Acordo com a Qualcomm prevê infraestrutura 5G em dezenas de milhares de locais nos Estados Unidos, com implantação a partir de 2027. Projeto pretende combinar antenas terrestres e satélites para ampliar a cobertura de telefonia.
A SpaceX, empresa de Elon Musk conhecida por seus foguetes e pela internet via satélite da Starlink, está preparando um novo passo no mercado de telecomunicações: construir uma rede própria de telefonia celular nos Estados Unidos.
Para colocar o projeto em prática, a companhia fechou um acordo de vários anos com a Qualcomm, uma das principais fabricantes de tecnologias para comunicação móvel. A parceria prevê equipamentos e sistemas para dezenas de milhares de estações 5G espalhadas pelo território americano.
O anúncio foi feito em 4 de novembro de 2026. Segundo a Qualcomm, a implantação deverá começar em 2027 e continuar nos anos seguintes, em um projeto que pode colocar a SpaceX em concorrência direta com operadoras tradicionais como AT&T, Verizon e T-Mobile.
-
Google e polícia derrubam rede com mais de 1,3 milhão de TV boxes infectadas, usadas secretamente por criminosos para fraudes na internet
-
Cientistas examinam cérebro de 46 crianças e encontram ligação entre ultraprocessados, maior reação a fotos de comida e ganho de gordura
-
Após 42 anos de buscas, cientistas investigam mundo 100 bilhões de vezes menor que um átomo, chamado de “zeptoverso”, e podem encontrar partículas desconhecidas
-
Após analisar DNA de mais de 28 mil pessoas, cientistas da USP e Harvard descobrem mecanismo que pode ajudar a tratar doenças do sangue
A novidade chama atenção por um motivo: a empresa que já conecta regiões remotas por meio de satélites agora quer investir também em infraestrutura terrestre, aproximando dois modelos de comunicação que normalmente funcionam de maneiras diferentes.

Por que a SpaceX quer construir uma rede de celular em terra?
A Starlink ficou conhecida por oferecer internet em locais onde a instalação de cabos e outras estruturas de telecomunicações é difícil ou economicamente pouco viável. Seus satélites, posicionados em órbita baixa da Terra, transmitem dados para equipamentos instalados pelos usuários.
Nos últimos anos, a SpaceX começou a ampliar essa estratégia com a tecnologia Direct to Cell, que permite a comunicação direta entre determinados celulares e satélites, sem a necessidade de uma antena convencional da Starlink na residência.
A proposta é reduzir as áreas sem sinal, especialmente em regiões rurais, estradas e locais afastados das torres de telefonia. O serviço já funciona por meio de parcerias com operadoras em diferentes países.
Mas existe uma limitação importante: satélites e estações terrestres apresentam características diferentes de capacidade, cobertura e desempenho. Em locais com muitos usuários, as redes de antenas instaladas em solo continuam desempenhando um papel fundamental.
É justamente essa combinação que a SpaceX pretende explorar com a Starlink Mobile.
Em vez de depender apenas dos satélites ou de acordos com operadoras, a empresa quer desenvolver uma infraestrutura terrestre própria, capaz de trabalhar de maneira integrada à sua rede espacial.
O objetivo é oferecer uma experiência de conexão mais ampla e aproveitar as vantagens de cada tecnologia. Essa integração, porém, ainda depende da construção da rede e de resultados que demonstrem seu desempenho na prática.
Acordo com Qualcomm prevê dezenas de milhares de estações 5G
A participação da Qualcomm será fundamental para a parte tecnológica do projeto. A fabricante fornecerá plataformas da linha Dragonwing, desenvolvidas para equipamentos de infraestrutura celular, além de soluções de processamento de sinais e software.
Segundo o comunicado oficial da empresa, a futura rede utilizará as plataformas Dragonwing QRU100 e QDU100, responsáveis por diferentes funções das estações de telefonia.
A QRU100 foi projetada para o processamento necessário às unidades de rádio, enquanto a QDU100 executa tarefas relacionadas ao processamento dos sinais transmitidos e recebidos pela rede.
