Nova geração de robôs agrícolas amplia a aposta da Solinftec em automação no campo, com equipamentos para cana, soja, milho e algodão e uma estratégia de crescimento apoiada em inteligência artificial e robótica.
A brasileira Solinftec ampliou sua aposta em agricultura autônoma com uma nova geração de robôs capazes de permanecer por dezenas de horas nas lavouras executando tarefas com inteligência artificial.
O Solix XT pode operar por até 50 horas e cobrir até 500 hectares, enquanto a companhia mantém para 2026 a meta de superar R$ 500 milhões em faturamento, apoiada na expansão da robótica e de sua plataforma digital.
Apresentado durante a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, o XT faz parte de uma família de equipamentos desenvolvidos para trabalhar de forma autônoma em diferentes culturas.
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A proposta da Solinftec é levar a inteligência artificial além da análise de dados. Os sistemas passam a identificar condições da lavoura e executar determinadas ações diretamente no campo.
O movimento ocorre enquanto a empresa tenta ampliar uma operação que já combina software, sensores e robótica. Em 2026, a direção financeira informou que esperava ultrapassar R$ 500 milhões em faturamento, com a plataforma tecnológica sustentando a receita atual e os robôs autônomos funcionando como uma das principais frentes de crescimento.
Solix XT foi projetado para permanecer mais tempo na lavoura
O Solix XT é direcionado inicialmente a culturas como a cana-de-açúcar e foi desenvolvido para realizar operações contínuas ao longo do ciclo produtivo.
Segundo as especificações divulgadas pela empresa, o equipamento pode trabalhar por até 50 horas e alcançar 500 hectares de cobertura, com foco em atividades frequentes e aplicações seletivas.

A lógica é manter o robô circulando pela área agrícola para coletar informações e agir nos pontos em que uma intervenção seja necessária.
O equipamento integra câmeras, visão computacional e sistemas de inteligência artificial. A tecnologia permite identificar elementos do ambiente agrícola e direcionar operações para locais específicos, em vez de tratar necessariamente toda a área da mesma maneira.
A família inclui ainda o Solix XC, desenvolvido para operações em áreas maiores.
Nesse modelo, a autonomia anunciada chega a 70 horas, enquanto a capacidade pode alcançar 1.000 hectares por ciclo. Soja, milho e algodão estão entre as culturas previstas para o equipamento.
Os dois robôs possuem propostas diferentes. Enquanto o XT foi desenhado para permanecer no campo com maior frequência e acompanhar a lavoura continuamente, o XC prioriza velocidade para situações em que extensas áreas precisam ser atendidas em períodos mais curtos.
Inteligência artificial passa da recomendação para a execução
A Solinftec chama essa estratégia de “inteligência artificial física”.
Na prática, o conceito descreve sistemas em que a IA não fica restrita a uma plataforma digital produzindo recomendações. Ela passa a ser integrada a equipamentos capazes de observar o ambiente agrícola e executar determinadas tarefas.
Esse modelo já vinha sendo desenvolvido nas versões anteriores do Solix.
Os robôs utilizam visão computacional, aprendizado de máquina e sistemas de monitoramento para percorrer lavouras, acompanhar o desenvolvimento das plantas e identificar condições relacionadas a ervas daninhas, pragas e outros fatores que podem afetar a produção.
Resultados divulgados anteriormente pela própria Solinftec apontaram reduções superiores a 90% no uso de herbicidas em determinadas operações com grãos, além de diminuição no uso desses produtos em canaviais.
Esses números, porém, correspondem a testes e operações específicas apresentados pela empresa. Não significam que todas as propriedades ou culturas alcançarão o mesmo desempenho, já que os resultados dependem das condições de cada lavoura e do tipo de operação realizada.
A estratégia atual busca aumentar a escala dessa tecnologia. Durante a Agrishow, a companhia apresentou a possibilidade de distribuir diferentes tarefas entre equipamentos menores e autônomos, reduzindo a dependência exclusiva de máquinas maiores para determinadas intervenções.

Meta acima de R$ 500 milhões envolve toda a operação da empresa
O avanço da robótica ocorre paralelamente à tentativa da Solinftec de aumentar sua receita.
Em maio de 2026, o diretor financeiro Murilo Toneta afirmou que a companhia esperava ultrapassar R$ 500 milhões de faturamento no ano.
A previsão não significa que esse valor virá exclusivamente da venda ou contratação dos robôs agrícolas.
A empresa mantém diferentes frentes de negócio, incluindo uma plataforma tecnológica desenvolvida desde 2007 e novas soluções relacionadas a automação, inteligência artificial e robótica.
Dados apresentados durante a Agrishow indicaram que a Receita Recorrente Anualizada havia superado R$ 430 milhões em 2025, enquanto a receita total cresceu mais de 20% naquele ano. O EBITDA ficou acima de R$ 100 milhões.
A meta para 2026 passou a ser superar a marca de meio bilhão de reais em faturamento.
Um dos desafios para a expansão está no custo de adoção das novas tecnologias pelo produtor.
Com margens agrícolas pressionadas e maior cautela para novos investimentos, a Solinftec passou a trabalhar com diferentes formatos comerciais.
Entre as alternativas apresentadas estão parcelamentos, períodos de carência, pagamentos ajustados ao fluxo financeiro após a colheita, operações de barter e CPR.
A proposta é adequar a contratação das soluções tecnológicas à capacidade financeira de propriedades com perfis e tamanhos diferentes.
Robôs já avançam fora do Brasil
A expansão da robótica da Solinftec não está restrita ao mercado brasileiro.
Em 2026, a empresa informou que mais de 100 robôs Solix haviam trabalhado em 13 estados americanos e em Porto Rico, cobrindo milhares de hectares e monitorando milhões de plantas individualmente.
A companhia também ampliou sua estrutura de produção e montagem.
O grupo mantém operações relacionadas à fabricação ou montagem de robôs no Brasil, Estados Unidos, China e México. A unidade mexicana foi criada para reforçar a distribuição na América do Norte e facilitar a logística para outros mercados da América Latina.
Em outubro de 2026, o CEO e cofundador Britaldo Hernandez afirmou que cerca de 100 unidades do Solix estavam operando nos Estados Unidos e que a procura para o ano seguinte se aproximava da capacidade de produção planejada pela empresa.
A estratégia inclui transformar os robôs em fontes contínuas de dados agrícolas, utilizados também no treinamento de modelos de inteligência artificial.
Fundada em Araçatuba, no interior de São Paulo, em 2007, a Solinftec começou com soluções de automação voltadas ao setor sucroenergético e, posteriormente, ampliou sua presença para grãos, fibras e outras culturas.
Com o Solix XT, o XC e novas gerações de equipamentos, a companhia tenta avançar para um modelo em que máquinas menores possam permanecer continuamente na lavoura, coletando informações e executando operações de maneira autônoma. A expectativa de faturamento acima de R$ 500 milhões, entretanto, permanece como uma projeção da empresa para 2026.

