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Enquanto Paris sufoca com 100 milhões de turistas por ano existem 7 países na Europa que quase ninguém visita e que oferecem castelos com vista para os Alpes vinhos a preço de suco praias intocadas e ruas sem uma única selfie stick à vista

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 09/04/2026 às 20:03
Atualizado em 09/04/2026 às 20:06
Enquanto Paris, Barcelona e Roma sufocam com turistas, países como Liechtenstein, Moldávia e Macedônia do Norte recebem menos visitantes em um ano inteiro do que Veneza em uma semana. Conheça os destinos europeus esquecidos que oferecem patrimônio, natureza e preços que cabem no bolso.
Enquanto Paris, Barcelona e Roma sufocam com turistas, países como Liechtenstein, Moldávia e Macedônia do Norte recebem menos visitantes em um ano inteiro do que Veneza em uma semana. Conheça os destinos europeus esquecidos que oferecem patrimônio, natureza e preços que cabem no bolso.
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O movimento chamado undertourism está ganhando força entre a geração Z e os millennials que já cansaram de filas de 3 horas pra entrar no Louvre e querem experiências reais em lugares onde os moradores ainda ficam surpresos ao ver um estrangeiro

A Europa recebe mais turistas do que qualquer outro continente. A França sozinha ultrapassou 102 milhões de visitantes em 2025, segundo dados recentes. Barcelona limita aluguéis de curta temporada. Veneza cobra ingresso de quem chega só pra passar o dia. Amsterdam proibiu novos hotéis. O fenômeno tem nome: overtourism. Turismo demais.

Mas existe um outro lado dessa moeda que quase ninguém conhece. Na mesma Europa que sufoca de turistas, existem países inteiros onde os visitantes mal chegam a algumas centenas de milhares por ano. Países com castelos medievais, montanhas alpinas, vinícolas centenárias e praias mediterrâneas que a maioria dos brasileiros nunca ouviu falar.

O fenômeno inverso também ganhou nome: undertourism. E está virando tendência entre viajantes que já cansaram de disputar espaço com multidões, segundo reportagem da Euronews publicada em 8 de abril de 2026.

Quais são os países europeus que quase ninguém visita?

Enquanto Paris, Barcelona e Roma sufocam com turistas, países como Liechtenstein, Moldávia e Macedônia do Norte recebem menos visitantes em um ano inteiro do que Veneza em uma semana. Conheça os destinos europeus esquecidos que oferecem patrimônio, natureza e preços que cabem no bolso.

Segundo dados do Eurostat compilados pela Time Out, o ranking dos países europeus com menos pernoites turísticos em 2024 é surpreendente:

Liechtenstein ocupa o topo da lista. O pequeno país alpino entre a Áustria e a Suíça registrou apenas 228.579 pernoites turísticos em 2024. Pra colocar em perspectiva: Veneza recebe mais visitantes em uma semana do que Liechtenstein em um ano inteiro. A capital, Vaduz, tem um castelo com vista panorâmica para o Vale do Reno que a maioria dos europeus nunca visitou.

Macedônia do Norte vem em segundo, com pouco mais de 2 milhões de pernoites. O país tem montanhas, lagos cristalinos e uma história que remonta a Alexandre, o Grande, mas simplesmente não aparece no radar dos turistas internacionais.

Luxemburgo surpreende em terceiro lugar, com 3,6 milhões de pernoites, um número baixíssimo para um país que fica no coração da Europa, cercado por França, Bélgica e Alemanha.

Completam a lista Letônia, Montenegro, Moldávia e San Marino, todos com números de visitantes que fariam qualquer cidade turística brasileira parecer superlotada.

Por que esses países recebem tão poucos turistas?

Enquanto Paris, Barcelona e Roma sufocam com turistas, países como Liechtenstein, Moldávia e Macedônia do Norte recebem menos visitantes em um ano inteiro do que Veneza em uma semana. Conheça os destinos europeus esquecidos que oferecem patrimônio, natureza e preços que cabem no bolso.