Na prática, essas tecnologias ajudarão a controlar a comunicação entre os equipamentos das estações e os celulares conectados, buscando oferecer maior capacidade sem aumentar o consumo de energia na mesma proporção.

Outro detalhe importante é a utilização da tecnologia Massive MIMO, que permite trabalhar com múltiplos caminhos de transmissão e recepção de sinais ao mesmo tempo.
A arquitetura anunciada terá 64 canais de transmissão e 64 de recepção, configuração conhecida como 64T64R. Isso não significa 128 torres ou estações diferentes, mas sim uma estrutura de rádio capaz de lidar com diversos fluxos de comunicação.
Com esse sistema, a rede poderá direcionar melhor os sinais para os usuários e aproveitar o espectro de radiofrequências com mais eficiência, aumentando a capacidade em áreas com maior demanda.
A Qualcomm não informou o valor financeiro do contrato. Também não divulgou quantas estações serão instaladas em cada região, mas confirmou que o planejamento envolve dezenas de milhares de locais ao longo de vários anos.
Nova rede pode colocar a Starlink na disputa com AT&T, Verizon e T-Mobile
A entrada da SpaceX no mercado de redes terrestres representa uma mudança importante em sua estratégia comercial.
Até agora, a Starlink Mobile tem avançado principalmente como uma tecnologia complementar, oferecendo conexão via satélite em parceria com empresas que já possuem redes de telefonia.
Com uma infraestrutura própria, a SpaceX poderá assumir um papel maior na prestação de serviços móveis, embora ainda precise enfrentar desafios semelhantes aos das operadoras estabelecidas.
De acordo com a Reuters, o projeto pode colocar a empresa de Elon Musk em concorrência com AT&T, Verizon e T-Mobile, que já possuem extensas redes de antenas, clientes e infraestrutura de telecomunicações nos Estados Unidos.
O desafio não será apenas tecnológico. Construir uma rede nacional exige investimentos elevados, acesso a locais para instalar equipamentos, direitos de utilização de frequências e capacidade de operação em grande escala.
A SpaceX já vem trabalhando na aquisição de espectro de radiofrequências e na busca por acordos relacionados à infraestrutura de torres. O novo contrato com a Qualcomm é mais um passo nessa direção.
Ainda assim, o acordo não significa que a Starlink já tenha uma nova operadora de celular funcionando em todo o território americano. A implantação está prevista para começar em 2027, e não há, no anúncio, uma data confirmada para o início de um serviço nacional ao consumidor.
Tecnologia também pode preparar o caminho para futuras redes 6G
Embora o projeto esteja concentrado inicialmente no 5G, a Qualcomm e a SpaceX também enxergam possibilidades de evolução para tecnologias de comunicação mais avançadas.
As plataformas escolhidas foram desenvolvidas para permitir melhorias graduais na arquitetura da rede, incluindo a utilização de diferentes faixas de frequência e atualizações de processamento.
O comunicado menciona uma possível base para futuras infraestruturas 6G integradas à inteligência artificial. Isso, porém, faz parte de uma perspectiva tecnológica de longo prazo, e não de uma implantação já anunciada.
Michael Nicolls, vice-presidente sênior da Starlink, afirmou no comunicado da Qualcomm que a empresa pretende combinar redes terrestres e satelitais para reduzir as falhas de conexão que ainda afetam usuários em diferentes situações.
A estratégia também acompanha uma transformação mais ampla do setor: a aproximação entre redes de comunicação no espaço e em terra, com o objetivo de ampliar a disponibilidade de serviços móveis.
Para os consumidores, o possível benefício estaria na redução de áreas sem cobertura e na continuidade da conexão ao transitar entre diferentes ambientes. Mas a qualidade, a disponibilidade e as condições comerciais desse serviço ainda dependerão da implementação.
Por enquanto, o projeto anunciado se concentra nos Estados Unidos. O acordo não estabelece a instalação dessas estações 5G no Brasil nem apresenta preços, planos ou uma data de lançamento da nova rede para consumidores brasileiros.
