Com apoio da França, Jordânia inicia projeto de dessalinização de até US$ 6 bilhões, constrói aqueduto de 450 km entre Aqaba e Amã e planeja garantir água potável estável para mais de 3 milhões de pessoas em um dos cenários hídricos mais críticos do planeta.
A Jordânia está entre os países com maior escassez de água do mundo e, nas últimas décadas, viveu sob um regime permanente de racionamento e incerteza. Agora, o país decidiu apostar pesado em um projeto de dessalinização em escala inédita para tentar virar esse jogo, combinando usina de água do mar em Aqaba, aqueduto de 450 quilômetros e um pacote de obras de energia e bombeamento que deve mudar o mapa hídrico nacional.
Um consórcio liderado pelas empresas francesas Meridiam e Suez, com participação da Vinci Construction e da egípcia Orascom Construction, assinou com o governo jordaniano um contrato de 30 anos para projetar, construir, financiar, operar e depois transferir a infraestrutura. O plano é colocar em operação, até 2029, a segunda maior usina de dessalinização do mundo e um sistema capaz de entregar até 40 por cento da água potável consumida na Jordânia, em um pacote estimado entre 5 e 6 bilhões de dólares.
Jordânia aposta na dessalinização para fugir do limite hídrico
O ponto de partida é simples e duro: a Jordânia consome cerca de 1 bilhão de metros cúbicos de água por ano, mas cada habitante dispõe, em média, de apenas 90 metros cúbicos anuais, um valor extremamente baixo para padrões internacionais. Em muitas regiões, a água ainda é racionada, chegando às casas apenas alguns dias por semana.
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É nesse contexto que nasce o Projeto de Dessalinização e Distribuição de Água Aqaba Amã, considerado o maior projeto de infraestrutura já realizado no país.
Para o Ministério da Água e Irrigação da Jordânia, a iniciativa é classificada como prioridade nacional, justamente por oferecer uma solução de longo prazo para um problema que ameaça o cotidiano de 11 milhões de pessoas e a própria estabilidade econômica do Reino Hachemita.
Segundo a Suez e a Meridiam, quando a dessalinização estiver em plena carga, o sistema poderá atender até 40 por cento da demanda de água potável da Jordânia, garantindo uma fonte mais confiável para mais de 3 milhões de pessoas e reduzindo a pressão sobre aquíferos subterrâneos já explorados ao limite.
Como funciona a usina de dessalinização em Aqaba

No porto de Aqaba, às margens do Mar Vermelho, será construída a usina que sustenta todo o projeto. A planta utilizará tecnologia de dessalinização por osmose reversa, processo em que a água do mar é forçada a atravessar membranas que retêm sais e impurezas, entregando água potável na saída.
A capacidade estimada da usina é de 851 mil metros cúbicos de água potável por dia, volume suficiente para abastecer grandes centros urbanos e aliviar o racionamento em áreas hoje mais críticas.
Para evitar impactos severos sobre o ecossistema marinho, a usina de dessalinização terá uma captação em águas profundas, reduzindo a entrada de larvas de corais, e um sistema de descarga de salmoura em alta velocidade, projetado para fazer os níveis de sal voltarem ao normal entre 20 e 50 metros da saída.
Na prática, a dessalinização em Aqaba transforma a posição geográfica da Jordânia em vantagem estratégica, permitindo que o país converta água do Mar Vermelho em segurança hídrica interna, com controle direto sobre a produção.
Aqueduto de 450 km e cinco estações de bombeamento até Amã
Produzir água é só metade do desafio. A outra metade é levar essa água dessalinizada de Aqaba até Amã, a capital, localizada a mais de 1.000 metros de altitude e centenas de quilômetros de distância.
Para isso, o projeto prevê um aqueduto de aproximadamente 450 quilômetros, que seguirá do porto em direção ao leste até o aquífero de Disi, próximo à fronteira com a Arábia Saudita, e depois acompanhará o corredor já ocupado por um aqueduto existente rumo ao norte, até Amã.
Ao longo do trajeto, serão instaladas cinco estações de bombeamento de alta capacidade para vencer o desnível entre o nível do mar e a região montanhosa onde está a capital, garantindo pressão e fluxo suficientes para integrar a água dessalinizada à rede nacional.
Além disso, os reservatórios de Abu Alandra e Al Muntazah serão ampliados para absorver o aumento de oferta e estabilizar a distribuição.
