Pesquisadores da universidade RMIT da Austrália adicionaram apenas 1% de bitucas de cigarro a argila e o tijolo ficou mais leve, isolou melhor o calor é gastou até 60% menos energia para ser fabricado
Todo ano, fumantes do mundo inteiro descartam aproximadamente 4,5 trilhões de pontas de cigarro, são o item de lixo mais encontrado em praias, calçadas é bueiros do planeta. Cada bituca contem mais de 7 mil substancias químicas, incluindo metais pesados como chumbo, arsênio é cádmio.
Quando jogada no chão, uma única ponta de cigarro pode contaminar até 40 litros de água, até agora, ninguém sabia o que fazer com esse lixo em escala global.
Até que o professor Abbas Mohajerani, da universidade RMIT em Melbourne, na Austrália, teve uma ideia que parece absurda: enfiar as bitucas dentro de tijolos, e funcionou.
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O experimento: 1% de bitucas muda tudo
A equipe de Mohajerani adicionou bitucas trituradas a argila usada na fabricação de tijolos.
A proporção era minima: apenas 1% do volume total.
Os tijolos foram queimados no forno como qualquer tijolo convencional.
O resultado surpreendeu os pesquisadores.
Os tijolos com bitucas ficaram mais leves do que os normais, porque o material orgânico do cigarro evapora durante a queima é deixa microporos na estrutura.
Esses poros também melhoraram o isolamento térmico, porque o ar preso dentro deles funciona como barreira contra o calor.
Mas a descoberta mais importante foi outra.
O forno gastou até 58% menos energia para queimar os tijolos com bitucas.
Isso porque o material orgânico do cigarro serve como combustível adicional durante a queima, reduzindo o consumo de gás.

As substâncias tóxicas ficam presas dentro do tijolo
A grande preocupação era obvia: e os químicos tóxicos do cigarro?
Os testes mostraram que as altas temperaturas do forno, acima de 1.000 graus Celsius, destroem a maior parte das substancias organicas.
Os metais pesados que sobrevivem ficam encapsulados dentro da estrutura cerâmica do tijolo.
Em outras palavras, ficam presos. Não vazam para o ambiente.
Os tijolos passaram nós testes de lixiviacao, que medem se substancias tóxicas escapam do material quando exposto a água.
Segundo Mohajerani, o processo de vitrificação da argila no forno cria uma espécie de prisao quimica para os contaminantes.
O problema de escala: como coletar trilhões de bitucas
Se a tecnologia funciona, por que ainda não estamos construindo com tijolos de cigarro?
O maior desafio é logistico.
Coletar, transportar é processar bilhões de bitucas exige uma infraestrutura que ainda não existe.
Programas de coleta seletiva para pontas de cigarro são raros e mal organizados na maioria dos países.
A empresa americana TerraCycle já opera programas de reciclagem de bitucas em alguns países, mas a escala ainda é pequena.
Para que a ideia funcione globalmente, seria necessário criar postos de coleta em bares, restaurantes, escritorios é espaços publicos.
Os números que fazem a conta fechar
- 4,5 trilhões de bitucas descartadas por ano no mundo
- 1% de bitucas na mistura já muda as propriedades do tijolo
- 58% menos energia na queima
- Tijolo mais leve e com melhor isolamento térmico
- Metais pesados encapsulados na cerâmica apos queima a 1.000 graus
Se apenas 2,5% da produção mundial de tijolos incorporasse 1% de bitucas, toda a produção anual de lixo de cigarro seria absorvida.
E o custo adicional seria próximo de zero, já que o material é literalmente lixo que hoje vai para aterros ou para o oceano.
Uma ideia simples demais para ser ignorada
A tecnologia ainda não chegou ao mercado de forma comercial.
Faltam regulamentacoes, testes de longo prazo é investimento em cadeia de coleta.
Mas a ciência já provou que funciona.
Um dos maiores poluentes do planeta pode virar material de construção mais eficiente que o original.
E como se o lixo que jogamos no chão pudesse, literalmente, virar a parede da próxima casa.

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