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Medindo 3,6 metros e mergulhando a quase 800m de profundidade, em águas de frio extremo e com pouco oxigênio, o tubarão-martelo-recortado desafia a biologia ao prender a respiração para caçar, revelando uma estratégia inédita entre grandes predadores marinhos

Publicado em 02/02/2026 às 15:32
Assista o vídeoPesquisa publicada na Science indica que tubarões-martelo-recortados podem prender a respiração durante mergulhos profundos, mantendo o corpo aquecido enquanto caçam.
Pesquisa publicada na Science indica que tubarões-martelo-recortados podem prender a respiração durante mergulhos profundos, mantendo o corpo aquecido enquanto caçam.
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Pesquisa publicada na Science indica que tubarões-martelo-recortados podem prender a respiração durante mergulhos profundos, mantendo o corpo aquecido enquanto caçam.

Um comportamento inesperado pode estar permitindo que os tubarões-martelo-recortados, uma espécie de 3,6 metros, explorem ambientes considerados hostis para a maioria dos peixes.

De acordo com um estudo recente publicado na revista Science, esses animais, tradicionalmente associados a águas quentes, podem prender a respiração durante mergulhos profundos em regiões geladas do oceano.

A pesquisa foi conduzida por cientistas liderados pela Universidade do Havaí e analisou como, onde e por que a espécie consegue caçar em profundidades que ultrapassam centenas de metros.

A descoberta surge em um momento crítico, já que os tubarões-martelo-recortados estão classificados como criticamente ameaçados de extinção.

Tubarão-martelo-recortado: Caçar no frio extremo exige mais do que força

Durante os mergulhos, os tubarões-martelo-recortados descem até cerca de 800 metros para capturar lulas e outros animais que vivem em águas profundas.

Nessas camadas do oceano, a temperatura pode cair drasticamente, criando um ambiente que afeta diretamente funções vitais.

Água fria demais pode comprometer o metabolismo, a atividade do coração e até a visão, reduzindo a eficiência da caça.

Ainda assim, os dados mostram que esses tubarões continuam ativos e precisos nesses ambientes.

A respiração entra no centro da explicação

Normalmente, os tubarões dependem do movimento constante para empurrar água pelas guelras, garantindo a respiração.

No entanto, manter esse fluxo em águas geladas aumenta a exposição ao frio.

É aí que surge a principal hipótese do estudo: ao fechar temporariamente a boca e as guelras, os tubarões-martelo-recortados podem limitar o contato com a água fria, preservando o calor corporal durante os mergulhos.

“Esse tipo de comportamento nunca foi observado em nenhum tipo de peixe que mergulha em profundidade”, afirmou Mark Royer, biólogo especializado em tubarões e líder da pesquisa.

A ideia de retenção da respiração em peixes mergulhadores era considerada improvável até então.

Segundo Royer, a estratégia observada é “completamente inesperada” e levanta dúvidas sobre o quanto ainda se desconhece sobre o comportamento de grandes predadores marinhos.

Além disso, os tubarões-martelo-recortados não possuem adaptações anatômicas conhecidas para conservar calor, ao contrário de espécies como o atum-azul e o tubarão-mako.

A antiga teoria do “corpo grande” perde força

Antes do novo estudo, muitos cientistas acreditavam que esses tubarões mantinham a temperatura apenas graças à inércia térmica, efeito associado ao tamanho corporal.

A bióloga Marianne Porter, da Florida Atlantic University, explicou essa ideia com uma analogia simples:

Gerado por IA

“Imagine que você está tentando descongelar seu peru de 7 kg para o Dia de Ação de Graças: você o tira do freezer e leva muito tempo para descongelar — isso é como a inércia térmica”.

No entanto, os registros obtidos pelos pesquisadores indicam que essa explicação não é suficiente.

Sensores mostram quando o corpo esfria — e quando não

Para testar as hipóteses, a equipe acompanhou seis tubarões-martelo-recortados machos ao redor do Havaí.

Ao longo de várias semanas, os animais realizaram mais de 100 mergulhos, enquanto sensores presos ao corpo — descritos por Royer como um “Fitbit para tubarões” — registravam profundidade, movimento e temperatura muscular.

Os dados revelaram que os tubarões conseguiam manter a temperatura corporal tanto na superfície, com águas em torno de 26,6 °C, quanto em profundidades onde a água chega a cerca de 5 °C.

O resfriamento ocorreu, de forma surpreendente, durante a subida, possivelmente quando os animais voltaram a respirar normalmente.

“Isso não é o que se esperaria com a inércia térmica”, explicou Royer.

Evidências visuais reforçam a hipótese dos tubarões-martelo-recortados

Além dos sensores, outras observações fortalecem a conclusão do estudo. Imagens captadas por veículos operados remotamente mostram um tubarão-martelo-recortado adulto nadando a mais de 900 metros de profundidade com as guelras fechadas.

Já em águas superficiais, registros exibem as fendas branquiais abertas.

Experimentos adicionais, realizados com tubarões mortos expostos a banhos de água quente e fria, também apresentaram resultados compatíveis com a retenção da respiração.

Para Porter, o conjunto de dados é convincente. “É um artigo convincente”, afirmou ela. “Estou convencida”.

O que essa descoberta revela sobre o futuro dos oceanos?

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A capacidade de prender a respiração pode ajudar os tubarões-martelo-recortados a tolerar ambientes com baixo teor de oxigênio, cada vez mais frequentes em um oceano impactado pelas mudanças climáticas.

Em um comentário científico que acompanha o estudo, Mark Meekan e Adrian Gleiss destacam que essa habilidade pode explicar a presença da espécie em regiões como o Golfo da Califórnia.

Apesar disso, especialistas alertam que sobreviver por curtos períodos não significa adaptação permanente.

“Eu me pergunto o que aconteceria se isso se tornasse sua realidade o tempo todo”, questiona Porter.

Ainda assim, a descoberta redefine os limites conhecidos da biologia marinha e mostra que, mesmo ameaçados, os tubarões-martelo-recortados continuam revelando estratégias surpreendentes para sobreviver em um oceano em rápida transformação.

Com informações da National Geographic Brasil.

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Andriely Medeiros de Araújo

Ensino superior em andamento. Escreve sobre Petróleo, Gás, Energia e temas relacionados para o CPG — Click Petróleo e Gás.

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