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Supermercados em SP abrem quase 3 mil lojas, somam 36 mil vagas e correm para trocar escala 6×1 por 5×2, aliviar jornada e atrair jovens que rejeitam trabalho pesado hoje

Escrito por Carla Teles
Publicado em 06/02/2026 às 19:39
Atualizado em 06/02/2026 às 19:42
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Supermercados em SP trocam escala 6×1 por escala 5×2 para tornar o trabalho em supermercados mais atrativo e abrir vagas em supermercados.
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Com a abertura de quase 3 mil novos supermercados em São Paulo e mais de 36 mil vagas em aberto, redes correm para aliviar a jornada, testar escala 5×2 e criar benefícios para convencer jovens que rejeitam trabalho pesado e rotina engessada.

Os supermercados vivem um boom de expansão em São Paulo, mas, ao mesmo tempo, encaram um problema que não se resolve com promoção na gôndola. Segundo dados do setor, quase 3 mil novas lojas foram abertas recentemente no estado e existem mais de 36 mil vagas de trabalho em supermercados ainda abertas. Só na região de Ribeirão Preto, são cerca de 3 mil oportunidades. Mesmo assim, sobram prateleiras cheias de vagas e faltam candidatos dispostos a encarar a rotina.

O que travou não foi o número de empregos, e sim a disposição para o modelo tradicional. Jornada diária de mais de 7 horas, escala 6×1, apenas uma folga por semana e salário inicial em torno de R$ 2.000 fazem muita gente desistir. Ao mesmo tempo, cresce a concorrência de trabalhos mais flexíveis, como o diarista que recebe por dia ou quem faz bicos para completar a renda. Diante disso, os supermercados estão mudando: testam escala 5×2, afrouxam exigências de escolaridade, criam universidade corporativa e discutem até a regulamentação do trabalho por hora para não ficarem para trás.

Supermercados crescem, geram emprego, mas não enchem as vagas

O setor de supermercados em São Paulo vive uma das maiores ondas de crescimento dos últimos anos. Nos nove primeiros meses de 2025, quase 3 mil supermercados foram abertos no estado, um aumento de 40 por cento em relação ao mesmo período de 2024. Ao mesmo tempo, o número de vagas formais disparou.

Hoje, são mais de 36 mil vagas em supermercados em aberto em todo o estado. Na região de Ribeirão Preto, por exemplo, as redes somam cerca de 3 mil oportunidades.

Ainda assim, gerentes e equipes de recursos humanos relatam dificuldade para contratar e, principalmente, para manter funcionários por mais tempo nos supermercados.

Em muitos casos, o problema aparece já na entrevista. Quando o candidato descobre a escala e a rotina dos supermercados, desanima. A imagem de trabalho pesado, jornada longa e pouca folga pesa cada vez mais na decisão dos mais jovens.

Por que as vagas em supermercados ficam encalhadas

Os motivos para sobrar vaga em supermercados começam pela conta simples da rotina e do bolso. Em boa parte das redes, a jornada diária é de 7h20 de trabalho, com apenas uma folga por semana, na famosa escala 6×1. Para quem cresceu ouvindo falar em qualidade de vida, isso soa como um pacote pesado.

Do outro lado, existem alternativas imediatas. Um diarista que ganha 200 reais por dia e trabalha 10 dias no mês consegue praticamente o mesmo valor que o funcionário de supermercados recebe trabalhando o mês inteiro em regime seletista.

A comparação direta entre salário, esforço e liberdade de horário faz muita gente optar por bicos e trabalhos informais em vez da carteira assinada nos supermercados.

Especialistas em recursos humanos apontam que o jovem de hoje não aceita mais o formato antigo de trabalho nos supermercados, especialmente quando enxerga opções mais flexíveis. A remuneração conta, mas a organização da jornada e o controle do próprio tempo pesam cada vez mais na escolha.

Escala 5×2: a aposta dos supermercados para aliviar a jornada

Diante do desafio de atrair candidatos, algumas redes de supermercados começaram a mexer na peça mais sensível da equação: a escala.

Redes já anunciaram a transição da escala 6×1 para a escala 5×2, com cinco dias de trabalho e duas folgas na semana.

Na prática, isso significa mais tempo de descanso, mais convivência com a família e espaço para resolver a vida pessoal sem depender apenas do domingo.

Segundo gerentes e equipes de recursos humanos, os primeiros resultados são positivos. Colaboradores relatam que a escala 5×2 melhorou a qualidade de vida, facilitou compromissos como ir ao banco ou resolver documentos e reduziu o desgaste do dia a dia nos supermercados.

