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Trump aperta o Irã enfraquecido, ameaça ataque contra programa nuclear e mísseis, testa apoio de Rússia e China e pode explodir preço do petróleo se bases e refinarias forem atingidas

Escrito por Carla Teles
Publicado em 22/02/2026 às 17:02
Atualizado em 22/02/2026 às 17:03
Trump aperta o Irã enfraquecido, ameaça ataque contra programa nuclear e mísseis, testa apoio de Rússia e China e pode explodir preço do petróleo se bases e refinarias forem atingidas
Irã enfraquecido enfrenta sanções enquanto Trump mira o programa nuclear e ameaça o preço do petróleo em nova escalada.
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Enfraquecido por sanções, protestos internos e derrota militar recente, o Irã vê seu programa nuclear virar alvo direto de Donald Trump, que ameaça ataques e pode arrastar o mundo a uma nova alta do preço do petróleo.

Entre negociações em andamento e discursos cada vez mais duros, Washington sinaliza que não quer apenas limitar o programa nuclear iraniano, mas também conter mísseis balísticos e o apoio de Teerã a grupos como Hezbollah e Hamas. Do outro lado, um regime fragilizado por repressão sangrenta e perdas militares tenta projetar força, enquanto o mundo acompanha a possibilidade de um ataque que pode atingir bases, refinarias e disparar o preço do barril de petróleo por tempo indeterminado.

Ao mesmo tempo, o regime iraniano atravessa o momento mais frágil desde a revolução de 1979, depois de protestos reprimidos com milhares de mortos, queda de popularidade, sanções pesadas e perdas militares que atingiram até estruturas ligadas ao programa nuclear. É nesse vácuo de força que Trump calcula se aproveita da fraqueza interna do Irã, testa até onde Rússia e China estão dispostas a ajudar e mede o risco de um ataque que pode atingir bases, refinarias e disparar o preço do petróleo.

O que está em jogo no programa nuclear iraniano

Pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear, o Irã tem direito a enriquecer urânio para fins civis, como qualquer país signatário.

O ponto de ruptura começa quando o enriquecimento deixa de ser claramente civil e passa a se aproximar do patamar necessário para uso militar.

Segundo o professor Gunter Hudzit, já foi detectado que Teerã enriquece urânio acima do limite compatível com usinas de energia, o que motivou cinco resoluções do Conselho de Segurança da ONU ligadas ao programa nuclear iraniano.

Isso explica por que a pressão internacional não se limita a Washington. Governos que participaram do acordo de 2015, o P5+1, também desconfiam do avanço do programa nuclear do Irã acima do permitido.

Para muitos deles, não há prova definitiva de uma bomba atômica em andamento, mas há provas claras de enriquecimento acima das regras, o que já é suficiente para manter a pressão.

Trump quer mais do que um acordo nuclear

O governo Trump não mira apenas o programa nuclear. A lista de exigências inclui limitar mísseis balísticos, reduzir ou encerrar o apoio iraniano a grupos armados na região e rever o patrocínio de organizações vistas como insurgentes ou terroristas, a depender de quem descreve.

Na prática, Washington tenta transformar a negociação do programa nuclear em uma mesa mais ampla, que redesenha o papel do Irã no Oriente Médio. Isso aumenta a dificuldade de qualquer acordo.

De um lado, Teerã insiste em manter o que considera seu direito soberano de enriquecimento. De outro, os Estados Unidos querem vincular o alívio de pressão não só ao programa nuclear, mas ao comportamento regional e ao arsenal de mísseis. Encontrar meio-termo nesse cenário é politicamente caro para ambos.

Irã enfraquecido tenta parecer forte

Enquanto negocia, o regime iraniano fala para dois públicos ao mesmo tempo: a comunidade internacional e sua própria população.

O líder supremo, Ali Khamenei, insiste em dizer que o país “não vai se curvar às pressões”, tentando projetar firmeza diante da ameaça americana.

Internamente, a situação é bem menos sólida. O Irã enfrentou protestos gigantescos duramente reprimidos, com milhares de mortos segundo estimativas, deixando o regime no ponto mais frágil desde a Revolução de 1979.

Além da crise social, há desgaste econômico e militar. Na chamada Guerra dos 12 dias contra Israel, boa parte da infraestrutura de defesa aérea e instalações ligadas ao programa nuclear foi atacada, além de quadros importantes da liderança militar terem sido mortos.

Os substitutos não têm a mesma experiência nem o mesmo peso político. Trump enxerga exatamente aí a janela de oportunidade para pressionar o Irã quando ele está mais fraco por dentro e por fora.

Rússia atolada na Ucrânia, China entrando em cena

A possibilidade de reação de grandes potências a um ataque americano também pesa nos cálculos. A Rússia, envolvida na guerra contra a Ucrânia, dependeu dos drones iranianos e hoje está mais limitada para defender Teerã com a mesma intensidade de antes.

