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Turbinas de 7,8 megawatts, com rotor de 182 metros e torre de 155 metros, começam a subir no deserto do Pilbara e a chegada dessas máquinas de fabricante chinês mexe com um mercado eólico que estava praticamente parado

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Escrito por Jefferson Augusto Publicado em 24/07/2026 às 15:45
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As maiores turbinas eólicas em terra já contratadas na Austrália vão equipar projetos no noroeste do país, e a entrada de um fabricante chinês em um mercado dominado por europeus e americanos acontece num momento em que quase nenhum parque novo sai do papel.

Um parque eólico deixou de ser um campo de moinhos e virou obra de escala industrial pesada. A referência mais recente disso está sendo montada no deserto australiano: turbinas de 7,8 megawatts cada uma, com torre de 155 metros e rotor de 182 metros de diâmetro.

As máquinas são da chinesa Envision Energy e vão equipar projetos na Austrália Ocidental. Para dar uma noção da escala, o círculo varrido pelas pás dessa turbina tem área maior que a de quatro campos de futebol.

O que muda quando o rotor passa de 180 metros

A potência de uma turbina depende diretamente da área que as pás varrem no ar. E essa área não cresce na mesma proporção do comprimento da pá, cresce ao quadrado do raio.

Na prática, aumentar o rotor em 10% amplia a área de captação em cerca de 21%. É por isso que a indústria persegue rotores cada vez maiores mesmo quando o vento do local não melhora.

A torre alta cumpre função parecida. Quanto mais longe do solo, menos o vento sofre atrito com terreno, vegetação e construções, e mais constante ele chega ao rotor.

O ganho é mais relevante do que parece. Como a energia disponível no vento varia com o cubo da velocidade, um aumento pequeno na velocidade média provocado pela altura extra se traduz em um acréscimo desproporcional de geração ao longo do ano.

Torre de 155 metros é altura de prédio de 50 andares

A altura do cubo, ponto onde as pás se encontram, ficou em 155 metros. Somando metade do rotor, a ponta da pá no ponto mais alto passa de 240 metros do chão.

Erguer isso exige guindaste de grande porte, estrada reforçada para o transporte das peças e fundação dimensionada para o esforço de flexão que o vento aplica na base.

É justamente esse conjunto de exigências logísticas que costuma definir se um projeto é viável, muito antes da conta de energia entrar na discussão.

As primeiras vão para o Pilbara, no noroeste australiano

O projeto Nullagine, da mineradora Fortescue, terá 132 megawatts com 17 dessas turbinas, instaladas na região do Pilbara, área de mineração de minério de ferro na Austrália Ocidental.

No Pilbara há ainda uma vantagem de espaço. São áreas amplas, de baixa densidade populacional, onde a restrição de vizinhança que limita projetos na Europa e no sul do país praticamente não existe.

A escolha não é casual. Operações de mineração em área remota consomem muita energia e historicamente dependem de diesel ou gás transportado por longas distâncias, o que torna a geração local atraente.

Há ainda um projeto bem maior em preparação na mesma região, o Bonney Downs, dimensionado na casa dos 800 megawatts.

Um segundo projeto fica ao sul de Perth

Fora da região mineradora, a francesa Neoen vai usar as mesmas turbinas no projeto Narrogin, ao sul de Perth, com 179 megawatts distribuídos em 23 máquinas.

São perfis diferentes de cliente. De um lado, uma mineradora buscando abastecer a própria operação. De outro, uma geradora independente vendendo energia para a rede.

Um fabricante chinês entra num mercado de europeus e americanos

O mercado global de turbinas em terra é historicamente dividido entre nomes como Vestas, Siemens, GE Vernova, Nordex e Goldwind. A entrada da Envision em projetos australianos de porte sinaliza uma disputa mais aberta.

Fabricantes chineses cresceram apoiados no mercado interno, que instala mais capacidade eólica que qualquer outro país, e passaram a exportar máquinas de grande porte a preços agressivos.

Para operadores de parque, mais concorrência entre fornecedores tende a significar prazos de entrega menores e melhores condições comerciais, num setor em que a fila por turbina já foi um gargalo real.

O mercado eólico australiano vinha travado

O contexto ajuda a entender por que a chegada dessas máquinas chamou atenção. O país tem menos de 5 gigawatts de nova capacidade eólica e solar em construção no seu principal mercado de eletricidade.

De 31 projetos eólicos apoiados pelo mecanismo federal de contratação, apenas 4 chegaram efetivamente à fase de construção. O restante travou em licenciamento, conexão à rede ou negociação de contrato.

Nesse cenário, qualquer projeto que começa a subir vira indicador. Turbinas maiores reduzem o número de unidades necessárias para atingir a mesma potência, o que significa menos fundações, menos acessos e menos pontos de conexão.

Menos máquinas para a mesma potência muda a conta da obra

Esse é o argumento técnico por trás da corrida por turbinas grandes. Um parque de 132 megawatts feito com máquinas de 7,8 megawatts precisa de 17 unidades. Com turbinas de 3 megawatts, seriam mais de 40.

É por isso que fabricantes vêm trabalhando em pás segmentadas, montadas em partes no próprio canteiro, e em soluções de fabricação perto do local de instalação, para contornar o limite imposto pela estrada.

Cada unidade a menos representa uma fundação de concreto, um trecho de estrada, um conjunto de cabos e uma torre a menos para manter ao longo de 25 anos de operação.

Por outro lado, a peça maior é mais difícil de transportar. Uma pá de mais de 90 metros não passa em qualquer curva de estrada, o que às vezes obriga a obra viária a acompanhar o projeto.

O que esse movimento sinaliza para outros mercados

A escala vista na Austrália é a mesma que vem sendo adotada em novos projetos em terra pelo mundo, e serve de referência para países que ainda operam parques com máquinas de geração anterior.

Por ora, o que está contratado são turbinas de 7,8 megawatts, com 155 metros de torre e 182 metros de rotor, destinadas a 132 megawatts em Nullagine e 179 megawatts em Narrogin, ambos na Austrália Ocidental, conforme apuração do portal setorial RenewEconomy.

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