Showyan é um carpinteiro japonês que documenta a construção de casas no próprio canal do YouTube. Scott Wadsworth, empreiteiro norte-americano com quatro décadas de experiência, assistiu à série e declarou que esse carpinteiro japonês opera em outro nível, expandindo horizontes que ele julgava já ter visto por completo.
Scott Wadsworth não é iniciante. São quatro décadas construindo, emoldurando e acabando estruturas de madeira na América do Norte, com centenas de projetos nas costas e opinião formada sobre quase tudo que envolve madeira, ferramentas e canteiro de obras. Quando ele finalmente assistiu ao canal do carpinteiro japonês Showyan, depois de meses sendo indicado por espectadores, pausou o vídeo no meio e ficou quieto por um instante. “Madeira é madeira, afiar é afiar, martelos são martelos e homens são homens. Mas com certeza é interessante ver como esse cara faz o que faz, onde faz e com as ferramentas que tem. Isso expande meus horizontes.”
A série que ele revisou era a terceira temporada do canal de Showyan, documentando a construção completa de uma casa residencial no Japão. Cinco meses de trabalho. Da fundação ao acabamento interno, com câmera ligada em quase todas as etapas. O resultado foi uma estrutura em cedro sem nó visível, com encaixes cortados à mão, acabamento em plaina e detalhes que Wadsworth foi pausando, repetindo e comentando com espanto crescente.
Cinco meses, encaixes cortados à mão e nenhum parafuso visível

Todos os encaixes e juntas que aparecem na montagem estrutural haviam sido cortados à mão semanas antes, individualmente, fora do canteiro. Quando chegou o dia de erguer a estrutura, o carpinteiro japonês foi posicionando peça por peça num processo que Wadsworth compara a resolver um quebra-cabeça tridimensional que só o construtor conhece de cor.
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A pressão disso, nas palavras do próprio Showyan, era enorme. Qualquer erro de corte cometido semanas antes só se revelaria no momento da montagem, diante de toda a equipe. Uma junta mal calculada significaria refazer. Showyan admitiu que ficava nervoso quando alguém pronunciava seu nome durante a montagem. Mas as peças se encaixaram. Cada uma delas. Wadsworth pausou o vídeo nesse momento e ficou alguns segundos sem falar.
Cedro sem nó, plaina à mão e acabamento que a lixa não alcança
A madeira usada na construção é cedro japonês, e Wadsworth ficou particularmente intrigado com a ausência quase total de nós nas peças. Ao longo de todo o vídeo, conforme os painéis internos eram instalados e as tábuas de acabamento iam aparecendo, ele foi procurando imperfeições e raramente encontrou. Levantou a questão em voz alta: essa casa seria para o um por cento mais rico do Japão? É uma construção comum? Que percentual da população japonesa aspira a ter algo assim?
O acabamento das superfícies também chamou atenção. Showyan usa plainas manuais para chegar ao resultado final, retirando aparas finíssimas, quase translúcidas, até a superfície ficar exatamente como deve ficar. Wadsworth, que trabalha com lixadeira para atingir o acabamento final, observou que o carpinteiro japonês estava aparando até o acabamento, não até perto do acabamento. A diferença entre as duas abordagens é sutil na descrição e enorme no resultado.
O corrimão curvo que ele mesmo admitiu não ter certeza se ficaria bom
Em determinado ponto da série, Showyan instala um corrimão de escada com design curvo. Antes de revelar o resultado, ele conta que a ideia foi dele, não do proprietário. Admite que não tinha certeza se o design funcionaria. Quando o corrimão fica no lugar, ele próprio avalia e declara que fez a escolha certa ao se desafiar. Wadsworth parou o vídeo nesse trecho e comentou apenas: “Uau.”
O corrimão não estaria em conformidade com as normas norte-americanas de construção. Wadsworth reconheceu isso e logo em seguida disse que não se importava, porque o resultado era simplesmente perfeito. Esse é o padrão que atravessa toda a série: o carpinteiro japonês repetidamente resolve problemas com soluções que um empreiteiro ocidental dificilmente tentaria, não por falta de habilidade, mas por falta de referência cultural e estética para chegar até ali.
Ferramentas manuais, eletricidade e a pergunta que Wadsworth não conseguiu responder
Um dos pontos que Wadsworth explorou com mais curiosidade foi a combinação de ferramentas manuais e elétricas que Showyan usa sem hierarquia entre elas. Formões japoneses, plainas de mão e martelos de aço dividem espaço com parafusadeiras sem fio, plainas elétricas e guindastes de obra. A escolha parece ser sempre pela ferramenta mais adequada para cada momento, sem apego a um método ou ao outro.
Wadsworth também notou a ausência quase total de madeira compensada no projeto, tanto no telhado quanto no acabamento interno. Tudo o que via era painel colado de madeira maciça ou tábuas individuais. Fez a pergunta diretamente para os espectadores: isso acontece porque o Japão não fabrica compensado em escala? É uma questão de tradição? De disponibilidade de materiais? Não tinha resposta. Mas a pergunta em si revela o quanto a construção japonesa que Showyan documenta opera fora dos parâmetros que um veterano de quatro décadas considera normais.
O filho ao lado e a permanência do ofício
Em alguns momentos da série, Showyan aparece com o filho ao lado. Wadsworth notou isso e mencionou brevemente, sem elaborar muito. Mas o comentário ficou: esse cara é forte, inteligente e está ensinando o filho dele. Há algo na forma como a construção tradicional japonesa é transmitida que vai além da técnica, e Wadsworth, sem precisar dizer isso explicitamente, demonstrou reconhecer isso ao longo de toda a revisão.
No encerramento do vídeo, ele pediu aos espectadores que fossem até o canal de Showyan, chamado Showyan Japanese Carpenter, se inscrevessem e deixassem comentários de apreciação. A conclusão que ele tirou de cinco meses de construção condensados em horas de vídeo foi simples e direta: onde quer que os humanos estejam e seja como for que criem as coisas que os protegem da natureza, sempre há algo a aprender com cada pessoa. O carpinteiro japonês de Osaka comprovou esse ponto sem precisar de legenda.
O conteúdo é do canal Essential Craftsman, de Scott Wadsworth, no YouTube.
Você já assistiu a algum vídeo de construção ou marcenaria japonesa que mudou sua forma de ver o trabalho com madeira? Ou tem alguma tradição artesanal do Brasil ou de outro país que considera no mesmo nível? Deixa nos comentários.


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