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Cientistas descobrem bactéria que protege lagarta de vírus usado no agro

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Escrito por Roberta Souza Publicado em 03/11/2026 às 18:30 Atualizado em 03/11/2026 às 18:31
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Pesquisa revela como um microrganismo intestinal aumenta a resistência da lagarta-do-cartucho ao baculovírus e pode abrir caminhos para melhorar o controle biológico de pragas.
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Pesquisa revela como um microrganismo intestinal aumenta a resistência da lagarta-do-cartucho ao baculovírus e pode abrir caminhos para melhorar o controle biológico de pragas.

Uma bactéria presente no intestino da lagarta-do-cartucho pode dificultar a ação de um vírus utilizado para combater essa praga agrícola. Segundo reportagem da Revista Cultivar, publicada em 3 de novembro de 2026, pesquisadores identificaram que a bactéria Glutamicibacter soli ajuda a preservar uma barreira protetora no intestino do inseto. Dessa forma, a lagarta apresenta maior resistência ao baculovírus SfMNPV, empregado em pesquisas e estratégias de controle biológico.

Bactéria ajuda lagarta a resistir ao vírus

A lagarta-do-cartucho, conhecida cientificamente como Spodoptera frugiperda, representa um desafio para a produção agrícola.

Entre as alternativas de manejo estão os baculovírus, agentes biológicos capazes de infectar determinadas espécies de insetos.

Entretanto, a eficiência desses vírus pode variar conforme as características das lagartas.

Para entender essa diferença, pesquisadores investigaram a influência das bactérias que vivem naturalmente no intestino da praga.

Durante os experimentos, a equipe utilizou antibióticos para reduzir a população desses microrganismos.

Depois disso, as lagartas apresentaram maior suscetibilidade à infecção pelo baculovírus SfMNPV.

O resultado indicou que parte das bactérias intestinais poderia contribuir para a defesa do inseto.

Em seguida, os cientistas avaliaram sete isolados bacterianos e identificaram a Glutamicibacter soli como um dos principais elementos envolvidos nesse processo.

Quando reintroduziram a bactéria no intestino das lagartas, os pesquisadores observaram um aumento da resistência ao vírus.

Proteção ocorre em uma barreira do intestino

O estudo identificou que a bactéria atua sobre a matriz peritrófica, uma estrutura que reveste e protege parte do sistema digestivo dos insetos.

Essa barreira ajuda a separar o conteúdo intestinal das células responsáveis pela absorção de nutrientes.

Além disso, sua integridade pode influenciar a capacidade de agentes infecciosos alcançarem os tecidos do organismo.

Os pesquisadores descobriram que a redução das bactérias intestinais também diminuía a atividade de genes ligados à defesa imunológica e à manutenção dessa estrutura.

Entre eles estava o gene associado à produção da peritrofina-1, proteína importante para a organização da matriz peritrófica.

Para verificar sua função, a equipe utilizou uma técnica chamada interferência de RNA, conhecida como RNAi.

Com esse procedimento, os cientistas reduziram a expressão do gene da peritrofina-1.

Como resultado, a barreira intestinal perdeu parte de sua integridade, tornou-se mais permeável e deixou as lagartas mais vulneráveis ao baculovírus.

Por outro lado, a reintrodução da bactéria ajudou a restaurar a estrutura protetora.

Descoberta pode melhorar o controle biológico de pragas

Os resultados ajudam a explicar por que a presença de determinados microrganismos pode interferir na eficiência de agentes utilizados contra insetos agrícolas.

Além disso, o trabalho identifica possíveis caminhos para desenvolver estratégias de controle mais eficientes.

Uma possibilidade para pesquisas futuras é investigar como a microbiota intestinal e as proteínas dessa barreira influenciam a ação dos baculovírus.

Entretanto, o estudo não demonstrou que eliminar essas bactérias seja uma solução pronta para aplicação nas lavouras.

Os pesquisadores identificaram mecanismos biológicos em condições experimentais. Portanto, ainda seriam necessárias novas avaliações antes de transformar o conhecimento em uma tecnologia de manejo.

O interesse por soluções biológicas também aparece em outras pesquisas brasileiras. Recentemente, a Embrapa identificou fungos da Caatinga com potencial para combater doenças agrícolas e contribuir para o desenvolvimento de novos bioinsumos.

Embora os estudos investiguem organismos diferentes, ambos mostram a importância dos microrganismos nas relações entre pragas, doenças e agentes de controle.

Pesquisa analisou genes e substâncias produzidas pela bactéria

Além de estudar os microrganismos presentes no intestino, os cientistas avaliaram materiais obtidos a partir de culturas da Glutamicibacter soli.

Entre eles estavam o líquido resultante do crescimento bacteriano e componentes liberados após o rompimento das células.

Quando as lagartas receberam esses materiais antes da exposição ao vírus, também apresentaram maior resistência à infecção.

Os tratamentos ainda reverteram parcialmente alterações na expressão de genes provocadas pela redução da microbiota intestinal.

Assim, os resultados sugerem que componentes associados à bactéria participam do mecanismo de proteção.

Entretanto, a pesquisa não identificou uma formulação comercial capaz de explorar diretamente esse efeito.

O avanço científico ocorre em um momento de maior interesse por tecnologias aplicadas ao manejo agrícola. Em outra frente, pesquisadores testam drones com sensores para identificar sinais de doenças e ataques de insetos nas plantações, buscando melhorar o acompanhamento das lavouras.

Resultados ainda precisam avançar para aplicações no campo

O estudo tem Lin Guo como primeiro autor e foi publicado na revista científica Pest Management Science.

A pesquisa amplia o conhecimento sobre a relação entre bactérias intestinais, mecanismos de defesa e infecção viral em insetos.

Além disso, oferece novas possibilidades de investigação para aperfeiçoar o uso de baculovírus no controle biológico.

No Brasil, a Embrapa também desenvolve estudos com esses agentes para combater lagartas que prejudicam culturas agrícolas.

Entretanto, a transformação de descobertas laboratoriais em soluções práticas exige avaliações adicionais de eficiência e segurança.

Esse processo de desenvolvimento também ocorre em outras áreas da agricultura. Um exemplo é a ferramenta digital que a Embrapa desenvolve para ajudar agricultores orgânicos a organizar informações sobre a produção, incluindo registros de manejo e controle de pragas.

Por enquanto, a principal contribuição da nova pesquisa está na identificação de um mecanismo que ajuda a lagarta-do-cartucho a resistir ao SfMNPV.

Com esse conhecimento, os cientistas poderão investigar formas de superar essa proteção e, futuramente, melhorar a eficácia das estratégias de controle biológico utilizadas na agricultura.

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Roberta Souza

Autora no portal Click Petróleo e Gás desde 2019, responsável pela publicação de mais de 8.000 matérias que somam milhões de acessos, unindo técnica, clareza e engajamento para informar e conectar leitores. Engenheira de Petróleo e pós-graduada em Comissionamento de Unidades Industriais, também trago experiência prática e vivência no setor do agronegócio, o que amplia minha visão e versatilidade na produção de conteúdo especializado. Desenvolvo pautas, divulgo oportunidades de emprego e crio materiais publicitários direcionados para o público do setor. Para sugestões de pauta, divulgação de vagas ou propostas de publicidade, entre em contato pelo e-mail: santizatagpc@gmail.com. Não recebemos currículos

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