Objeto detectado pelo James Webb perto de Alpha Centauri desaparece em novas observações e intriga cientistas após 1 milhão de simulações.
Segundo pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (JPL), em agosto de 2024 o Telescópio Espacial James Webb registrou um objeto extremamente fraco nas proximidades de Alpha Centauri A, a estrela mais semelhante ao Sol no sistema mais próximo da Terra, localizada a cerca de 4,37 anos-luz. O objeto apareceu apenas uma vez. Em novas observações realizadas em fevereiro e abril de 2025, não foi detectado novamente, o que levou os pesquisadores a classificarem o fenômeno como um dos mais intrigantes da astronomia recente.
Sistema Alpha Centauri reúne três estrelas e concentra décadas de busca por exoplanetas próximos da Terra
Alpha Centauri é um sistema estelar triplo composto por Alpha Centauri A, Alpha Centauri B e Proxima Centauri.
Alpha Centauri A e B formam um sistema binário que orbita em um ciclo de aproximadamente 79 anos e é visível a olho nu como um dos pontos mais brilhantes do céu noturno no hemisfério sul.
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Proxima Centauri, uma anã vermelha localizada a maior distância do par principal, é a estrela mais próxima da Terra além do Sol e já possui planetas confirmados, incluindo Proxima b.
Apesar disso, a busca por planetas em torno de Alpha Centauri A sempre foi considerada o principal objetivo científico, devido à semelhança dessa estrela com o Sol.
Técnica de coronografia do James Webb permite bloquear luz estelar e revelar objetos extremamente fracos
Para detectar o objeto, os pesquisadores utilizaram o instrumento MIRI do James Webb, equipado com uma máscara coronográfica capaz de bloquear a luz intensa da estrela.
Esse método cria um “eclipse artificial”, permitindo que objetos muito mais fracos ao redor da estrela se tornem visíveis no infravermelho.
Mesmo com essa tecnologia, a observação é extremamente complexa, pois envolve interferências ópticas, ruído instrumental e a influência da estrela companheira Alpha Centauri B.
Objeto S1 foi detectado a cerca de 2 unidades astronômicas de Alpha Centauri A com brilho extremamente baixo
Após o processamento das imagens, surgiu um ponto de luz denominado S1. Ele estava localizado a aproximadamente 1,5 segundos de arco da estrela, o que corresponde a cerca de 2 unidades astronômicas, distância equivalente ao dobro da separação entre a Terra e o Sol.
O brilho do objeto era cerca de 10 mil vezes mais fraco do que o da estrela, compatível com um possível planeta gigante gasoso.
Desaparecimento do objeto em novas observações levou cientistas a rodar 1 milhão de simulações orbitais
O maior desafio surgiu nas observações seguintes, quando o objeto não foi mais detectado. Para entender o fenômeno, a equipe liderada pelo doutorando Aniket Sanghi realizou cerca de 1 milhão de simulações computacionais de órbitas possíveis.
Os resultados indicaram que, em cerca de metade dos cenários estáveis, o objeto poderia ter se aproximado da estrela em pontos da órbita onde se tornaria invisível para o telescópio.
Dados anteriores do Very Large Telescope podem indicar que objeto já havia sido visto em 2019
Uma peça importante na análise foi a inclusão de dados obtidos em 2019 pelo Very Large Telescope, no Chile. Naquela ocasião, um objeto candidato chamado C1 foi identificado no mesmo sistema, mas não confirmado.
Quando os pesquisadores consideraram a possibilidade de S1 e C1 serem o mesmo objeto em posições diferentes de sua órbita, os modelos passaram a apresentar consistência.
Com base nas simulações e no brilho detectado, o objeto pode ser um planeta gigante gasoso com massa semelhante à de Saturno.
A órbita estimada apresenta excentricidade de cerca de 0,4, variando entre 1 e 2 unidades astronômicas ao redor da estrela, com período orbital entre 2 e 3 anos terrestres.
A temperatura estimada varia entre 200 e 250 Kelvin, o que explica sua detecção apenas no infravermelho.

Zona habitável de Alpha Centauri A levanta hipótese teórica de luas potencialmente habitáveis
A região onde o objeto foi detectado coincide com a zona habitável da estrela. Embora um gigante gasoso não possa abrigar vida como a conhecemos, existe uma hipótese teórica de que luas naturais ao redor desse tipo de planeta possam ter condições adequadas para água líquida.
Essa possibilidade permanece especulativa e não confirmada. Dos milhares de exoplanetas já descobertos, a maioria foi identificada por métodos indiretos.
A captura direta de imagem de um planeta é um evento raro, especialmente em sistemas próximos e ao redor de estrelas semelhantes ao Sol.
Caso confirmado, esse objeto seria um dos exoplanetas diretamente observados mais próximos da Terra.
Telescópio Nancy Grace Roman pode ser decisivo para confirmar existência do objeto nos próximos anos
Os pesquisadores identificaram uma nova janela de observação para agosto de 2026, quando o objeto pode voltar a uma posição favorável para detecção.
Além disso, o futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, com tecnologia coronográfica mais avançada, poderá confirmar a existência do objeto com maior precisão.
Agora queremos saber: o objeto detectado pelo James Webb é realmente um planeta ou apenas um fenômeno ainda não compreendido?
A detecção inicial, seguida pelo desaparecimento e pelas simulações, mantém o caso em aberto.
Na sua visão, estamos diante de um novo planeta próximo da Terra ou de um fenômeno que ainda desafia a compreensão da astronomia moderna?


Sou faz de planetas