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Solinftec leva robôs com IA capazes de operar por até 50 horas e cobrir 500 hectares ao campo e mira faturamento acima de R$ 500 milhões

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Escrito por Ana Alice Publicado em 11/10/2026 às 12:51 Atualizado em 11/10/2026 às 12:55
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Assista o vídeoRobô agrícola Solix opera em lavoura com sistema de pulverização seletiva; plataforma deu origem às novas gerações apresentadas pela Solinftec. Crédito: Divulgação/Solinftec.
Robô agrícola Solix opera em lavoura com sistema de pulverização seletiva; plataforma deu origem às novas gerações apresentadas pela Solinftec. Crédito: Divulgação/Solinftec.
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Nova geração de robôs agrícolas amplia a aposta da Solinftec em automação no campo, com equipamentos para cana, soja, milho e algodão e uma estratégia de crescimento apoiada em inteligência artificial e robótica.

A brasileira Solinftec ampliou sua aposta em agricultura autônoma com uma nova geração de robôs capazes de permanecer por dezenas de horas nas lavouras executando tarefas com inteligência artificial.

O Solix XT pode operar por até 50 horas e cobrir até 500 hectares, enquanto a companhia mantém para 2026 a meta de superar R$ 500 milhões em faturamento, apoiada na expansão da robótica e de sua plataforma digital.

Apresentado durante a Agrishow 2026, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, o XT faz parte de uma família de equipamentos desenvolvidos para trabalhar de forma autônoma em diferentes culturas.

A proposta da Solinftec é levar a inteligência artificial além da análise de dados. Os sistemas passam a identificar condições da lavoura e executar determinadas ações diretamente no campo.

O movimento ocorre enquanto a empresa tenta ampliar uma operação que já combina software, sensores e robótica. Em 2026, a direção financeira informou que esperava ultrapassar R$ 500 milhões em faturamento, com a plataforma tecnológica sustentando a receita atual e os robôs autônomos funcionando como uma das principais frentes de crescimento.

Solix XT foi projetado para permanecer mais tempo na lavoura

O Solix XT é direcionado inicialmente a culturas como a cana-de-açúcar e foi desenvolvido para realizar operações contínuas ao longo do ciclo produtivo.

Segundo as especificações divulgadas pela empresa, o equipamento pode trabalhar por até 50 horas e alcançar 500 hectares de cobertura, com foco em atividades frequentes e aplicações seletivas.

Robô agrícola Solix em operação na lavoura enquanto profissionais acompanham a tecnologia desenvolvida pela Solinftec para monitoramento e automação no campo. - Crédito: Divulgação/Solinftec.
Robô agrícola Solix em operação na lavoura enquanto profissionais acompanham a tecnologia desenvolvida pela Solinftec para monitoramento e automação no campo. – Crédito: Divulgação/Solinftec.

A lógica é manter o robô circulando pela área agrícola para coletar informações e agir nos pontos em que uma intervenção seja necessária.

O equipamento integra câmeras, visão computacional e sistemas de inteligência artificial. A tecnologia permite identificar elementos do ambiente agrícola e direcionar operações para locais específicos, em vez de tratar necessariamente toda a área da mesma maneira.

A família inclui ainda o Solix XC, desenvolvido para operações em áreas maiores.

Nesse modelo, a autonomia anunciada chega a 70 horas, enquanto a capacidade pode alcançar 1.000 hectares por ciclo. Soja, milho e algodão estão entre as culturas previstas para o equipamento.

Os dois robôs possuem propostas diferentes. Enquanto o XT foi desenhado para permanecer no campo com maior frequência e acompanhar a lavoura continuamente, o XC prioriza velocidade para situações em que extensas áreas precisam ser atendidas em períodos mais curtos.

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Inteligência artificial passa da recomendação para a execução

A Solinftec chama essa estratégia de “inteligência artificial física”.

Na prática, o conceito descreve sistemas em que a IA não fica restrita a uma plataforma digital produzindo recomendações. Ela passa a ser integrada a equipamentos capazes de observar o ambiente agrícola e executar determinadas tarefas.

Esse modelo já vinha sendo desenvolvido nas versões anteriores do Solix.

Os robôs utilizam visão computacional, aprendizado de máquina e sistemas de monitoramento para percorrer lavouras, acompanhar o desenvolvimento das plantas e identificar condições relacionadas a ervas daninhas, pragas e outros fatores que podem afetar a produção.

