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Uma cidade de Minas construída dentro de um vulcão extinto jorra águas termais a 45 °C que atraem visitantes desde o Brasil Império, exibe alto IDH e surpreende com um Cristo Redentor no topo da serra

Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 24/01/2026 às 13:22
Assista o vídeoCidade de Poços de Caldas construída dentro de um vulcão extinto, com águas termais e Cristo Redentor ao fundo.
Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, foi construída dentro da cratera de um vulcão extinto e é famosa por suas águas termais a 45 °C. Créditos: Imagem ilustrativa criada por IA – uso editorial.
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Construída dentro da cratera de um vulcão extinto, a cidade mineira combina águas sulfurosas terapêuticas, legado histórico do Brasil Império, alto índice de desenvolvimento humano e paisagens que misturam ciência, turismo e espiritualidade

Poços de Caldas, localizada no Sul de Minas Gerais, a cerca de 460 quilômetros de Belo Horizonte e 260 quilômetros de São Paulo, é uma das cidades mais singulares do Brasil. Diferentemente de outros destinos turísticos tradicionais, o município foi literalmente construído dentro da caldeira de um vulcão extinto, uma característica geológica rara que moldou sua história, sua economia e até mesmo o estilo de vida local.

Essa formação vulcânica favoreceu o surgimento de águas sulfurosas naturalmente aquecidas a cerca de 45 °C, que brotam do solo e são utilizadas há mais de um século para fins terapêuticos. Desde o Brasil Império, essas águas atraem visitantes em busca de cura, descanso e bem-estar, consolidando Poços de Caldas como uma das mais tradicionais estâncias hidrominerais do país.

A informação foi divulgada pelo Correio Braziliense, na editoria Radar, e reforçada por dados históricos, turísticos e estatísticos que mostram como a cidade soube transformar um fenômeno natural em vetor de desenvolvimento humano e econômico ao longo das décadas.

Como o turismo termal e a geologia moldaram um dos maiores IDHs do interior do Brasil

Imagem: Divulgação/Prefeitura de Poços de Caldas

Ao longo do tempo, Poços de Caldas conseguiu ir além do turismo de saúde. A cidade soube aproveitar sua base geológica e econômica para construir uma rede sólida de serviços públicos, infraestrutura urbana e qualidade de vida. Como resultado, apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,779, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um dos mais elevados entre os municípios do interior brasileiro.

Além disso, a exploração histórica de bauxita, mineral essencial para a produção de alumínio, contribuiu para o fortalecimento da economia local. Esse equilíbrio entre atividade industrial, turismo e planejamento urbano permitiu que o município investisse de forma consistente em educação, saúde e segurança, refletindo diretamente na longevidade e no bem-estar da população.

Por outro lado, caminhar pelas ruas de Poços de Caldas é perceber um urbanismo elegante, com praças bem cuidadas, parques arborizados e um calendário cultural ativo. Mesmo após o fim da era dos cassinos, a cidade preservou uma atmosfera cosmopolita, mantendo viva a herança arquitetônica e cultural do início do século XX, enquanto se modernizava para atender moradores e visitantes.

Cristais artesanais, tradição europeia e turismo cultural no coração de Minas Gerais

Além das águas termais, Poços de Caldas abriga uma tradição artesanal que atravessou oceanos. Famílias de mestres vidreiros italianos, responsáveis por fundar empresas como Cristais Cá d’Oro e Cristais São Marcos, trouxeram para a cidade as técnicas originais da Ilha de Murano, em Veneza.

Embora não se trate de uma simples reprodução, os cristais produzidos em Poços de Caldas seguem o mesmo método tradicional europeu: vidro soprado manualmente, moldado ainda incandescente com extrema precisão e habilidade. Atualmente, essas peças são exportadas para diversos países e consideradas verdadeiras joias do artesanato brasileiro.

Para o turista, a experiência vai além da compra. É possível visitar o “chão de fábrica”, observar o processo artesanal e entender por que os cristais locais se tornaram um dos souvenirs mais sofisticados da região. Essa fusão entre técnica europeia e identidade mineira reforça o caráter cultural único da cidade.

Thermas Antônio Carlos, Cristo Redentor e paisagens moldadas pela antiga atividade vulcânica

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Entre os símbolos mais marcantes de Poços de Caldas está o edifício das Thermas Antônio Carlos, inaugurado em 1931. Construído em estilo neorromano, o espaço é mais do que um monumento histórico: funciona até hoje como um centro de tratamentos terapêuticos que utilizam a água sulfurosa local.

Banhos de imersão, saunas e massagens fazem parte da experiência, permitindo que visitantes relaxem nas mesmas banheiras de mármore que já receberam presidentes, aristocratas e figuras históricas. Trata-se de um raro exemplo de spa histórico acessível, onde passado e bem-estar coexistem.

No entanto, a geografia vulcânica também oferece paisagens impressionantes. O Cristo Redentor, localizado no topo da Serra de São Domingos, pode ser acessado por um teleférico que cruza a cidade e proporciona vistas panorâmicas da mancha urbana e da vegetação nativa. Esse contraste entre natureza, fé e urbanização é um dos cartões-postais mais inesperados do Sul de Minas.

Outros pontos reforçam essa conexão com o meio natural, como o Recanto Japonês, a Cascata das Antas, a Fonte dos Amores — com escultura em mármore do artista italiano Giulio Starace — e a Pedra Balão, formação rochosa típica de origem vulcânica que permite observação privilegiada da região.

Clima de montanha, noites frias e o contraste perfeito com águas a 45 °C

Situada a uma altitude média de 1.300 metros, Poços de Caldas apresenta um clima tropical de altitude, com noites frescas mesmo durante o verão. Esse fator climático reforça o charme da cidade e cria um contraste marcante com o calor das águas termais.

Segundo médias climatológicas históricas do Climatempo, as temperaturas variam conforme a estação:

  • Verão (dezembro a março): entre 18 °C e 28 °C, com chuvas que mantêm cachoeiras cheias e vegetação exuberante.
  • Outono (abril a junho): de 12 °C a 24 °C, período de clima seco e céu limpo, ideal para caminhadas.
  • Inverno (julho a agosto): mínima de 8 °C e máxima de 22 °C, cenário propício para vinhos, fondues e banhos termais.

Essa combinação climática transforma a cidade em um destino atrativo durante todo o ano, seja para descanso, turismo cultural ou qualidade de vida.

Poços de Caldas sintetiza uma rara equação brasileira: cura pelas águas, arte do vidro, história imperial, paisagens vulcânicas e alto padrão de vida. Escolher o destino é experimentar um banho de imersão terapêutico, adquirir um cristal artesanal diretamente do artesão, provar doces típicos mineiros e compreender como ciência, natureza e cultura podem coexistir de forma harmoniosa.

Fonte: Correio Brazilienze

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