Engenheiro retomou a caça aos fósseis depois do acidente de 2014 e acabou encontrando em Lavernock o primeiro exemplar desse tipo identificado em território galês.
Uma experiência extrema vivida nas montanhas do País de Gales acabou antecedendo uma descoberta paleontológica rara.
Em fevereiro de 2014, o engenheiro civil Matthew Myerscough caminhava pela montanha Yr Wyddfa, também conhecida como Snowdon, quando foi atingido por uma avalanche.
O impacto o lançou de um pequeno penhasco e provocou uma queda de aproximadamente 300 metros.
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Myerscough ficou soterrado sob mais de um metro de neve e permaneceu inconsciente durante cerca de 20 minutos até ser resgatado.
A recuperação física ocorreu em poucos dias. O impacto emocional, porém, permaneceu por muito mais tempo.
Segundo relato publicado pelo The Guardian, pensamentos negativos e um estado constante de alerta passaram a fazer parte de sua rotina.
A busca por uma atividade que exigisse concentração levou o engenheiro de volta a uma paixão da infância: procurar fósseis.
Busca por fósseis ajudou a mudar sua rotina
Myerscough já procurava fósseis quando era menino nas praias de Whitby, na costa de Yorkshire.
Depois da avalanche de 2014, a atividade passou a ocupar um espaço diferente em sua vida.
A observação cuidadosa das rochas exigia atenção intensa e ajudava a afastar as lembranças relacionadas ao acidente.
Segundo Myerscough, a procura por pequenos sinais nas pedras criava um estado quase meditativo.
O engenheiro passou, então, a dedicar cada vez mais atenção à identificação de restos pré-históricos.
A experiência acumulada também mudou sua percepção visual.
Aos 40 anos, Myerscough afirma que seu “radar de fósseis” permanece praticamente sempre ligado, mesmo quando não está procurando nada de forma intencional.
Descoberta aconteceu em uma praia perto de Penarth
Essa capacidade de observação acabou levando ao principal achado de sua trajetória.
Durante uma caminhada pela praia de Lavernock, perto de Penarth, Myerscough percebeu uma peça presa ao calcário.
O material pertencia a um romaleossauro, predador marinho que viveu no início do período Jurássico.
A peça encontrada era uma mandíbula com uma extremidade característica em formato de colher.
O fóssil possui aproximadamente 201 milhões de anos.
A descoberta ganhou relevância porque representa o primeiro exemplar desse tipo identificado no País de Gales.

Uma diferença de poucos metros poderia ter impedido o achado
O encontro com o fóssil aconteceu por uma combinação incomum de atenção e percurso.
Myerscough já havia passado anteriormente pelo mesmo trecho acompanhado de outros buscadores.
Uma segunda inspeção, entretanto, fez com que ele observasse justamente o ponto onde a mandíbula estava presa.
O engenheiro reconheceu que uma pequena mudança no caminho poderia ter feito o grupo passar longe da peça.
A descoberta, portanto, dependia de uma margem extremamente pequena.
O material posteriormente passou a integrar um trabalho de pesquisa sobre o fóssil.
Outros fósseis também foram encontrados pelo engenheiro
A mandíbula do romaleossauro não foi a única descoberta realizada por Myerscough.
Ao longo de suas buscas, ele também encontrou nadadeiras de plesiossauros, uma grande pegada de dinossauro e o crânio de um ictiossauro.
A atividade exige esforço físico considerável.
No livro “In Search of Sea Dragons: A Fossil Hunter’s Odyssey”, Myerscough descreve uma rotina que envolve marretas, cinzeis, equipamentos e rochas pesadas.
Mesmo quando poucos fósseis aparecem, a mochila pode ficar bastante carregada.
Os riscos naturais também exigem atenção.
Myerscough destaca a necessidade de observar as marés e os possíveis desmoronamentos de falésias.
A recomendação apresentada por ele é realizar as buscas durante a maré vazante.
Avalanche de 2014 acabou antecedendo uma descoberta do Jurássico
A trajetória de Myerscough conecta dois momentos separados por milhões de anos.
O primeiro aconteceu em fevereiro de 2014, quando a avalanche na montanha Yr Wyddfa colocou o engenheiro diante de uma situação de quase morte.
O segundo veio anos depois, quando a retomada de uma atividade da infância levou à descoberta de um predador marinho pré-histórico.
A mandíbula encontrada em Lavernock permaneceu preservada durante aproximadamente 201 milhões de anos antes de ser identificada.
Segundo o relato publicado pelo The Guardian, Myerscough considera extraordinária a sequência necessária para um organismo ser fossilizado, resistir ao tempo e finalmente ser encontrado.
Para ele, fósseis são como “presentes da natureza”, revelados gradualmente pela erosão e pelo movimento do mar.
O que mais chama sua atenção nessa história: a raridade do fóssil com 201 milhões de anos ou a sequência improvável de acontecimentos que levou à descoberta?