Resultados divulgados anteriormente pela própria Solinftec apontaram reduções superiores a 90% no uso de herbicidas em determinadas operações com grãos, além de diminuição no uso desses produtos em canaviais.

Esses números, porém, correspondem a testes e operações específicas apresentados pela empresa. Não significam que todas as propriedades ou culturas alcançarão o mesmo desempenho, já que os resultados dependem das condições de cada lavoura e do tipo de operação realizada.

A estratégia atual busca aumentar a escala dessa tecnologia. Durante a Agrishow, a companhia apresentou a possibilidade de distribuir diferentes tarefas entre equipamentos menores e autônomos, reduzindo a dependência exclusiva de máquinas maiores para determinadas intervenções.

Solix percorre uma área de cultivo durante operação no campo; robôs da Solinftec utilizam automação, sensores e inteligência artificial para monitorar lavouras e executar tarefas agrícolas. - Crédito: Divulgação/Solinftec.
Solix percorre uma área de cultivo durante operação no campo; robôs da Solinftec utilizam automação, sensores e inteligência artificial para monitorar lavouras e executar tarefas agrícolas. – Crédito: Divulgação/Solinftec.

Meta acima de R$ 500 milhões envolve toda a operação da empresa

O avanço da robótica ocorre paralelamente à tentativa da Solinftec de aumentar sua receita.

Em maio de 2026, o diretor financeiro Murilo Toneta afirmou que a companhia esperava ultrapassar R$ 500 milhões de faturamento no ano.

A previsão não significa que esse valor virá exclusivamente da venda ou contratação dos robôs agrícolas.

A empresa mantém diferentes frentes de negócio, incluindo uma plataforma tecnológica desenvolvida desde 2007 e novas soluções relacionadas a automação, inteligência artificial e robótica.

Dados apresentados durante a Agrishow indicaram que a Receita Recorrente Anualizada havia superado R$ 430 milhões em 2025, enquanto a receita total cresceu mais de 20% naquele ano. O EBITDA ficou acima de R$ 100 milhões.

A meta para 2026 passou a ser superar a marca de meio bilhão de reais em faturamento.

Um dos desafios para a expansão está no custo de adoção das novas tecnologias pelo produtor.

Com margens agrícolas pressionadas e maior cautela para novos investimentos, a Solinftec passou a trabalhar com diferentes formatos comerciais.

Entre as alternativas apresentadas estão parcelamentos, períodos de carência, pagamentos ajustados ao fluxo financeiro após a colheita, operações de barter e CPR.

A proposta é adequar a contratação das soluções tecnológicas à capacidade financeira de propriedades com perfis e tamanhos diferentes.

Robôs já avançam fora do Brasil

A expansão da robótica da Solinftec não está restrita ao mercado brasileiro.

Em 2026, a empresa informou que mais de 100 robôs Solix haviam trabalhado em 13 estados americanos e em Porto Rico, cobrindo milhares de hectares e monitorando milhões de plantas individualmente.

A companhia também ampliou sua estrutura de produção e montagem.

O grupo mantém operações relacionadas à fabricação ou montagem de robôs no Brasil, Estados Unidos, China e México. A unidade mexicana foi criada para reforçar a distribuição na América do Norte e facilitar a logística para outros mercados da América Latina.

Em outubro de 2026, o CEO e cofundador Britaldo Hernandez afirmou que cerca de 100 unidades do Solix estavam operando nos Estados Unidos e que a procura para o ano seguinte se aproximava da capacidade de produção planejada pela empresa.

A estratégia inclui transformar os robôs em fontes contínuas de dados agrícolas, utilizados também no treinamento de modelos de inteligência artificial.

Fundada em Araçatuba, no interior de São Paulo, em 2007, a Solinftec começou com soluções de automação voltadas ao setor sucroenergético e, posteriormente, ampliou sua presença para grãos, fibras e outras culturas.

Com o Solix XT, o XC e novas gerações de equipamentos, a companhia tenta avançar para um modelo em que máquinas menores possam permanecer continuamente na lavoura, coletando informações e executando operações de maneira autônoma. A expectativa de faturamento acima de R$ 500 milhões, entretanto, permanece como uma projeção da empresa para 2026.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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