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Stellantis apostou tudo nos carros elétricos para 2030, mas agora enfrenta impacto de € 22 bilhões e cancela duas novas fábricas

Escrito por Ana Alice
Publicado em 19/02/2026 às 01:34
Atualizado em 19/02/2026 às 01:37
Stellantis revisa plano elétrico, reconhece impacto de € 22,2 bilhões e cancela gigafábricas na Europa após queda na demanda.
Stellantis revisa plano elétrico, reconhece impacto de € 22,2 bilhões e cancela gigafábricas na Europa após queda na demanda.
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Montadora revisa estratégia de eletrificação, registra impacto bilionário nas contas e cancela projetos industriais na Europa, após desaceleração da demanda por veículos elétricos e reavaliação de investimentos previstos para o fim da década.

A Stellantis revisou seu plano de eletrificação e reconheceu um impacto contábil de € 22,2 bilhões relacionado à reavaliação de ativos e projetos ligados a veículos elétricos.

O anúncio foi seguido por forte reação do mercado.

Em 6 de fevereiro, as ações do grupo chegaram a cair cerca de 27% em um único dia, após a divulgação das novas projeções financeiras.

A empresa já havia estabelecido metas ambiciosas para o fim da década.

O objetivo era vender apenas carros totalmente elétricos na Europa até 2030 e fazer com que esses modelos representassem metade das vendas nos Estados Unidos no mesmo período.

No entanto, o avanço da demanda ficou abaixo do ritmo inicialmente estimado pela companhia e por outras montadoras do setor.

A desaceleração levou à revisão de investimentos e à interrupção de projetos considerados estratégicos até então.

Impacto financeiro e revisão de ativos

O montante de € 22,2 bilhões reúne efeitos contábeis e financeiros decorrentes da revisão de planos industriais e comerciais.

Parte relevante do valor corresponde à reprecificação de ativos e à projeção de receitas que deixarão de ser contabilizadas com a redução ou cancelamento de programas.

Além disso, a Stellantis informou que € 6,5 bilhões representam saídas de caixa previstas para os próximos quatro anos.

Esses valores estão associados a cancelamentos contratuais, reestruturações produtivas e outros ajustes operacionais.

Na avaliação de analistas de mercado, anúncios desse porte tendem a impactar diretamente a percepção sobre rentabilidade futura e capacidade de investimento.

A reação imediata das ações refletiu esse cenário.

Em declaração publicada pelo Financial Times, o CEO da Stellantis, Antonio Filosa, afirmou que “os valores anunciados hoje refletem o custo de superestimar o ritmo da transição energética, o que nos distanciou das necessidades, recursos e desejos reais de muitos compradores de carros”.

Gigafábricas de baterias na Itália e Alemanha

A revisão estratégica também atingiu a cadeia de baterias.

A Automotive Cells Company (ACC), joint venture apoiada por Stellantis, Mercedes-Benz e Saft, confirmou o cancelamento das gigafábricas planejadas para Termoli, na Itália, e Kaiserslautern, na Alemanha.

Os dois projetos já estavam suspensos desde 2024, enquanto a empresa reavaliava tecnologia, custos e demanda.

Com a decisão formal de cancelamento, a expansão prevista para esses polos industriais deixa de integrar o planejamento de curto e médio prazo.

A ACC havia estruturado seu capital com participação prevista de 45% para a Stellantis, 30% para a Mercedes-Benz e 25% para a Saft.

A expectativa inicial era construir três grandes unidades de produção de células de bateria na Europa.

Enquanto isso, a planta francesa de Billy-Berclau/Douvrin segue em operação com capacidade inicial anunciada de 13 GWh.

A ampliação futura permanece condicionada ao comportamento do mercado e à viabilidade econômica dos investimentos.

Estratégia de eletrificação e metas para 2030

Desde sua criação, em 2021, a Stellantis adotou a eletrificação como eixo central de sua estratégia.

O grupo nasceu da fusão entre Fiat Chrysler Automobiles e PSA, reunindo 14 marcas e ampliando presença em diferentes regiões.

(Imagem: Reprodução/Motor1)
(Imagem: Reprodução/Motor1)

Nos primeiros anos, a empresa registrou margens consideradas elevadas para o setor automotivo.

A racionalização de plataformas e a padronização de componentes fizeram parte do plano para sustentar a rentabilidade enquanto avançava na transição tecnológica.

Entretanto, o crescimento das vendas de veículos elétricos não ocorreu de maneira homogênea entre mercados.

Questões como preço final, autonomia e infraestrutura de recarga passaram a influenciar de forma decisiva o ritmo de adoção.

Especialistas do setor automotivo apontam que a combinação entre metas regulatórias rígidas e consumidores mais sensíveis a custo tornou o cenário mais complexo do que o previsto inicialmente por diversas montadoras globais.

Mudanças em marcas e portfólio global

Nos Estados Unidos, a Stellantis ampliou a oferta de modelos eletrificados, incluindo o Fiat 500e.

Ao mesmo tempo, promoveu mudanças na linha de picapes da Ram, com a retirada gradual do motor Hemi V8 em parte dos modelos a partir de 2025.

No segmento de luxo, a Maserati anunciou em março de 2025 o cancelamento do projeto do esportivo elétrico MC20 Folgore, citando expectativa de demanda limitada.

Na mesma ocasião, o grupo registrou um ajuste contábil relacionado à marca italiana.

Essas decisões integram um processo mais amplo de revisão de portfólio.

A empresa busca adequar a oferta à procura efetiva do mercado, em um contexto de concorrência crescente e mudanças regulatórias.

Na União Europeia, a proibição da venda de veículos novos com motor a combustão a partir de 2035 permanece formalmente estabelecida, ainda que regras intermediárias tenham sido flexibilizadas após pressão do setor.

Diante desse ambiente, a Stellantis passa por uma fase de recalibração estratégica, com foco na sustentabilidade financeira dos projetos e na adaptação ao ritmo real de transição energética.

A reconfiguração em curso indica que a empresa continuará ajustando investimentos e capacidade produtiva conforme o desempenho do mercado.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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