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Uma casa de 48 metros quadrados montada em horas com 4 mil tijolos feitos de plástico reciclado que não pega umidade, tem isolamento térmico natural e custa menos de 90 mil reais em kit completo

Publicado em 02/04/2026 às 22:48
Atualizado em 02/04/2026 às 22:52
Assista o vídeoCasa popular de plástico reciclado com isolamento térmico, montada em horas e vendida em kit completo por menos de R$ 90 mil. Veja como funciona o sistema.
Casa popular de plástico reciclado com isolamento térmico, montada em horas e vendida em kit completo por menos de R$ 90 mil. Veja como funciona o sistema.
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Uma casa de 48 metros quadrados que sai do chão em questão de horas parece promessa de vídeo na internet até você conhecer de perto o sistema construtivo que a Fuplastic desenvolveu em Cotia, interior de São Paulo. De acordo com o Canal Entre Pra Morar, a empresa transforma plástico reciclado em blocos de encaixe que funcionam como um Lego gigante e, com 4 mil desses tijolos, entrega uma casa popular completa em kit por menos de R$ 90 mil.

O que mais chama atenção não é só a velocidade de montagem ou o preço. É o fato de que essa casa não pega umidade, tem isolamento térmico natural criado pelo próprio design dos blocos e pode ser revestida como qualquer construção convencional com porcelanato, gesso, textura ou madeira. O sistema já saiu do protótipo e está sendo usado em casas de alto padrão, aviários industriais e até obras de infraestrutura subterrânea.

De onde veio a ideia de construir uma casa com plástico reciclado

A história começa com um brinquedo. O criador Bruno Frederico do sistema conta que estava nos Estados Unidos com as filhas quando comprou um Lego de R$ 8 e disse que transformaria aquele encaixe em milhões. Um mês depois, ele fechou a maior obra solar do país usando blocos inspirados naquele brinquedo. O molde do primeiro bloco custou R$ 35 mil hoje, os moldes da Fuplastic passam de R$ 1 milhão cada.

O conceito por trás da casa de plástico reciclado é direto: pegar o lixo que todo mundo joga fora e transformá-lo em produto de engenharia.

A matéria-prima vem de cooperativas e ONGs como a Tampinhas que Curam que coletam plástico e recebem renda por isso. O material é triturado, aquecido a mais de 200 graus e injetado em moldes que produzem blocos com precisão industrial.

O bloco preto, por exemplo, é o mais barato porque mistura todas as cores de plástico, e é o mais indicado para construções que receberão revestimento externo.

Como funciona a montagem de uma casa em poucas horas

casa de 48 metros quadrados.

O kit de uma casa popular de 48 metros quadrados chega à obra com tudo: blocos, portas, janelas, perfis metálicos, requadros e caixilhos.

A estrutura da casa é montada sobre um radier de concreto, com perfis galvanizados parafusados na base que recebem os tirantes de aço barras que atravessam os blocos de baixo até o teto, travando tudo sob pressão.

O sistema é chamado de atirantado. A cada 50 ou 60 centímetros, uma barra de aço sobe pelo interior dos blocos e prende a estrutura como um grande monobloco.

Os tijolos de plástico reciclado se encaixam uns sobre os outros num sistema de travamento intertravado, sem argamassa, e a montagem da casa inteira leva de 3 a 4 horas.

A parte elétrica passa por dentro dos blocos e é instalada antes do fechamento. Dois dias depois da chegada do kit, a casa está pronta para receber acabamento.

Por que essa casa não pega umidade e tem isolamento térmico

Esse é o ponto que mais surpreende quem visita uma casa construída com esses blocos. O plástico reciclado simplesmente não absorve água, ao contrário da alvenaria convencional, que puxa umidade do solo e do ar e transfere para dentro dos ambientes.

Numa casa de praia, por exemplo, isso significa zero mofo e nenhum cheiro de úmido mesmo em regiões litorâneas com alta umidade relativa.

O isolamento térmico vem do próprio design dos blocos. Cada tijolo tem furos internos por onde passam os tirantes, e esses espaços vazios criam bolsas de ar.