Com a entrada em operação do aqueduto Aqaba Amã, a Jordânia espera reduzir gradualmente a extração de água do aquífero de Disi, uma fonte subterrânea usada intensamente desde 2013 e que hoje é vista como um recurso estratégico que não pode ser exaurido.
A dessalinização, nesse contexto, funciona como uma espécie de seguro hídrico que permite preservar reservas subterrâneas para o futuro.
Energia solar para reduzir o custo da dessalinização
Dessalinizar água do mar é um processo intensivo em energia. Para reduzir custos operacionais e as emissões associadas, o próprio consórcio será responsável por construir uma nova usina solar dedicada ao projeto, na região de Al Quweira.
A usina fotovoltaica terá potência de cerca de 281 megawatts e deverá suprir em torno de 28 por cento da energia necessária para tocar a usina de dessalinização e o sistema de bombeamento.
A energia será transportada por uma linha de transmissão de aproximadamente 60 quilômetros, também a cargo da Vinci e da Orascom, as principais responsáveis pela engenharia, aquisição e construção do conjunto.
Com isso, a dessalinização na Jordânia passa a ser parcialmente alimentada por energia solar, o que reduz a dependência de combustíveis fósseis, ajuda a estabilizar custos ao longo dos 30 anos de concessão e dialoga diretamente com metas climáticas globais.
Quem financia a megaobra de dessalinização na Jordânia
Conforme adiantado pelo portal ENR, o modelo do projeto segue a lógica DBFT, sigla em inglês para projetar, construir, financiar, operar, manter e transferir. Em outras palavras, o consórcio assume o risco da construção e da operação por 30 anos, e ao final o ativo é transferido ao Estado jordaniano.
O orçamento total está estimado entre 5 e 6 bilhões de dólares, com 15 por cento desse valor vindo em forma de capital privado aportado pelo consórcio liderado por Meridiam e Suez.
O restante será financiado por um pacote de instituições multilaterais e fundos internacionais, incluindo o Fundo Verde para o Clima, o Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento, o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura, a Corporação Financeira Internacional e doações e empréstimos de diversos países.
O fechamento financeiro está previsto para o início de 2026, etapa crucial que consolida os compromissos de longo prazo e permite acelerar a construção. Só então a dessalinização em Aqaba e o aqueduto de 450 quilômetros poderão avançar em ritmo máximo para cumprir a meta de operar até 2029.
O que a dessalinização muda para o futuro da Jordânia
Para o fundador e CEO da Meridiam, Thierry Déau, o projeto é descrito como essencial, transformador e histórico para a Jordânia.
Na prática, o sucesso da dessalinização em Aqaba e da adução até Amã pode redefinir o patamar de segurança hídrica do país, reduzindo o racionamento em várias cidades e oferecendo uma base mais sólida para o crescimento econômico e urbano nas próximas décadas.
A combinação de dessalinização em grande escala, uso de energia solar e reconfiguração dos fluxos de água subterrânea também torna o projeto um caso de estudo para outros países áridos que enfrentam dilemas semelhantes entre demanda crescente, mudança climática e sobrecarga de aquíferos.
Ao mesmo tempo, a obra levanta debates sobre custo, dependência de tecnologia de alto consumo energético e necessidade de políticas de uso eficiente da água para que a nova oferta não seja rapidamente desperdiçada.
Em um cenário em que mais regiões do mundo se aproximam dos limites de disponibilidade hídrica, a experiência da Jordânia com a dessalinização pode funcionar tanto como modelo de solução quanto como alerta sobre o preço de adiar decisões estruturais por décadas.
Sabendo que essa megaobra de dessalinização vai consumir bilhões de dólares para garantir água a longo prazo, você acha que outros países com escassez hídrica deveriam seguir o mesmo caminho ou focar primeiro em economizar e reaproveitar melhor a água que já têm?

El proyecto se lo tenían que haber dado a Israel, es el más avanzado en el mundo en esta materia, y la reutilización de esta en zonas verdes que falta hace.
Reciclar cada gota en invernaderos de última generación solar, y en poder cambiar poco a poco las zonas más húmedas en bosque o al menos poner arbolitos que resistan el calor exuberante de esta región, y poco a poco introducir especies de ****ño, que también será positivo para el medio ambiente y regeneración.
Corregir en el título: dice 6 millones, debe decir 6 MIL millones.
por favor, falta la palabra mil en el titulo, el coste seran hasta 6 mil milliones – y faltan tambien tres ceros en el caudal producido: 850 000 m3 al dia