Uma casa pré-fabricada chinesa, montada em poucas horas por cerca de 12.500 dólares australianos, conquistou moradores da Austrália cansados de orçamentos acima de 100 mil dólares. O caso ilustra a expansão global da construção modular da China, puxada por empresas como a Broad Group, que ergue prédios em poucos dias.
Uma casa pré-fabricada chinesa, capaz de se desdobrar e ficar pronta em poucas horas, virou febre entre moradores da Austrália. Foi o que aconteceu com Anna, uma chinesa que mora em Perth: ao pesquisar uma edícula para o quintal, ela se deparou com um vídeo de uma casa branca e dobrável sendo aberta por quatro operários até virar um imóvel completo de 70 metros quadrados.
O motivo do encantamento é simples: a casa custava apenas 12.500 dólares australianos, cerca de 8.957 dólares americanos, enquanto as construtoras locais pediam mais de 100 mil dólares australianos e ainda exigiam seis meses só para começar a obra. O caso de Anna é um retrato de como a construção modular da China avança pelo mundo.
Por que a casa pré-fabricada chinesa seduz a Austrália e o mundo

Segundo o portal Xinhua, para Anna, a conta foi fácil de fazer. Ela resumiu que a casa pré-fabricada chinesa é rápida e econômica, e que é difícil não se sentir atraída por ela. Diante de um orçamento local mais de oito vezes maior e de uma fila de seis meses, a opção importada da China se tornou irresistível, especialmente para quem precisa de uma solução de moradia simples e imediata na Austrália.
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E ela não está sozinha. Numa feira de imóveis realizada em maio em Guangzhou, no sul da China, o corretor russo Mark, com anos de experiência importando móveis chineses, buscava unidades modulares para seus clientes. Modelos em formato de cápsula espacial ou de cabana fazem sucesso em pontos turísticos da Rússia, onde viram atração para fotos. A demanda, segundo observadores, é puxada nos países ricos pelo alto custo de mão de obra e materiais e pela escassez de moradia, e nos países em desenvolvimento pela falta de cadeias industriais estáveis e de mão de obra qualificada.
Exportações em alta: os números da construção modular da China
Os dados mostram o tamanho do fenômeno. As exportações chinesas de construções pré-fabricadas saltaram de 1,47 bilhão de dólares em 2015 para cerca de 4,34 bilhões de dólares em 2025. Só no primeiro trimestre de 2026, o valor cresceu 45% na comparação anual, segundo a Administração Geral de Alfândegas da China. Os principais destinos são Estados Unidos, Indonésia, Malásia, Rússia e Austrália.
O ritmo deve continuar. Para Qin Zhanxue, presidente da Associação Chinesa de Circulação de Materiais de Construção, o mercado de pré-fabricados do país cresce rapidamente e deve ter, em 2026, uma taxa de crescimento anual composta acima de 15%, impulsionada por políticas públicas, demanda e tecnologia. Segundo ele, o setor migra das antigas estruturas temporárias para soluções de alto desempenho, inteligentes e sustentáveis, o que reforça a aposta na construção modular como modelo de futuro.
O prédio erguido em nove dias e a tecnologia da Broad Group
O exemplo mais impressionante veio das Filipinas. Em outubro de 2024, um prédio de 12 andares com 24 apartamentos de dois quartos, já com ar-condicionado e purificadores embutidos, foi erguido na ilha de Mindanao em apenas nove dias, contra os 12 a 18 meses de uma obra tradicional. A estrutura foi construída pela Broad Group, dentro de sua linha de edifícios Holon, com peças modulares que se encaixam como blocos de Lego.
O segredo está na industrialização. Li Shun, vice-gerente geral da subsidiária Holon da Broad Group, afirma que 95% do trabalho é feito em fábrica, na China, restando só 5% para a montagem no local. A empresa investiu mais de 1 bilhão de dólares ao longo de uma década e desenvolveu a laje B-core, feita de duas placas de aço inoxidável com tubos finos no núcleo. O material aumenta a resistência a terremotos e tufões, promete vida útil 20 vezes maior que a do concreto armado e reduziria as emissões de carbono em 80% a 90%.
Apoio do governo e os planos para o futuro
A escalada da casa pré-fabricada chinesa também se apoia no Estado. Em outubro de 2025, quando a Broad Group enviou componentes para um projeto nos Emirados Árabes Unidos, a alfândega de Yueyang, na província de Hunan, montou um plano sob medida que cortou mais de 10 dias de processamento e cerca de 440 dólares por contêiner. Cidades como Xangai, Pequim, Guangdong e Shanxi também criaram políticas de incentivo, alinhadas às metas de transição verde do 15º Plano Quinquenal chinês, que vai de 2026 a 2030.
Olhando adiante, a ambição é grande: a Broad Group planeja erguer um edifício Holon de 258 andares e 1.037 metros de altura em uma cidade turística no exterior até 2027, com projeto e testes em túnel de vento já concluídos. Ainda assim, vale o equilíbrio. Trata-se de um setor em rápida expansão e com forte apoio do governo da China, mas a aceitação regulatória e a durabilidade dessas construções fora do país ainda serão testadas em larga escala, fator decisivo para saber se a construção modular vai mesmo se firmar como padrão global.
Casas que chegam dobradas e ficam prontas em horas, por uma fração do preço, já são realidade da Austrália às Filipinas.
Conte nos comentários se você moraria em uma casa pré-fabricada chinesa ou se ainda confia mais na construção tradicional.

