Corrida pela lua ganha um novo ritmo com Starship Flight 12 em checagens finais e Blue Origin relançando o booster do New Glenn em cerca de 157 dias, enquanto o pousador Blue Moon entra no plano para chegar à lua.
A corrida pela lua ganhou um novo ritmo nos últimos dias: o Starship Flight 12 está cada vez mais perto de decolar, com as duas etapas já aprovadas em testes estáticos e agora passando por checagens finais de pré voo. Ao mesmo tempo, a Blue Origin realizou um feito que muda o tom da disputa ao relançar um booster do New Glenn em um intervalo curto e sinalizar que quer encurtar o caminho até a lua com pressão máxima.
O contraste é claro. De um lado, a SpaceX refina detalhes que parecem pequenos, mas dizem muito sobre maturidade técnica, como a forma controlada de desligar 33 motores sem estressar a estrutura. Do outro, a Blue Origin mostra que a fase “passo a passo” está dando lugar a um comportamento mais agressivo, com planos que conectam foguete, pousador e até produção de recursos para sustentar operações na lua.
Starship Flight 12 entra na fase de checagens finais
O Starship Flight 12 se aproxima com um sinal forte: as duas etapas já passaram pelos testes estáticos e voltaram para a linha de produção para inspeções finais. A nave Ship 29 realizou um teste estático completo de 60 segundos em Masseys, enquanto o Booster 19 fez um teste de cerca de seis segundos no pad 2 com 33 motores Raptor 3.
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Um detalhe chamou atenção no Booster 19: o desligamento dos motores não parece ocorrer de uma vez. A sequência indica um corte de empuxo em etapas, o que faz sentido para reduzir picos de pressão e estresse em tubulações, estrutura de empuxo e fuselagem. Quando a engenharia começa a “coreografar” o desligamento, é porque está tentando eliminar risco no nível mais fino, e isso costuma ser um recado importante antes de uma missão crítica.
Na sequência, o Booster 19 foi levantado pelos chopsticks, exibindo uma visão limpa da base com os 33 motores, sem sinais visíveis de danos ou deslocamentos. Depois, voltou para o complexo de produção e entrou em inspeção de pré voo.
Sinais que indicam quando a janela de voo vai abrir
O que observar agora, segundo a própria leitura apresentada na base, é simples e prático. Um sinal é o movimento de caminhões tanque abastecendo reservas de propelente, porque isso costuma indicar preparação real para tentativa de lançamento. Outro sinal é qualquer postagem com timing específico, ainda que a linha do tempo possa escorregar.
Há também um indicativo operacional que costuma antecipar passos: fechamentos de estrada ligados a testes e movimentações na região. E, no meio disso, veio uma frase objetiva atribuída a Elon Musk: o Starship V3, booster e nave, estariam prontos para o primeiro voo de teste em “algumas semanas”. Esse tipo de frase não costuma errar o estado do hardware, mas pode errar a data exata, o que mantém a lua como alvo, mas sem prometer relógio.
Um mistério em McGregor que aponta para a lua
Enquanto os olhos estão no pad 2, surgiu um enigma em McGregor, local tradicional de testes de propulsão. Apareceu uma grande estrutura branca, parecida com uma tenda, descrita como alta e longa, com dimensões que lembrariam uma etapa superior de Starship. Em uma noite recente, ela estava ventilando vapor branco, típico de operações com líquidos criogênicos em ebulição.
A leitura apresentada na base deixa claro que o palpite é especulativo: pode ser um novo arranjo de testes ligado a propulsão e, possivelmente, a hardware de pouso voltado para a lua. A hipótese citada é um ambiente de testes para propulsores do HLS, a variante de Starship do programa Artemis, que precisa de propulsores de pouso posicionados mais acima para reduzir a poeira levantada durante a descida na lua.
O ponto central não é cravar o que é, e sim perceber que algo está sendo escondido e que envolve criogênicos, altura e propulsão, combinação que costuma aparecer quando a conversa vira pouso lunar.
Blue Origin relança o booster do New Glenn e muda o tom da corrida pela lua
Na madrugada de domingo, o New Glenn decolou novamente com um marco importante: foi a primeira vez que um lançamento do foguete usou um booster que já tinha voado. O booster em questão já tinha ido ao espaço em novembro de 2025, pousado no drone ship e agora voou de novo com sucesso.
