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Seis áreas industriais entram no radar da Marinha em Santa Catarina, e a articulação de um polo em Itajaí expõe o que ainda falta para empresas chegarem aos projetos navais de defesa

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 04/11/2026 às 22:52 Atualizado em 04/11/2026 às 23:24
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A aproximação envolve tecnologias, componentes, serviços especializados e pesquisa, mas ainda não representa contratos abertos. Para entrar na cadeia naval de defesa, fornecedores precisam cumprir especificações técnicas, processos de qualificação, certificações, regras de sigilo e critérios aplicáveis a cada projeto.

Cibersegurança, inteligência artificial, sistemas autônomos, energia, telecomunicações e monitoramento marítimo estão entre as áreas nas quais a indústria catarinense pode se aproximar das demandas da Marinha. O movimento ainda está concentrado na identificação de capacidades e possíveis fornecedores, sem anúncio de contratos ou empresas selecionadas.

A discussão ocorreu em reunião do Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), em 27 de outubro, em Florianópolis, com a presença do comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen.

No balanço divulgado pela FIESC, a federação informou que a agenda também abrangeu componentes, desenvolvimento de tecnologias e prestação de serviços especializados para projetos estratégicos e atividades de manutenção da Força. A aproximação pode incluir parcerias com instituições de ciência e tecnologia da Marinha para pesquisa, desenvolvimento e transferência de conhecimento.

Essas relações dependem de requisitos como sigilo, propriedade intelectual, certificação e qualificação técnica. No monitoramento marítimo, por exemplo, a discussão envolve tecnologias de comunicação e acompanhamento de áreas de interesse estratégico da Marinha, sem indicação de uma encomenda aberta às empresas participantes.

Capacidade industrial não significa fornecedor habilitado

Itajaí ganhou espaço na discussão por concentrar a construção das fragatas da Classe Tamandaré, projeto citado pela FIESC como referência para ampliar a participação de empresas locais na cadeia naval de defesa. Essa participação continua condicionada aos requisitos de cada fornecimento.

A diferença é relevante para empresas de software, automação, energia, telecomunicações ou outras áreas que já dominam tecnologias com aplicação potencial em defesa. Capacidade produtiva ou conhecimento técnico, isoladamente, não substituem documentação específica, processos de qualificação, segurança da informação e certificações exigidas em uma contratação.

Antes de tratar uma demanda identificada como oportunidade comercial concreta, a empresa precisa saber qual unidade contrata, que problema deverá ser resolvido, quais especificações precisam ser atendidas e quais requisitos de habilitação serão aplicados ao produto, serviço ou projeto de desenvolvimento.

Isso também separa o mapeamento de fornecedores de uma compra efetiva. A reunião tratou de aproximação institucional e identificação de competências industriais, enquanto uma contratação depende dos procedimentos, exigências e condições definidos para cada necessidade da Marinha.

Polo de Itajaí ainda passa por articulação

O Polo Industrial de Defesa e Segurança de Itajaí apareceu no encontro como outra frente para aproximar indústria, tecnologia e projetos do setor. A FIESC descreveu a iniciativa como estando em estágio avançado de articulação, sem informar conclusão, cronograma operacional ou relação definitiva de participantes.

Uma publicação da Prefeitura de Itajaí informa que a proposta ainda depende de etapas institucionais. O município relatou que um projeto de lei estava em elaboração e havia sido levado ao Ministério da Defesa e ao Gabinete de Segurança Institucional para receber contribuições técnicas.

Depois dessa etapa, a proposta ainda deve passar pela avaliação do prefeito e, se aprovada, seguir para a Câmara de Vereadores. O desenho apresentado pelo município prevê reunir atividades de engenharia, metalmecânica, eletroeletrônica, automação, software, cibersegurança e manutenção especializada.

A prefeitura também informou que o número de empresas catarinenses credenciadas junto ao Ministério da Defesa passou de uma, em 2016, para 33 em 2026. Esse credenciamento, por si só, não equivale à escolha como fornecedora de um projeto naval específico.

Compras da Marinha entram no mapeamento

Durante a reunião, o Observatório FIESC apresentou análises das compras da Marinha organizadas por unidades contratantes e categorias de produtos e serviços. A proposta é usar esses dados para identificar necessidades e direcionar a aproximação de empresas com áreas nas quais já existe capacidade industrial no estado.

Outra demonstração mapeou cadeias produtivas relacionadas a projetos estratégicos por meio de uma representação tridimensional de uma planta de propulsão nuclear naval. O recurso foi usado para localizar componentes, sistemas e competências industriais existentes em Santa Catarina, sem anúncio de contrato relacionado à tecnologia nuclear.

A agenda incluiu tecnologias de uso dual, que podem atender aplicações civis e militares. Mesmo nesses casos, uma solução já disponível comercialmente pode precisar de adaptações para cumprir requisitos técnicos, condições de segurança e regras específicas do projeto no qual pretende ser utilizada.

O material divulgado não informa valores de contratos, número de empresas habilitadas para demandas específicas da Marinha nem quantidade de empregos prevista a partir dessa aproximação. Esses dados, portanto, não podem ser tratados como resultados já associados ao encontro ou ao polo em articulação.

O trabalho conjunto do Observatório e do Conselho de Desenvolvimento da Indústria de Defesa busca identificar potenciais fornecedores e orientar o desenvolvimento de capacidades produtivas. Até que essa aproximação avance para processos formais de compra ou contratação, o passo concreto para as empresas continua sendo atender às exigências técnicas e institucionais de cada demanda e aos critérios de compra aplicáveis a cada projeto.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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