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SpaceX, de Elon Musk, prepara rede própria de celular com dezenas de milhares de estações 5G e pode competir com as maiores operadoras dos EUA

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Escrito por Ana Alice Publicado em 04/11/2026 às 22:42 Atualizado em 04/11/2026 às 23:22
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SpaceX fecha acordo com a Qualcomm para construir rede 5G própria nos EUA a partir de 2027 e pode disputar clientes com grandes operadoras. - Imagem: Ilustrativa via I.A
SpaceX fecha acordo com a Qualcomm para construir rede 5G própria nos EUA a partir de 2027 e pode disputar clientes com grandes operadoras. – Imagem: Ilustrativa via I.A
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Acordo com a Qualcomm prevê infraestrutura 5G em dezenas de milhares de locais nos Estados Unidos, com implantação a partir de 2027. Projeto pretende combinar antenas terrestres e satélites para ampliar a cobertura de telefonia.

A SpaceX, empresa de Elon Musk conhecida por seus foguetes e pela internet via satélite da Starlink, está preparando um novo passo no mercado de telecomunicações: construir uma rede própria de telefonia celular nos Estados Unidos.

Para colocar o projeto em prática, a companhia fechou um acordo de vários anos com a Qualcomm, uma das principais fabricantes de tecnologias para comunicação móvel. A parceria prevê equipamentos e sistemas para dezenas de milhares de estações 5G espalhadas pelo território americano.

O anúncio foi feito em 4 de novembro de 2026. Segundo a Qualcomm, a implantação deverá começar em 2027 e continuar nos anos seguintes, em um projeto que pode colocar a SpaceX em concorrência direta com operadoras tradicionais como AT&T, Verizon e T-Mobile.

A novidade chama atenção por um motivo: a empresa que já conecta regiões remotas por meio de satélites agora quer investir também em infraestrutura terrestre, aproximando dois modelos de comunicação que normalmente funcionam de maneiras diferentes.

Qualcomm fornecerá tecnologia para a futura rede 5G terrestre da Starlink. Crédito: Reprodução/Qualcomm.
Qualcomm fornecerá tecnologia para a futura rede 5G terrestre da Starlink. Crédito: Reprodução/Qualcomm.

Por que a SpaceX quer construir uma rede de celular em terra?

A Starlink ficou conhecida por oferecer internet em locais onde a instalação de cabos e outras estruturas de telecomunicações é difícil ou economicamente pouco viável. Seus satélites, posicionados em órbita baixa da Terra, transmitem dados para equipamentos instalados pelos usuários.

Nos últimos anos, a SpaceX começou a ampliar essa estratégia com a tecnologia Direct to Cell, que permite a comunicação direta entre determinados celulares e satélites, sem a necessidade de uma antena convencional da Starlink na residência.

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A proposta é reduzir as áreas sem sinal, especialmente em regiões rurais, estradas e locais afastados das torres de telefonia. O serviço já funciona por meio de parcerias com operadoras em diferentes países.

Mas existe uma limitação importante: satélites e estações terrestres apresentam características diferentes de capacidade, cobertura e desempenho. Em locais com muitos usuários, as redes de antenas instaladas em solo continuam desempenhando um papel fundamental.

É justamente essa combinação que a SpaceX pretende explorar com a Starlink Mobile.

Em vez de depender apenas dos satélites ou de acordos com operadoras, a empresa quer desenvolver uma infraestrutura terrestre própria, capaz de trabalhar de maneira integrada à sua rede espacial.

O objetivo é oferecer uma experiência de conexão mais ampla e aproveitar as vantagens de cada tecnologia. Essa integração, porém, ainda depende da construção da rede e de resultados que demonstrem seu desempenho na prática.

Acordo com Qualcomm prevê dezenas de milhares de estações 5G

A participação da Qualcomm será fundamental para a parte tecnológica do projeto. A fabricante fornecerá plataformas da linha Dragonwing, desenvolvidas para equipamentos de infraestrutura celular, além de soluções de processamento de sinais e software.

Segundo o comunicado oficial da empresa, a futura rede utilizará as plataformas Dragonwing QRU100 e QDU100, responsáveis por diferentes funções das estações de telefonia.

A QRU100 foi projetada para o processamento necessário às unidades de rádio, enquanto a QDU100 executa tarefas relacionadas ao processamento dos sinais transmitidos e recebidos pela rede.