O intervalo citado para esse retorno foi de cerca de 157 dias, um número que chama atenção porque coloca pressão psicológica na disputa de reutilização. Não é apenas sobre voar, é sobre voltar e voar de novo antes do concorrente conseguir “respirar”.
Mas há um asterisco técnico que aparece na própria base: a Blue Origin retirou os sete motores BE4 do booster retornado e instalou unidades novas, inclusive para testar upgrades, como um novo sistema de proteção térmica em um bocal. A justificativa também vem da base: o BE4 é potente e ainda jovem em operação, com histórico de voo mais curto, então a estratégia é ser conservadora, voar a estrutura, estudar os motores recuperados e só depois colocá-los de volta em missões futuras.
Mesmo assim, o recado é claro: a Blue Origin quer chegar à lua ferocemente, mesmo que isso signifique atalhos onde for possível.
A lua como destino: Blue Moon Mark 1, Mark 2 e o atalho sem reabastecimento orbital
A parte mais direta do plano lunar aparece no pousador. O Blue Moon Mark 1, com o primeiro modelo de voo apelidado de Endurance, é descrito como um pousador robótico de grande porte, com pouco mais de 8 metros de altura, cerca de 3 metros de largura e aproximadamente 21 toneladas abastecido.
Ele usa um motor BE7 com hidrogênio líquido e oxigênio líquido e teria capacidade para entregar 3.000 kg de carga em qualquer ponto da lua, pousando a cerca de 100 metros do alvo.
O Endurance completou testes térmicos em vácuo no início de abril, em uma câmara alta, com ciclos que simulam condições de superfície lunar, e agora segue para a Flórida para integração final. Esse tipo de teste não é vitrine, é tortura controlada de hardware, e passar por ele coloca o projeto em outro patamar de prontidão.
A base também conecta isso ao desafio do HLS: antes de levar astronautas à lua, a SpaceX precisa demonstrar reabastecimento orbital, algo essencial para a arquitetura do HLS. Já o Mark 1 é descrito como arquitetura de um único lançamento, sem frota de tanques e sem sequência apertada de voos, o que pode virar vantagem se cronogramas apertarem.
Além disso, apareceu um vislumbre de um mockup do Mark 2 na fábrica, e foi sugerida a ideia de uma versão intermediária, chamada informalmente de Mark 1.5, que poderia manter porte parecido com o Mark 1, mas com capacidade de levar tripulação, reduzindo a dependência de reabastecimento orbital para uma missão tripulada à lua. É um cenário apresentado como possibilidade, mas ele existe por um motivo: se alguém pousar hardware operacional na lua primeiro, o debate muda.
Oxigênio do solo lunar: o plano que promete baratear a lua, com ressalvas
A Blue Origin também mostrou um conceito de refinaria compacta, chamada Air Pioneer, para extrair oxigênio do regolito lunar. A ideia descrita é aquecer o material até cerca de 1.600 graus Celsius para torná-lo condutivo e, então, usar corrente elétrica para separar oxigênio dos minerais, gerando oxigênio respirável e deixando subprodutos como ferro, alumínio e silício.
O argumento de impacto é direto: o regolito lunar teria algo como 40% a 45% de oxigênio em massa, e produzir oxigênio localmente poderia reduzir custos de pouso na lua em até 60%, porque o oxigênio é também o oxidante do combustível e você não precisaria transportar tanto material da Terra.
As ressalvas também estão na base: o sistema teria sido testado em simulante, não em regolito real, não há números publicados de produção e uma demonstração em ambiente terrestre com simulação de vácuo lunar estaria planejada para este ano. A promessa é grande, mas a métrica ainda não apareceu, e é isso que vai separar conceito de capacidade real.
O que muda na corrida pela lua a partir daqui
A diferença de cadência continua enorme. A base cita que a SpaceX voou 165 foguetes no ano passado, enquanto a Blue Origin ainda soma três voos do New Glenn.
Só que o cenário psicológico mudou: a Blue Origin agora aparece como a segunda empresa a reutilizar um booster orbital, tem um pousador lunar grande quase pronto e está exibindo um pacote de ideias que aponta para permanência, não só visita, na lua.
No fim, o centro da disputa deixa de ser apenas “quem lança mais” e passa a ser “quem consegue colocar a peça certa no lugar certo”. Porque, na corrida pela lua, o que decide não é o foguete em si, é o que encosta e funciona na superfície.
Na sua opinião, quem chega com força primeiro à lua: o Starship com o Flight 12 abrindo caminho ou a Blue Origin acelerando com New Glenn e Blue Moon?


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