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Pesquisadores australianos descobriram que adicionar pontas de cigarro a argila dos tijolos os torna mais leves, com melhor isolamento térmico e gasta até 60% menos energia para fabricar, e no mundo são descartadas 4,5 trilhões de bitucas por ano

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 22/04/2026 às 18:42
Atualizado em 22/04/2026 às 18:45
Tijolos reciclados em linha de produção de fábrica
Tijolos ecológicos fabricados com material reciclado em linha de produção
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Pesquisadores da universidade RMIT da Austrália adicionaram apenas 1% de bitucas de cigarro a argila e o tijolo ficou mais leve, isolou melhor o calor é gastou até 60% menos energia para ser fabricado

Todo ano, fumantes do mundo inteiro descartam aproximadamente 4,5 trilhões de pontas de cigarro, são o item de lixo mais encontrado em praias, calçadas é bueiros do planeta. Cada bituca contem mais de 7 mil substancias químicas, incluindo metais pesados como chumbo, arsênio é cádmio.

Quando jogada no chão, uma única ponta de cigarro pode contaminar até 40 litros de água, até agora, ninguém sabia o que fazer com esse lixo em escala global.

Até que o professor Abbas Mohajerani, da universidade RMIT em Melbourne, na Austrália, teve uma ideia que parece absurda: enfiar as bitucas dentro de tijolos, e funcionou.

O experimento: 1% de bitucas muda tudo

A equipe de Mohajerani adicionou bitucas trituradas a argila usada na fabricação de tijolos.

A proporção era minima: apenas 1% do volume total.

Os tijolos foram queimados no forno como qualquer tijolo convencional.

O resultado surpreendeu os pesquisadores.

Os tijolos com bitucas ficaram mais leves do que os normais, porque o material orgânico do cigarro evapora durante a queima é deixa microporos na estrutura.

Esses poros também melhoraram o isolamento térmico, porque o ar preso dentro deles funciona como barreira contra o calor.

Mas a descoberta mais importante foi outra.

O forno gastou até 58% menos energia para queimar os tijolos com bitucas.

Isso porque o material orgânico do cigarro serve como combustível adicional durante a queima, reduzindo o consumo de gás.

Parede de tijolos ecológicos com textura natural
Parede construida com tijolos ecológicos mostrando textura natural

As substâncias tóxicas ficam presas dentro do tijolo

A grande preocupação era obvia: e os químicos tóxicos do cigarro?

Os testes mostraram que as altas temperaturas do forno, acima de 1.000 graus Celsius, destroem a maior parte das substancias organicas.

Os metais pesados que sobrevivem ficam encapsulados dentro da estrutura cerâmica do tijolo.

Em outras palavras, ficam presos. Não vazam para o ambiente.

Os tijolos passaram nós testes de lixiviacao, que medem se substancias tóxicas escapam do material quando exposto a água.

Segundo Mohajerani, o processo de vitrificação da argila no forno cria uma espécie de prisao quimica para os contaminantes.

O problema de escala: como coletar trilhões de bitucas

Se a tecnologia funciona, por que ainda não estamos construindo com tijolos de cigarro?

O maior desafio é logistico.

Coletar, transportar é processar bilhões de bitucas exige uma infraestrutura que ainda não existe.

Programas de coleta seletiva para pontas de cigarro são raros e mal organizados na maioria dos países.

A empresa americana TerraCycle já opera programas de reciclagem de bitucas em alguns países, mas a escala ainda é pequena.

Para que a ideia funcione globalmente, seria necessário criar postos de coleta em bares, restaurantes, escritorios é espaços publicos.

Os números que fazem a conta fechar

  • 4,5 trilhões de bitucas descartadas por ano no mundo
  • 1% de bitucas na mistura já muda as propriedades do tijolo
  • 58% menos energia na queima
  • Tijolo mais leve e com melhor isolamento térmico
  • Metais pesados encapsulados na cerâmica apos queima a 1.000 graus

Se apenas 2,5% da produção mundial de tijolos incorporasse 1% de bitucas, toda a produção anual de lixo de cigarro seria absorvida.

E o custo adicional seria próximo de zero, já que o material é literalmente lixo que hoje vai para aterros ou para o oceano.

Uma ideia simples demais para ser ignorada

A tecnologia ainda não chegou ao mercado de forma comercial.

Faltam regulamentacoes, testes de longo prazo é investimento em cadeia de coleta.

Mas a ciência já provou que funciona.

Um dos maiores poluentes do planeta pode virar material de construção mais eficiente que o original.

E como se o lixo que jogamos no chão pudesse, literalmente, virar a parede da próxima casa.

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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