não identificadas na superfície.
Com o uso de tecnologias de levantamento remoto, equipes de pesquisa conseguem localizar vestígios enterrados que não aparecem em inspeções visuais tradicionais.

Achado amplia estudo sobre a paisagem pré-histórica da Ilha de Arran
A relevância do novo círculo, segundo especialistas, está na possibilidade de ampliar a leitura sobre a organização da paisagem pré-histórica da Ilha de Arran.
Em vez de analisar apenas monumentos isolados, os pesquisadores observam como círculos, sepultamentos e alinhamentos naturais podem ter formado um conjunto usado por diferentes gerações.
Machrie Moor preserva, em uma mesma área, círculos de pedra, possíveis estruturas de madeira, monumentos funerários e indícios de alinhamento com fenômenos solares.
Para a arqueologia escocesa, essa combinação permite estudar mudanças na ocupação do território ao longo do Neolítico e da Idade do Bronze.
A identificação sem escavação também se relaciona a uma mudança de método em sítios sensíveis.
Antes de abrir o solo, pesquisadores podem mapear anomalias, comparar padrões e definir quais áreas exigem investigação posterior, com menor risco de interferir em materiais ainda preservados.
Segundo Hannon, descobertas como essa explicam a importância do trabalho de registro patrimonial.
O pesquisador afirmou que a equipe busca proteger a herança da Escócia e, ao mesmo tempo, revelar novas informações sobre o passado.
Até o momento, a informação confirmada é que sensores detectaram um círculo até então invisível sob Machrie Moor, em uma região que já concentrava vestígios pré-históricos relevantes da Ilha de Arran.
A próxima etapa para a pesquisa será definir, com base em novos estudos, quando a estrutura foi construída, quais materiais foram usados e como ela se relacionava com os demais monumentos do sítio.