Quem ocupa parte desse espaço é a China. Há relatos de aviões cargueiros militares chineses voando com transponders desligados até o Irã, levando sistemas de defesa aérea e equipamentos eletrônicos para embaralhar sinais de GPS de bombas e aviões americanos.

É um apoio discreto, sem anúncio oficial, que mostra mudança gradual de postura, mas ainda insuficiente para afastar o risco de ataque americano.

Na prática, o recado é simples: China ajuda a reforçar a defesa iraniana, mas não oferece o tipo de garantia que impediria Trump de atacar o programa nuclear se a Casa Branca considerar isso vantajoso.

Bases, refinarias e o risco de explosão no preço do petróleo

A grande incógnita é o alvo. Se os Estados Unidos optarem por uma ofensiva, os primeiros objetivos prováveis são instalações do programa nuclear, bases militares e pontos-chave da liderança política e religiosa. Nessa lista, o próprio aiatolá Khamenei é mencionado pelos americanos como alvo “legítimo” em cenário de ataque.

A resposta iraniana, por sua vez, tende a mirar Israel e bases americanas na região. Só isso já seria suficiente para manter os mercados em alerta. Não por acaso, o preço do barril de petróleo já começou a subir com a simples expectativa de conflito.

O risco maior aparece se o confronto deixar de ser cirúrgico. Se as bombas atingirem infraestrutura petrolífera do Irã, ou se Teerã retaliar mirando refinarias e instalações de países vizinhos, o quadro muda de patamar.

Nesse cenário, o preço do petróleo pode disparar e permanecer alto por muito mais tempo, com impacto direto sobre inflação, custo de energia e transporte no mundo todo.

Ou seja, uma ofensiva contra o programa nuclear iraniano pode rapidamente transbordar para o bolso de consumidores e empresas muito além do Oriente Médio.

Congresso, Suprema Corte e os limites internos de Trump

Do lado americano, a discussão não é apenas geopolítica. Ela é também jurídica e institucional. Pela Constituição dos Estados Unidos, a declaração de guerra é prerrogativa do Congresso, não exclusiva do presidente.

Ataques pontuais e operações restritas vêm sendo usados há décadas com interpretações flexíveis da lei, mas um ataque amplo contra o Irã se aproxima de um ato de guerra em sentido clássico.

Recentemente, a Suprema Corte considerou ilegais algumas ações econômicas de Trump feitas sem aval do Congresso, o que reabriu o debate sobre até que ponto o presidente pode “esticar a corda” em temas sensíveis.

Há inclusive republicanos dispostos a apoiar propostas democratas para limitar o uso da força contra o Irã, o que mostra que a divisão não é apenas entre partidos, mas dentro da própria base conservadora.

Esse cenário pesa ainda mais em ano de eleições de meio de mandato. Parte do movimento que apoia Trump não vê com bons olhos uma nova aventura militar, o que pode afetar participação nas urnas se o presidente insistir em um ataque impopular.

Europa, P5+1 e a pressão para um novo acordo

Na Europa, a postura é ambígua. Países que fizeram parte do P5+1 ajudaram a construir o acordo de 2015 e viram os Estados Unidos deixarem o entendimento logo no início do primeiro mandato de Trump.

Eles reconhecem que o Irã violou limites de enriquecimento ligados ao programa nuclear, mas ao mesmo tempo sabem que um conflito aberto na região aumentaria a instabilidade e o preço da energia em toda a economia global.

Por isso, muitos governos ocidentais apoiam a pressão sobre Teerã, mas preferem que ela leve a um novo acordo, não a uma guerra.

O desafio é convencer um regime que se sente acuado, mas ainda assim insiste em não parecer fraco, a aceitar concessões importantes em seu programa nuclear em troca de alívio de sanções e sobrevivência política.

Programa nuclear, poder regional e uma escolha de alto custo

No fim, a disputa em torno do programa nuclear iraniano é mais do que uma discussão técnica sobre porcentagem de enriquecimento de urânio.

Ela é um teste de força. Para o Irã, recuar demais pode soar como admitir fraqueza diante do “grande Satã”. Para Trump, recuar pode parecer abrir mão de um momento único para reconfigurar o equilíbrio de poder no Oriente Médio.

O dilema é que cada passo a mais em direção a um ataque militar aumenta o risco de um choque maior no sistema energético global, justamente em um momento em que o mundo é altamente dependente do petróleo da região.

A decisão, portanto, não se mede apenas em termos de mísseis e centrifugadoras, mas em empregos, inflação e custo de vida planeta afora.

E você, acredita que os Estados Unidos devem atacar o programa nuclear do Irã mesmo com o risco de explosão no preço do petróleo, ou é melhor insistir em um novo acordo, por mais difícil que ele seja?

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Carla Teles

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