Não é por falta de atrativos. É por falta de marketing, visibilidade e voos diretos. A maioria desses países simplesmente não compete com os orçamentos publicitários de destinos como França, Espanha e Itália. Não aparecem nas campanhas das agências de viagem. Não estão nos algoritmos de recomendação.

A Moldávia, por exemplo, é um dos países mais baratos da Europa para viajar, segundo a Euronews. Hospedagem, alimentação e transporte custam uma fração do que se gasta em qualquer capital da Europa Ocidental. Mas quase ninguém sabe disso porque o país simplesmente não faz parte do imaginário turístico das pessoas.

San Marino, encravado dentro da Itália, é uma república independente de 33 mil habitantes com uma fortaleza medieval no topo de uma montanha e uma das vistas mais bonitas do Adriático. A maioria dos turistas que visitam a Itália passa a menos de 200 km de San Marino sem saber que o lugar existe.

O que é o movimento undertourism e por que está crescendo?

O undertourism é o oposto do overtourism. É a busca deliberada por destinos que recebem poucos visitantes. E quem está puxando essa tendência são os viajantes da geração Z e os millennials, segundo a Euronews.

As motivações são claras. Quem já foi pra Europa e enfrentou filas de 3 horas no Louvre, multidões na Ponte de Rialto e preços de R$ 80 por uma pizza em Roma sabe que a experiência nem sempre corresponde à expectativa. Os destinos mais populares estão tão lotados que a própria experiência de visitá-los virou estressante.

O undertourism oferece o oposto: ruas vazias, moradores que ficam genuinamente surpresos (e felizes) de ver um estrangeiro, preços acessíveis e uma autenticidade que os destinos turísticos tradicionais perderam há décadas.

É o que a Euronews descreve como a busca por “experiências autênticas”, “lugares fora do radar” e “comunidades locais intactas”. Tudo que Paris, Barcelona e Roma deixaram de oferecer.

O que o brasileiro ganha visitando esses países?

Além da experiência diferenciada, o bolso agradece. Países como Moldávia, Macedônia do Norte, Letônia e Montenegro têm custos de viagem significativamente menores do que os destinos tradicionais da Europa Ocidental. Hospedagem, alimentação e transporte podem custar metade ou até um terço do que se gasta na França ou na Itália.

Montenegro, por exemplo, tem uma costa adriática com praias que rivalizam com a Croácia, mas por uma fração do preço. A Letônia tem Riga, uma capital com arquitetura art nouveau que é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e que custa menos pra visitar do que Porto ou Lisboa.

Liechtenstein, por ser encravado entre Áustria e Suíça, não é barato, mas oferece algo que dinheiro não compra nos destinos lotados: silêncio, paisagem alpina sem multidões e a sensação rara de estar num lugar onde o turismo ainda não estragou nada.

Isso vai durar?

Essa é a pergunta que todo viajante esperto faz. A resposta honesta é: provavelmente não por muito tempo. A história do turismo mostra que todo destino “secreto” deixa de ser secreto assim que o primeiro artigo viral sobre ele é publicado. A Croácia era desconhecida até Game of Thrones. A Islândia era um ponto no mapa até o Instagram descobrir as cachoeiras. Portugal era barato até os nômades digitais chegarem.

Os países do undertourism europeu estão numa janela de oportunidade. Quem for agora vai encontrar a Europa que existia antes do turismo de massa. Quem esperar cinco anos pode encontrar as mesmas filas, os mesmos preços inflados e os mesmos problemas que hoje fazem Paris, Barcelona e Veneza pedirem socorro.

A Europa não é só Torre Eiffel, Coliseu e Sagrada Família. A Europa também é um castelo no topo de uma montanha em Liechtenstein com vista pro Vale do Reno e nenhuma outra pessoa na foto. A diferença é que, pra esse segundo tipo de Europa, a janela está aberta agora. E janelas assim não ficam abertas pra sempre.

Com informações da Euronews, Time Out, Eurostat e Travel And Tour World.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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