Um sinal raro no universo jovem pode explicar o GRB 250314A e abrir uma nova janela para entender como as primeiras estrelas explodiam.
A busca por eventos extremos no cosmos ganhou um possível marco com o Telescópio Espacial James Webb, que identificou uma fonte de luz no universo primordial compatível com uma supernova muito distante.
O fenômeno pode estar ligado ao GRB 250314A, um estouro de raios gama observado em março, e ajuda a investigar como estrelas e galáxias evoluíram quando o universo ainda era muito jovem.
A estimativa aponta que a explosão aconteceu cerca de 730 milhões de anos após o Big Bang, um período em que esse tipo de registro é raro e valioso para a astronomia.
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O que aconteceu e por que isso chamou atenção
O Webb detectou um brilho associado a uma galáxia muito fraca, com características que podem indicar a presença de uma supernova em uma distância extrema.
A possibilidade chama atenção por ampliar o alcance do telescópio em fenômenos rápidos e energéticos, além de aproximar a ciência de um momento em que o universo tinha apenas 730 milhões de anos.
O evento também se conecta a um tipo de explosão conhecido por liberar energia em grande escala, os estouros de raios gama, que estão entre os fenômenos mais potentes já observados.
O que é o GRB 250314A e como ele foi detectado
O estouro de energia recebeu o nome de GRB 250314A e foi identificado pelo Monitor de Objetos Variáveis Espaciais, um pequeno telescópio de raios X desenvolvido por China e França.
Poucos dias após o alerta inicial, a origem do clarão foi associada a um objeto extremamente distante, existente apenas 730 milhões de anos após o Big Bang.
Como há poucos registros desse tipo dentro do primeiro bilhão de anos do universo, o fenômeno virou uma chance rara de estudar a formação e a morte das primeiras estrelas.

Por que a duração do sinal é tão importante
Estouros curtos de raios gama, com duração de menos de dois segundos, costumam estar ligados à fusão de estrelas de nêutrons, que são restos ultradensos de estrelas mortas.
Já os estouros longos aparecem quando estrelas massivas colapsam e podem formar uma estrela de nêutrons ou um buraco negro, o que se encaixa melhor em cenários de supernova.
No caso do GRB 250314A, o pico inicial durou cerca de 10 segundos, o que o coloca na categoria de longa duração e reforça a hipótese de explosão de uma estrela massiva.
Como os cientistas separaram o brilho do fenômeno
Mesmo quando o estouro de raios gama dura pouco, ele deixa um resplendor que vai desaparecendo, com emissão em raios X, luz óptica, rádio e infravermelho por vários dias.
Para entender a origem do brilho observado, foi necessário distinguir o que vinha do resplendor, da possível supernova e da galáxia anfitriã.
O GRB 250314A gerou resplendor infravermelho e de raios X, mas esse sinal já havia enfraquecido quando o Webb observou a região meses depois, indicando que outra fonte ainda contribuía para a luz medida.
O que essa possível supernova diz sobre as primeiras estrelas
O brilho de uma supernova depende da quantidade de material radioativo expulso, fator influenciado pela massa do núcleo da estrela no momento da explosão.
Há expectativa de que estrelas do universo primordial tivessem núcleos mais massivos do que os observados hoje, o que tornaria esse evento um laboratório natural para estudar essas condições iniciais.
Apesar disso, a comparação com supernovas próximas mostrou uma semelhança surpreendente com explosões estelares modernas, levantando a possibilidade de que as estrelas em explosão no universo jovem não sejam tão diferentes quanto se imagina.
O que pode acontecer a partir de agora
Para confirmar a natureza do evento, ainda é necessário reavaliar quanto da luz observada veio da própria supernova e quanto pode ter vindo do resplendor ou da galáxia anfitriã.
Há planos de novas observações no próximo ano, quando o brilho da supernova já tiver desaparecido, o que deve facilitar a separação das diferentes contribuições e fortalecer a interpretação do fenômeno.
Se a leitura for confirmada, o Telescópio James Webb terá registrado uma supernova em um momento muito próximo do início do cosmos, com a marca de 730 milhões de anos após o Big Bang.
Além de esclarecer a origem do GRB 250314A, o avanço pode ajudar a entender como as primeiras estrelas morriam e como isso influenciou a evolução das primeiras galáxias.

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