Quando o sol bate na parede externa da casa, o ar dentro dos blocos aquece, sobe e escapa por cima como uma chaminé natural é um sistema de exaustão passiva que não precisa de energia elétrica. O resultado é uma casa que fica fresca por dentro mesmo com calor forte do lado de fora.

Nos aviários construídos com o mesmo sistema ambientes que exigem controle rigoroso de temperatura os blocos de plástico reciclado apresentam o melhor desempenho, eliminando inclusive custos de aquecimento no inverno.

Quanto custa construir uma casa com esse sistema

O kit da casa popular de 48 metros quadrados dois quartos, sala, cozinha, banheiro e lavanderia sai por menos de R$ 90 mil.

Esse valor inclui todos os blocos, portas, janelas, perfis metálicos e estrutura completa. O acabamento (piso, pintura, revestimentos) fica por conta de cada construtora ou proprietário, como em qualquer obra.

Essa casa de 180 metros quadrados foi construída em apenas 15 dias.

Para quem quer uma casa de alto padrão, a Fuplastic também entrega o projeto construído. Uma casa de 180 metros quadrados com duas suítes foi finalizada em 15 dias, e uma de 450 metros quadrados num terreno de 1.500 metros quadrados ficou pronta em 30 dias úteis obra que, em método convencional, levaria de 1 a 2 anos.

O custo médio da casa de alto padrão, 100% finalizada com acabamento completo, gira em torno de R$ 5 mil por metro quadrado. A empresa manda equipe própria para a montagem e entrega a casa habitável.

O que pode ser feito com os blocos além de uma casa

O sistema já extrapolou o uso residencial. A Fuplastic fabrica caixas de passagem subterrâneas para redes elétricas, de esgoto e dados que são até 4.000% mais eficientes em logística que as equivalentes de concreto onde cabem 2 caixas de concreto num caminhão, cabem 50 das caixas desmontáveis de plástico reciclado. Esses kits já estão sendo exportados, inclusive para o Chile.

Dentro de uma casa, os blocos também viram mobiliário. A empresa desenvolveu um MDF feito de plástico reciclado placas de 18 milímetros que servem para closets, bancadas e armários.

O closet feito com essas placas nunca vai embolorar, porque o material simplesmente não absorve umidade.

Há ainda revestimentos que imitam mármore, paredes de contenção para lagos e piscinas, e contêineres modulares que funcionam como canteiros de obra tudo feito com o mesmo plástico reciclado que, sem esse destino, estaria em aterros sanitários.

O impacto social por trás de cada casa de plástico reciclado

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Cada bloco que vira uma casa carrega uma cadeia de impacto que começa nas cooperativas e ONGs de reciclagem. A Fuplastic compra o plástico de organizações como a Tampinhas que Curam, gerando renda direta para comunidades que vivem da coleta de materiais recicláveis.

O lixo que sairia de residências para aterros é ressignificado em produto de engenharia com qualidade comprovada.

A empresa opera três plantas industriais em Cotia, somando mais de 43 mil metros quadrados de área fabril. Da trituração ao bloco pronto, o processo todo acontece ali e o ciclo se fecha quando uma casa de plástico reciclado é montada em horas no terreno de alguém que, muitas vezes, esperaria anos por uma moradia convencional.

Para quem quiser ver o sistema de perto, a Fuplastic estará na Feicon, a maior feira de construção do Brasil, entre os dias 7 e 10 de abril em São Paulo, com uma casa modelo completa montada no estande.

Você moraria numa casa feita de plástico reciclado? O que mais te surpreendeu nesse sistema construtivo? Conta nos comentários.

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Aldo Fernandes Santos
Aldo Fernandes Santos
04/04/2026 16:30

Achei a ideia espetacular e muito passível de ser utilizado em programas sociais no Brasil.

Zenilda
Zenilda
03/04/2026 16:58

Reaproveitamento! Menos lixo mais moradias!

George Quintas
George Quintas
03/04/2026 11:48

Os governos federal estaduais e municipais bem que poderiam usar essas tecnologias e soluções econômicas para destravar a carência de moradias urbana, mas daí não vai sustentar a corrupção e políticas eleitoreiras… 2026EleiçõesNelesJá

Nelson Umbria
Nelson Umbria
Em resposta a  George Quintas
04/04/2026 09:56

Já existem representantes em outros estados?

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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