Na prática, essas tecnologias ajudarão a controlar a comunicação entre os equipamentos das estações e os celulares conectados, buscando oferecer maior capacidade sem aumentar o consumo de energia na mesma proporção.

Estações 5G utilizam antenas e unidades de rádio para transmitir sinais aos celulares. Crédito: Tony Webster/Wikimedia Commons.
Estações 5G utilizam antenas e unidades de rádio para transmitir sinais aos celulares. Crédito: Tony Webster/Wikimedia Commons.

Outro detalhe importante é a utilização da tecnologia Massive MIMO, que permite trabalhar com múltiplos caminhos de transmissão e recepção de sinais ao mesmo tempo.

A arquitetura anunciada terá 64 canais de transmissão e 64 de recepção, configuração conhecida como 64T64R. Isso não significa 128 torres ou estações diferentes, mas sim uma estrutura de rádio capaz de lidar com diversos fluxos de comunicação.

Com esse sistema, a rede poderá direcionar melhor os sinais para os usuários e aproveitar o espectro de radiofrequências com mais eficiência, aumentando a capacidade em áreas com maior demanda.

A Qualcomm não informou o valor financeiro do contrato. Também não divulgou quantas estações serão instaladas em cada região, mas confirmou que o planejamento envolve dezenas de milhares de locais ao longo de vários anos.

A entrada da SpaceX no mercado de redes terrestres representa uma mudança importante em sua estratégia comercial.

Até agora, a Starlink Mobile tem avançado principalmente como uma tecnologia complementar, oferecendo conexão via satélite em parceria com empresas que já possuem redes de telefonia.

Com uma infraestrutura própria, a SpaceX poderá assumir um papel maior na prestação de serviços móveis, embora ainda precise enfrentar desafios semelhantes aos das operadoras estabelecidas.

De acordo com a Reuters, o projeto pode colocar a empresa de Elon Musk em concorrência com AT&T, Verizon e T-Mobile, que já possuem extensas redes de antenas, clientes e infraestrutura de telecomunicações nos Estados Unidos.

O desafio não será apenas tecnológico. Construir uma rede nacional exige investimentos elevados, acesso a locais para instalar equipamentos, direitos de utilização de frequências e capacidade de operação em grande escala.

A SpaceX já vem trabalhando na aquisição de espectro de radiofrequências e na busca por acordos relacionados à infraestrutura de torres. O novo contrato com a Qualcomm é mais um passo nessa direção.

Ainda assim, o acordo não significa que a Starlink já tenha uma nova operadora de celular funcionando em todo o território americano. A implantação está prevista para começar em 2027, e não há, no anúncio, uma data confirmada para o início de um serviço nacional ao consumidor.

Tecnologia também pode preparar o caminho para futuras redes 6G

Embora o projeto esteja concentrado inicialmente no 5G, a Qualcomm e a SpaceX também enxergam possibilidades de evolução para tecnologias de comunicação mais avançadas.

As plataformas escolhidas foram desenvolvidas para permitir melhorias graduais na arquitetura da rede, incluindo a utilização de diferentes faixas de frequência e atualizações de processamento.

O comunicado menciona uma possível base para futuras infraestruturas 6G integradas à inteligência artificial. Isso, porém, faz parte de uma perspectiva tecnológica de longo prazo, e não de uma implantação já anunciada.

Michael Nicolls, vice-presidente sênior da Starlink, afirmou no comunicado da Qualcomm que a empresa pretende combinar redes terrestres e satelitais para reduzir as falhas de conexão que ainda afetam usuários em diferentes situações.

A estratégia também acompanha uma transformação mais ampla do setor: a aproximação entre redes de comunicação no espaço e em terra, com o objetivo de ampliar a disponibilidade de serviços móveis.

Para os consumidores, o possível benefício estaria na redução de áreas sem cobertura e na continuidade da conexão ao transitar entre diferentes ambientes. Mas a qualidade, a disponibilidade e as condições comerciais desse serviço ainda dependerão da implementação.

Por enquanto, o projeto anunciado se concentra nos Estados Unidos. O acordo não estabelece a instalação dessas estações 5G no Brasil nem apresenta preços, planos ou uma data de lançamento da nova rede para consumidores brasileiros.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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