Mesmo assim, há consenso de que a mudança de escala sozinha não resolve tudo. Muitos candidatos ainda olham para os supermercados como trabalho pesado e pouco flexível.

É por isso que o setor discute, através de entidades como associações de classe, a regulamentação do trabalho horista nos supermercados, permitindo que o funcionário escolha melhor os horários, a quantidade de dias e até o período de férias, aproximando o modelo do que o jovem busca hoje.

Supermercados relaxam exigências e criam universidade corporativa

Outra mudança importante nos supermercados está no perfil de contratação. Algumas redes já deixaram de exigir escolaridade mínima rígida, focando mais em comportamento, atitude e vontade de aprender.

Para suprir a parte técnica, surgem iniciativas como a universidade corporativa dentro dos supermercados, que forma profissionais para funções específicas como açougueiro, padeiro, repositor de mercadorias, operador de caixa e operador de frios e laticínios.

Com isso, os supermercados conseguem contratar pessoas com menos qualificação formal e desenvolver as habilidades técnicas internamente, ao mesmo tempo em que firmam parcerias para ajudar colaboradores a concluir os estudos.

Esse modelo transforma o ambiente dos supermercados em uma espécie de escola prática. O funcionário entra, aprende uma profissão, cresce na carreira e tem mais chances de promoção. Para quem estava há muito tempo fora do mercado ou nunca teve oportunidade de se qualificar, os supermercados passam a ser também uma porta concreta de recomeço.

Quem os supermercados mais contratam hoje

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Os dados recentes mostram que os supermercados estão se tornando um grande empregador de jovens e também de profissionais mais experientes.

De acordo com levantamentos do setor, jovens de 18 a 24 anos representam 34 por cento das novas contratações nos supermercados, enquanto profissionais de 50 a 64 anos respondem por 24 por cento das admissões.

Isso revela que os supermercados conseguem atrair tanto quem está entrando no mercado quanto quem busca recolocação depois dos 50 anos.

Quando se olha para as funções, o retrato fica ainda mais claro. O operador de caixa lidera com 22 por cento das vagas, o repositor de mercadorias aparece em seguida com 17 por cento, o açougueiro responde por 13 por cento e o operador de frios e laticínios soma 12 por cento.

Em comum, todas essas funções exigem presença constante na loja, contato direto com o cliente e responsabilidade pelo abastecimento das gôndolas.

Ou seja, os supermercados precisam principalmente de pessoas na linha de frente, em funções de atendimento e de abastecimento. São justamente esses postos que exigem ritmo constante, disposição física e jogo de cintura para lidar com o público o tempo todo.

Supermercados como porta de entrada e de crescimento na carreira

No meio dos números, histórias individuais mostram o impacto que os supermercados podem ter na vida de quem encontra uma vaga.

A Juliana, por exemplo, estava desempregada há um ano quando viu uma oportunidade em um supermercado perto de casa.

Entregou o currículo, foi chamada para trabalhar como operadora de caixa e, em sete meses, foi promovida a assistente fiscal de caixa. A proximidade com o trabalho ajudou na rotina, e a chance de crescer na mesma rede foi decisiva para ela ficar.

Casos assim mostram que, mesmo com jornada exigente, os supermercados ainda são um dos poucos setores que contratam em massa, dão oportunidade para quem tem pouca experiência e oferecem caminhos reais de promoção interna. Para muita gente, é a chance de sair do desemprego, aprender uma profissão e construir uma trajetória.

O futuro do trabalho nos supermercados passa por flexibilidade

No fim das contas, o setor de supermercados em São Paulo vive um paradoxo. Há expansão, abertura de lojas, dezenas de milhares de vagas disponíveis, mas falta gente disposta a assumir a rotina tradicional.

Do outro lado, existe uma geração de trabalhadores que quer renda, mas também quer liberdade de horário, qualidade de vida e possibilidade de escolher como e quando trabalhar.

Entre a escala 6×1 e a escala 5×2, entre o mensalista e o diarista, entre o emprego fixo e o trabalho por hora, os supermercados vão precisar se reinventar para não ficarem com gôndola cheia e quadro de funcionários vazio.

E você, trabalharia em supermercados com escala 5×2 se o salário e os benefícios compensassem ou só aceitaria se os supermercados adotassem um modelo de trabalho por hora mais flexível?

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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