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Com até 3 toneladas de massa, quase 3 metros de comprimento e mergulhos que passam dos 1.280 metros, a Tartaruga-de-couro se destaca como o maior réptil marinho e uma das mergulhadoras mais profundas do oceano

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 19/01/2026 às 16:55
Atualizado em 20/01/2026 às 21:13
Assista o vídeoCom até 3 toneladas de massa, quase 3 metros de comprimento e mergulhos que passam dos 1.280 metros, a Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) se destaca como o maior réptil marinho e uma das mergulhadoras mais profundas do oceano
Com até 3 toneladas de massa, quase 3 metros de comprimento e mergulhos que passam dos 1.280 metros, a Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) se destaca como o maior réptil marinho e uma das mergulhadoras mais profundas do oceano
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A tartaruga-de-couro alcança 3 toneladas, quase 3 metros e mergulha além de 1.280 m, tornando-se o maior réptil marinho e um dos maiores mergulhadores do oceano.

Quem observa uma tartaruga-marinha comum em superfície dificilmente imagina que exista um réptil capaz de unir gigantismo, velocidade, fisiologia oceânica avançada e mergulhos extremos. Mas essa combinação existe e tem nome científico: Dermochelys coriacea, mais conhecida como tartaruga-de-couro.

Fontes oficiais como NOAA, Marine Biology, IUCN e Marine Mammal Science documentam que essa espécie alcança até 3 toneladas, mede entre 1,5 e 2,8 metros, apresenta hidrodinâmica excepcional e mergulha além de 1.280 metros de profundidade, uma zona onde a pressão ultrapassa 130 atmosferas e a luz desaparece por completo. Essa capacidade coloca o animal no topo dos recordes entre os répteis marinhos, nenhum outro réptil vivo conhecido combina massa corporal, metricidade oceânica e alcance batimétrico dessa magnitude.

Como um réptil consegue mergulhar mais de 1.200 metros?

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Para entender o feito, é preciso observar as adaptações anatômicas e bioquímicas documentadas em pesquisas oceanográficas:

Fisiologia pulmonar colapsável:
Ao iniciar o mergulho, os pulmões colapsam parcialmente, expulsando o ar e reduzindo o risco de barotrauma e embolias gasosas, fenômeno semelhante ao observado em cetáceos mergulhadores.

Sangue rico em mioglobina:
A espécie possui altas concentrações de mioglobina, proteína capaz de estocar oxigênio em tecidos musculares, prolongando a atividade aeróbica mesmo sem respirar.

Regulação térmica única entre répteis:
A Dermochelys coriacea mantém um sistema conhecido como gigantothermy, que permite conservar calor graças ao grande volume corporal, possibilitando nadar em águas polares com temperaturas de 0 °C a 5 °C — algo extremamente raro entre répteis.

Caixa torácica altamente flexível:
A carapaça de couro não é rígida como a das outras tartarugas: flexiona, amortece pressão e melhora hidrodinâmica

Essa estrutura reduz danos estruturais em zonas de alta pressão.

O que ela busca tão fundo no oceano?

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A resposta está na dieta. A tartaruga-de-couro é especialista em águas profundas, alimentando-se principalmente de medusas e tunicados, que se concentram em profundidades batimétricas.

Estudos publicados por Marine Biology e NOAA Fisheries mostram que indivíduos podem cruzar o Atlântico inteiro impulsionados por:

  • ciclos de medusas sazonais,
  • correntes frias,
  • ressurgências oceânicas.

Isso explica registros impressionantes como:

  • 40.000 km percorridos em uma única migração,
  • mergulhos contínuos entre 200 e 1.000 metros,
  • picos documentados de ~1.280 metros.

Migradora oceânica: uma latitude, vários ecossistemas

A Dermochelys é cosmopolita, registrada em praticamente todos os grandes mares do planeta, incluindo:

  • Pacífico Norte,
  • Pacífico Sul,
  • Atlântico Norte,
  • Atlântico Sul,
  • Mar Mediterrâneo.

A IUCN classifica a espécie como Vulnerável a Criticamente Ameaçada dependendo da população regional. Entre as principais ameaças estão:

  • captura incidental em palangres e redes derivantes,
  • ingestão de plásticos confundidos com medusas,
  • aquecimento de praias de desova,
  • colheita de ovos para consumo humano,
  • poluição e contaminação química.

Por que ela é cientificamente tão fascinante?

Porque a tartaruga-de-couro viola expectativas biológicas típicas de répteis, como:

  • necessidade de calor externo,
  • dificuldade em ecosistemas frios,
  • limitação de capacidade aeróbica.

Em vez disso, ela:

  • retém calor,
  • atravessa o Pacífico,
  • mergulha mais longe que muitos cetáceos,
  • opera em ambientes hadopelágicos.

Esse perfil torna a espécie um modelo biológico de estudo para:

  • mergulho extremo,
  • evolução térmica de répteis,
  • transporte oceânico,
  • ecologia trófica profunda.

No limite entre gigantismo e profundidade

A Dermochelys coriacea é, em essência, um animal que mistura eras em um só corpo:

  • réptil como dinossauros,
  • migradora como peixes-espada,
  • mergulhadora como baleias-bico,
  • climatizada como mamíferos marinhos.

Por isso, permanece uma das peças mais enigmáticas e impressionantes da engenharia biológica natural.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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