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Uma assinatura no Brasil pode virar o tabuleiro global do urânio em 2026, porque o país aparece com grandes reservas e produção modesta, tem só uma mina ativa, e espera um decreto que libere parcerias privadas para abastecer Angra 1 e Angra 2

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 17/02/2026 às 21:47
Atualizado em 17/02/2026 às 21:49
urânio, decreto e parcerias entram no centro do debate: o Brasil tenta destravar a cadeia para abastecer Angra 1 e Angra 2 em 2026.
urânio, decreto e parcerias entram no centro do debate: o Brasil tenta destravar a cadeia para abastecer Angra 1 e Angra 2 em 2026.
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O urânio brasileiro tem reserva conhecida, mas segue travado por monopólio e falta de decreto, mesmo após a Lei 14.514/2022 autorizar parcerias pela INB. Com só uma mina ativa e produção em 14º lugar, o país aposta em 2026 para abastecer Angra 1 e Angra 2, sob pressão global crescente

O urânio entrou de novo na conversa estratégica do Brasil em 2026 por um motivo simples e incômodo: há indicação de grandes reservas, mas a produção continua modesta, limitada a uma única mina ativa e a um modelo que depende de uma assinatura presidencial para destravar parcerias.

O debate deixou de ser apenas técnico e virou disputa de tempo e de desenho institucional, porque o combustível que sustenta Angra 1 e Angra 2 está preso a regras de monopólio, a uma lei já aprovada e a um decreto que ainda não foi publicado.

A caneta que vira regra e vira mercado

O ponto de ruptura está concentrado em um decreto: sem ele, a autorização legal para parcerias permanece sem formato prático.

É uma situação em que existe permissão no papel, mas falta o manual que permite negociar de verdade, com critérios, responsabilidades e divisão de resultados.

Na leitura de quem defende a aceleração, o problema central não é geologia, é governança.

A ausência de regulamentação mantém investidores à distância e aumenta o risco de acordos frágeis, porque qualquer arranjo fica exposto à insegurança jurídica.

Monopólio, INB e o gargalo da mina única

Desde a Constituição de 1988, a exploração e o comércio de materiais nucleares são monopólio da União, um modelo criado sob o argumento de soberania e segurança estratégica.

Na prática, isso colocou a Indústrias Nucleares do Brasil, a INB, como eixo exclusivo do urânio no país.

O resultado concreto é um gargalo operacional difícil de contornar: com apenas uma mina ativa, a capacidade de expansão fica naturalmente limitada.

Quando a estrutura depende de um único operador e de uma base produtiva estreita, o ritmo de crescimento vira decisão política antes de virar projeto industrial.

Lei 14.514/2022 e o decreto que ainda não saiu

A virada começou a ser desenhada com a Lei nº 14.514/2022, sancionada no fim do governo Jair Bolsonaro, ao autorizar a INB a firmar parcerias com empresas privadas em toda a cadeia do combustível nuclear, da extração do urânio até a fabricação do combustível usado em usinas como Angra 1 e Angra 2.

Só que a lei não se materializou por um motivo objetivo: falta o decreto presidencial que define as regras dessas parcerias, como critérios, responsabilidades e a divisão de resultados.

Desde o início do governo Lula, versões do texto foram elaboradas no Ministério de Minas e Energia, mas nenhuma avançou, e a crítica interna ganhou frase direta:

“Enquanto não tiver esse decreto, não tem o que colocar na mesa para negociar, e essa demora não se justifica”, afirmou Carlos Freire, presidente da INB entre 2019 e 2023.

Angra 1 e Angra 2 como termômetro do combustível

Quando o tema é urânio, Angra 1 e Angra 2 funcionam como o teste mais prático da discussão, porque elas dependem do combustível nuclear e, por tabela, da previsibilidade de fornecimento.

A própria lei citada trata da cadeia inteira, justamente para permitir que o debate não fique restrito à mina, mas alcance o produto final que alimenta as usinas.

Isso ajuda a explicar por que a conversa ultrapassa a mineração e entra no território da política energética.

Não se trata só de extrair mais, mas de criar um caminho regulatório que dê previsibilidade do começo ao fim, do mineral ao combustível, sem que cada etapa vire uma negociação improvisada.

O empurrão do mundo, das big techs e da concentração

A urgência também cresce porque a energia nuclear voltou ao centro do debate global como fonte estável de eletricidade e sem emissões de carbono.

Nesse contexto, grandes empresas de tecnologia, as big techs, passaram a buscar esse tipo de energia para abastecer data centers, o que ajuda a pressionar a demanda por urânio.

Hoje, cerca de 75% da produção mundial está concentrada em poucos países, com Cazaquistão em 39%, Canadá em 24% e Namíbia em 12%, segundo a World Nuclear Association.

Esse desenho alimenta uma leitura estratégica: se o Brasil destravar sua produção, pode reduzir a concentração e ganhar relevância, mas isso depende de regra clara e execução consistente, não apenas de potencial no subsolo.

BNDES entra no tabuleiro e a insegurança segue como trava

Diante da demora, a própria INB firmou no fim de 2025 uma parceria com o BNDES para estruturar modelos de cooperação com o setor privado.

O banco confirmou consultas ao mercado para mapear interessados, um sinal de que há apetite e que o assunto já foi colocado em modo de planejamento.

Ao mesmo tempo, o próprio BNDES reconhece o limite do movimento: sem o decreto, qualquer acordo fica vulnerável à insegurança jurídica.

É o tipo de cenário em que o interesse aparece, mas o risco impede o compromisso, e a janela política de 2026 vira parte do cálculo.

O que está em jogo até 2026

O Brasil aparece no contraste que costuma chamar atenção: figura em torno da 8ª colocação global em reservas conhecidas, mas ocupa apenas a 14ª posição no ranking de produção.

A leitura que emerge desse descompasso é que o gargalo não é a existência do urânio, é o modelo que organiza quem pode produzir, com que parceiros e sob quais regras.

Se a assinatura sair, o país pode reposicionar seu papel no tabuleiro global do urânio e, internamente, reforçar a cadeia de abastecimento ligada a Angra 1 e Angra 2.

Se não sair, a promessa continua como potencial repetido, com produção modesta e uma única mina sustentando um tema grande demais para ficar em compasso de espera.

Agora vale ouvir quem está do lado de fora dessa mesa: na sua visão, parcerias privadas no urânio deveriam ser tratadas como oportunidade econômica, como tema de soberania, ou como os dois ao mesmo tempo? E quando você pensa em Angra 1 e Angra 2, o que pesa mais: previsibilidade de combustível, segurança institucional ou o ritmo das decisões políticas em 2026?

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Francisco Fortes Filho
Francisco Fortes Filho
18/02/2026 06:55

O Brasil reina em 1° lugar, em incompetência e corrupção. O caso + recente: o banco Master. Dizem q o rombo é de + de 100 bilhões. Quando vier à tona, acho q o buraco é ainda maior!!!

Dizem que não se fazem obras estruturantes é p/falta de recursos. O rombo do Master dava p/fazer 6 ferrovias do porte da Transnordestina, que já tá com mais de 20 anos e sequer fizeram a primeira etapa da obra, que é a ligação do Piauí ao porto de Pecem-CE. Para o desenvolvimento do país, não tem dinheiro, mas p%corrupção não falta e é rápido p/desviar e o país nunca sai deste mar de lama!

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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