Com mais de 30 mil árvores plantadas, Tulsi Gowda, indígena indiana sem estudos formais, é reconhecida como “Enciclopédia da Floresta” e símbolo mundial de preservação ambiental.
No sul da Índia, entre as florestas densas do estado de Karnataka, vive uma mulher que se tornou símbolo mundial de preservação ambiental. Tulsi Gowda, hoje com mais de 80 anos, nasceu na comunidade indígena Halakki Vokkaliga, em uma pequena aldeia próxima à cidade de Ankola, e dedicou praticamente toda sua vida a uma missão silenciosa: plantar e cuidar de árvores com as próprias mãos. Estima-se que ela tenha participado do plantio de mais de 30 mil mudas, recuperando áreas devastadas e transformando regiões inteiras em corredores ecológicos.
A história de Tulsi começou muito cedo. Nascida em uma família extremamente pobre, ela nunca frequentou a escola e aprendeu sobre a floresta observando o comportamento das plantas, dos ventos e dos animais. Aos 12 anos, começou a trabalhar em viveiros do Departamento Florestal de Karnataka, e sua habilidade incomum de identificar espécies e prever as condições de crescimento rapidamente chamou atenção dos engenheiros florestais. Mesmo sem formação acadêmica, Tulsi passou a ser reconhecida como uma especialista natural em ecossistemas nativos, motivo pelo qual ganhou o apelido de “Enciclopédia da Floresta”.
Conhecimento transmitido pela terra
Tulsi Gowda não lê nem escreve, mas domina um conhecimento que cientistas levam anos para adquirir. Ela é capaz de reconhecer o solo ideal para cada espécie, identificar doenças em folhas e prever o período de frutificação das árvores com base na umidade e temperatura do ar. Por décadas, trabalhou como voluntária em projetos de reflorestamento conduzidos pelo governo indiano, muitas vezes sem remuneração, apenas movida pelo desejo de ver a floresta crescer novamente.
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Entre as espécies que ajudou a preservar estão o sândalo indiano, o teca e o mangue-vermelho, todas ameaçadas pela expansão urbana e pela exploração madeireira. Em vários distritos de Karnataka, as áreas reflorestadas sob sua orientação se tornaram refúgios para pássaros, macacos e elefantes.
Reconhecimento e impacto nacional
Em 2020, Tulsi recebeu o Padma Shri, a quarta mais alta condecoração civil da Índia, concedida pelo presidente da República. A cerimônia em Nova Délhi chamou atenção mundial: Tulsi compareceu descalça, usando suas roupas tradicionais, e recebeu o prêmio com um sorriso tímido, representando os povos indígenas que vivem em harmonia com a natureza. Sua imagem viralizou nas redes sociais e foi reproduzida por veículos como BBC, The Hindu e Al Jazeera, que destacaram a simplicidade e a sabedoria ancestral dessa mulher que se tornou símbolo da luta contra o desmatamento.
Além do plantio direto, Tulsi também dedica tempo à educação ambiental de crianças em sua aldeia. Ela ensina sobre o ciclo das chuvas, a importância das raízes e o equilíbrio entre as espécies, transmitindo o conhecimento que recebeu oralmente de seus antepassados. Em depoimentos dados a jornais locais, Tulsi costuma repetir uma frase que resume sua filosofia: “As árvores falam conosco. Basta saber ouvir”.
A floresta como herança e resistência
O legado de Tulsi Gowda vai além do número de árvores plantadas. Seu trabalho está ligado à preservação da cultura Halakki Vokkaliga, uma das comunidades tribais mais antigas do sul da Índia, que mantém tradições matriarcais e um forte vínculo espiritual com a terra. Em uma época em que a Índia enfrenta índices alarmantes de poluição e desmatamento, o exemplo de Tulsi mostra que o conhecimento tradicional ainda é uma ferramenta poderosa para combater a crise ambiental.
Especialistas da Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) já citaram o caso de Tulsi em estudos sobre reflorestamento comunitário, classificando-o como um exemplo de “ação individual com impacto coletivo”. O Departamento Florestal de Karnataka também mantém registros de projetos em que ela participou, incluindo o Vana Mahotsava, um festival anual de plantio de árvores realizado em várias regiões do país.
Um símbolo vivo de sabedoria e humildade
Tulsi Gowda continua ativa, mesmo com idade avançada. Todos os dias, ela caminha por trechos da floresta que ajudou a reconstruir, verificando o estado das árvores e recolhendo sementes que serão replantadas. Sua rotina simples e dedicada resume uma verdade profunda: a restauração ambiental começa com pequenos gestos repetidos ao longo do tempo.
Hoje, estudantes, ambientalistas e voluntários de toda a Índia visitam sua aldeia para aprender com ela. Em um país com mais de 1,4 bilhão de habitantes, o exemplo de uma mulher analfabeta que transformou a paisagem ao seu redor se tornou um lembrete poderoso de que a educação ambiental não depende de livros, mas de compromisso com o planeta.
Tulsi Gowda não fala sobre “mudanças climáticas” ou “sustentabilidade” com termos técnicos. Ela simplesmente planta — e ensina os outros a fazer o mesmo. Em tempos de devastação e urbanização acelerada, seu legado prova que o conhecimento ancestral e o amor pela terra ainda são as forças mais transformadoras do mundo natural.


Fui diagnosticada com doença de Parkinson há quatro anos. Por mais de dois anos, dependi da levodopa e de vários outros medicamentos, mas, infelizmente, os sintomas continuaram piorando. Os tremores se tornaram mais perceptíveis e meu equilíbrio e mobilidade começaram a declinar rapidamente. No ano passado, por desespero e esperança, decidi experimentar um programa de tratamento à base de ervas da NaturePath Herbal Clinic.
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