A proposta dos EUA inclui definição de preços mínimos, financiamento de projetos, investimentos em refino e possível transferência de tecnologia, mas Lula quer detalhamento antes de assinar qualquer coisa enquanto o governador de Goiás já fechou acordo paralelo com empresas americanas e foi criticado pelo Planalto
Existe um documento sobre a mesa de Lula que pode redefinir a relação entre Brasil e Estados Unidos nas próximas décadas. Trump enviou ao governo brasileiro uma proposta formal de cooperação no setor de minerais críticos, e o papel está na gaveta do presidente, esperando. Sem assinatura. Sem prazo. Sem pressa, pelo menos do lado brasileiro.
A informação foi publicada pelo Diário do Comércio em 9 de abril de 2026 e revela um jogo de xadrez geopolítico que vai muito além de diplomacia: quem controlar os minerais críticos nos próximos anos vai controlar a indústria de tecnologia, a transição energética e a corrida militar do planeta.
E o Brasil está sentado em cima de uma das maiores reservas do mundo.
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As próximas horas serão de tensão crescente em torno do viés a ser adotado pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom/BC) com relação à taxa básica de juros (Selic), ao cabo da reunião dessa quarta-feira (17). Embora o mercado se apresente ‘dividido’ quanto à decisão do colegiado, a tendência mais forte das últimas semanas é de que a taxa se mantenha inalterada no patamar atual de 14,50% ao ano. Já uma ala minoritária ainda ‘aposta’ em uma queda 0,25 ponto percentual (p.p).
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O que os Estados Unidos querem do Brasil?
A resposta é direta: terras-raras e minerais estratégicos. Esses materiais são essenciais pra fabricar desde baterias de carros elétricos e turbinas eólicas até chips de computador, mísseis guiados e equipamentos médicos. Sem eles, a indústria de alta tecnologia simplesmente para.
Hoje, a China domina mais de 60% da produção global de terras-raras e usa isso como instrumento de pressão geopolítica. Os Estados Unidos sabem que depender de um único fornecedor, ainda mais de um rival estratégico, é uma vulnerabilidade que pode custar caro. Por isso, Washington está batendo na porta de todo país que tenha reservas significativas. E o Brasil é um dos alvos prioritários.
A proposta enviada a Lula, segundo o Diário do Comércio, inclui pontos como definição de preços mínimos para os minerais, financiamento de projetos de exploração, investimentos em refino dentro do território brasileiro e possível transferência de tecnologia. As negociações são conduzidas por equipes técnicas dos dois países, com participação do USTR, o órgão responsável pela representação comercial dos Estados Unidos.
Parece uma boa oferta. Então por que Lula não assinou?
Por que o Brasil está segurando o documento?
Porque o governo considera a proposta genérica demais. Segundo o Diário do Comércio, a avaliação interna do Planalto é que ainda não existe uma oferta estruturada que justifique avançar para um acordo formal. Lula quer números concretos, prazos definidos e garantias de que o Brasil não vai virar apenas um fornecedor de matéria-prima bruta enquanto os americanos ficam com o processamento e o valor agregado.
Essa é a linha vermelha do governo: o Brasil aceita negociar minerais, mas não aceita exportar pedra pra importar chip. A estratégia defendida pelo Planalto prioriza o processamento interno dos recursos antes da venda internacional. Ou seja, o Brasil quer refinar, agregar valor e vender produto acabado, não minério in natura.
É uma posição que faz sentido estratégico. Países que exportam matéria-prima bruta ficam presos na base da cadeia produtiva. Países que processam e refinam capturam a maior parte do valor. A diferença entre exportar lítio bruto e exportar bateria de lítio pode ser de 10 a 50 vezes no preço final.
O que o caso Caiado tem a ver com isso?
Enquanto o governo federal segurava o documento na gaveta, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, assinou um memorando de cooperação com empresas americanas no setor de minerais críticos. O acordo foi feito de forma paralela às negociações federais e gerou uma crise política.
Lula criticou publicamente a iniciativa, afirmando que negociações sobre minerais estratégicos são competência da União, não dos estados. Na prática, Caiado furou a fila diplomática e negociou diretamente com os americanos algo que o próprio presidente ainda estava avaliando.
O episódio expôs uma fratura: enquanto o governo federal tenta negociar com cautela e extrair o máximo de contrapartidas, governadores e empresários pressionam por acordos rápidos que tragam investimento imediato, mesmo que com menos condições favoráveis ao país no longo prazo.
O que está em jogo pra cada lado?
Para os Estados Unidos: reduzir a dependência da China em minerais críticos é uma questão de segurança nacional. A corrida por fontes alternativas já levou Washington a assinar acordos semelhantes com Austrália, Canadá e países africanos. O Brasil, com suas reservas de nióbio, lítio, terras-raras, grafite e manganês, é peça-chave nesse tabuleiro.
Para o Brasil: a oportunidade é real, mas o risco também. Aceitar um acordo genérico pode significar abrir as portas pra exploração em larga escala sem capturar o valor que esses recursos valem. Recusar ou demorar demais pode significar que os americanos fechem acordos com outros países e o Brasil perca a janela.
Para Lula: o desafio é político e estratégico ao mesmo tempo. Assinar rápido agrada o mercado e aproxima o Brasil dos EUA num momento de tarifas e tensões comerciais. Segurar e negociar melhor pode render um acordo muito mais vantajoso, mas corre o risco de irritar Washington quando o Brasil já enfrenta ameaça de tarifas de 10% sobre seus produtos.
O que acontece agora?
O documento segue na gaveta. A expectativa é que o assunto seja discutido diretamente entre Lula e Trump em agendas futuras, segundo o Diário do Comércio. Mas não há data marcada nem sinalização de que a assinatura esteja próxima.
Enquanto isso, as equipes técnicas continuam se reunindo, os americanos continuam pressionando e os minerais continuam debaixo do solo brasileiro, esperando alguém decidir se eles vão sair do país como pedra ou como tecnologia.
A gaveta de Lula guarda mais do que um papel. Guarda uma decisão que pode definir se o Brasil vai ser protagonista ou coadjuvante na maior corrida tecnológica do século. E gavetas não ficam abertas pra sempre.
Com informações do Diário do Comércio.

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