O mundo viveu dois choques do petróleo nos anos 70 que paralisaram economias inteiras e agora o terceiro está acontecendo em 2026 com o Irã fechando o Estreito de Ormuz, o barril subindo 61% de US$ 70 para US$ 117 em semanas e o Brasil sentindo no diesel, na gasolina e nas passagens aéreas enquanto o governo cria pacotes bilionários de emergência.
Em 1973, os países árabes cortaram o fornecimento de petróleo para o Ocidente como retaliação pelo apoio a Israel. Portanto, o preço do barril quadruplicou em meses e o mundo nunca mais foi o mesmo.
Em 1979, a Revolução Iraniana interrompeu a produção do segundo maior exportador do mundo. Assim, o barril dobrou e filas quilométricas se formaram em postos de gasolina de Nova York a Tóquio.
Agora, em 2026, o Irã fechou o Estreito de Ormuz — rota de 20% de todo o petróleo do planeta — e o barril disparou de US$ 70 para US$ 117 em poucas semanas. O terceiro choque do petróleo da história está acontecendo.
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De US$ 70 para US$ 117: a alta de 61% que lembra os anos 70
Antes do conflito entre EUA e Irã começar em 28 de fevereiro de 2026, o barril do Brent estava em torno de US$ 70. Dessa forma, o petróleo era considerado relativamente estável.
Com a escalada militar e o fechamento do Estreito de Ormuz, o WTI atingiu US$ 117 e o Brent ultrapassou US$ 113. Portanto, a alta acumulada foi de 61% em semanas.
Para comparar: no primeiro choque (1973), o barril quadruplicou. No segundo (1979), dobrou. Agora, subiu 61% — e a crise ainda não acabou.
Mesmo após a trégua de 5 dias anunciada por Trump, o barril recuou para US$ 94–95 — ainda 35% acima do pré-guerra.

O Estreito de Ormuz controla 20% do petróleo do mundo
O Estreito de Ormuz é um gargalo de apenas 33 km de largura entre o Irã e Omã. Contudo, por ele passam cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente.
Quando o Irã fechou essa rota em resposta aos ataques americanos e israelenses, o efeito foi imediato. Além disso, ataques a refinarias na Arábia Saudita, Kuwait e Catar agravaram a incerteza.
Nos anos 70, o petróleo também foi usado como arma geopolítica. A OPEP embargou exportações para EUA e Europa. Dessa forma, o mundo descobriu sua dependência do Oriente Médio.
Cinquenta anos depois, a dependência continua. E o mesmo roteiro se repete.
Brasil sente no diesel, na gasolina e nas passagens aéreas
No Brasil, o impacto chegou rápido. A ANP registrou alta do diesel S-10 de R$ 6,09 para R$ 6,15 nos primeiros dias do conflito. Contudo, especialistas alertam que o efeito total pode levar até seis meses.
Além disso, a Petrobras cortou a cota mensal de combustíveis para abril de 2026. Por consequência, a Vibra precisou dobrar suas importações de diesel por conta própria.
O governo reagiu com pacotes de emergência: R$ 14 bilhões em subvenções ao diesel, R$ 1 bilhão para companhias aéreas e punições por preços abusivos.

Passagens aéreas e querosene também disparam
O querosene de aviação (QAV) é diretamente atrelado ao petróleo. Portanto, a alta atingiu em cheio as companhias aéreas brasileiras.
O governo criou duas linhas de financiamento: uma via Fundo Nacional de Aviação Civil de até R$ 2,5 bilhões por empresa e outra de curto prazo de R$ 1 bilhão.
Além disso, as tarifas de navegação aérea de abril, maio e junho foram postergadas para dezembro. Portanto, o alívio é temporário.

O que diferencia o terceiro choque dos anteriores
Nos anos 70, o mundo não tinha alternativas. Não havia carros elétricos, energia solar ou eólica em escala. Contudo, mesmo em 2026, com toda a transição energética, o petróleo continua insubstituível para transporte pesado, aviação e petroquímica.
O Brasil tem uma vantagem que não existia antes: é autossuficiente em petróleo bruto. Ainda assim, depende de importação de derivados como diesel e querosene.
Para entender como o ultimato de Trump fez o petróleo disparar para US$ 117, veja a reportagem. Confira também como a Vibra foi obrigada a importar diesel após corte da Petrobras.
A diferença entre 1973 e 2026 é que agora o Brasil produz petróleo suficiente para si. Mas a ironia é que mesmo assim não consegue refinar todo o diesel que consome — e essa dependência de derivados é exatamente o que torna o terceiro choque tão perigoso quanto os anteriores.
