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Soldado japonês da segunda guerra passou 30 anos perdido em uma ilha e nem imaginava que a guerra já tinha acabado até ser encontrado por pescadores

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 18/02/2026 às 08:46 Atualizado em 18/02/2026 às 08:47
Soldado japonês, Ilha, Guerra
Imagem: Reprodução
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Conheça a história real de Shoichi Yokoi, que viveu por décadas em uma ilha e voltou carregando honra, medo, sobrevivência e silêncio em um mundo completamente diferente do que conhecia

Você já imaginou passar quase três décadas acreditando que a guerra ainda estava em curso? Foi exatamente esse o destino de Shoichi Yokoi, sargento do Exército Imperial Japonês encontrado em 24 de janeiro de 1972 na densa selva de Guam, ilha do Pacífico marcada por combates sangrentos durante a Segunda Guerra Mundial.

Quase irreconhecível, ele surgiu diante do mundo como um sobrevivente de outro tempo, alguém que continuava vivendo sob regras que já não existiam.

Um encontro improvável na selva

Descoberto por acaso por dois pescadores, o soldado japonês vivia sozinho, extremamente magro, vestido apenas com trapos feitos de fibras vegetais.

Sobrevivia da caça e da coleta de frutos, escondendo-se em cavernas e evitando qualquer contato humano.

Inicialmente, demonstrou pavor e chegou a implorar para ser morto, pois acreditava que a rendição era vergonhosa e que sua única saída honrosa seria o suicídio.

Com paciência, os pescadores explicaram que a guerra havia terminado há quase trinta anos. Contaram também que o Japão não apenas se rendera, mas reconstruíra relações amistosas com antigos inimigos.

Aos poucos, Yokoi começou a aceitar a realidade, ainda que de forma confusa e dolorosa.

Quase trinta anos na ilha

Durante os anos na selva, Yokoi perdeu contato com quase todos os camaradas. Dois deles morreram enquanto dormiam, sem sinais aparentes de violência.

Ele contraiu tifo e malária, esteve à beira da morte e passou a comer praticamente qualquer coisa disponível: sapos venenosos, enguias de rio, todos os tipos de pássaros e os ratos que abundavam na região.

A solidão se tornou companheira constante. Mesmo assim, ele manteve-se fiel ao código de honra que aprendera, acreditando que continuar escondido era um dever.

O retorno e o choque com o passado

De volta ao Japão, Yokoi se deparou com seu próprio túmulo, ainda marcado com o nome do filho que sua mãe jamais acreditou ter morrido em Guam.

Ao retornar a Nagoya, pronunciou a frase que se tornaria famosa: “É um pouco constrangedor, mas eu voltei”.

A declaração simbolizou não apenas o reencontro com a sociedade, mas também o peso de perceber que o mundo havia seguido sem ele.

Reconhecimento e últimos anos do soldado japonês

Após ser trazido à civilização, Yokoi reconstruiu sua vida. Casou-se, tornou-se figura pública, escreveu memórias registradas pelo sobrinho e visitou Guam diversas vezes, mantendo viva a lembrança de sua jornada.

Embora nunca tenha sido recebido pelo imperador Hirohito, encontrou reconhecimento junto ao sucessor, o imperador Akihito, em 1991, considerando esse encontro uma das maiores honras de sua vida.

Ele morreu em 22 de setembro de 1997, aos 82 anos, e está sepultado em Nagoya, finalmente reunido com a família que sempre acreditou em seu retorno.

Com informações de O Globo.

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Romário Pereira de Carvalho

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