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Cabeleireira observa estátuas romanas de 2 mil anos, desconfia dos grampos, testa agulha e linha e revela como mulheres da Roma Antiga conseguiam sustentar penteados extremamente elaborados

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 02/08/2026 às 17:34 Atualizado em 02/08/2026 às 18:41
Estátua romana em mármore com penteado elaborado de cachos, semelhante aos estilos estudados por Janet Stephens.
Escultura romana mostra um penteado formado por inúmeros cachos, semelhante aos estilos que levaram Janet Stephens a investigar técnicas antigas com agulha e linha.
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Janet Stephens estudou esculturas e textos latinos, reproduziu técnicas antigas e mostrou como tranças romanas poderiam ser costuradas para permanecer firmes

Uma dúvida surgida diante de esculturas romanas levou uma cabeleireira dos Estados Unidos a investigar como mulheres da Roma Antiga sustentavam penteados extremamente complexos.

Durante décadas, arqueólogos e historiadores consideraram que aquelas estruturas dependiam principalmente de grampos ou grandes quantidades de cabelos postiços.

Janet Stephens, cabeleireira de Baltimore, percebeu, porém, um detalhe diferente ao observar esculturas no Walters Art Museum.

Os penteados apresentavam tranças, cachos e volumes cuidadosamente organizados. Mesmo assim, os elementos necessários para sustentar essas estruturas não apareciam claramente.

A partir dessa observação, Stephens começou a testar outra possibilidade.

Utilizando agulha, linha e técnicas descritas em textos antigos, ela conseguiu reproduzir penteados semelhantes aos encontrados nas esculturas.

Sua pesquisa foi publicada em 2008 no Journal of Roman Archaeology.

Observação em esculturas iniciou investigação sobre os penteados

Janet Stephens trabalhava diariamente com cabelos quando uma visita ao Walters Art Museum despertou sua curiosidade.

Durante a observação das esculturas romanas, a cabeleireira percebeu que alguns penteados apresentavam estruturas extremamente elaboradas.

Tranças eram organizadas em diferentes posições. Cachos apareciam sobrepostos. Volumes também formavam composições difíceis de sustentar.

A explicação tradicional apontava principalmente para grampos e cabelos postiços.

Stephens percebeu, entretanto, que grampos de haste única poderiam deslizar facilmente entre os fios.

A ausência evidente desses elementos nas esculturas reforçou sua dúvida.

A cabeleireira decidiu, então, investigar como os penteados poderiam ter sido feitos usando apenas recursos disponíveis na própria Roma Antiga.

Textos latinos ajudaram a revelar uma possibilidade diferente

Stephens começou a estudar referências antigas relacionadas aos cuidados com os cabelos.

Obras associadas a autores clássicos, como Ovídio e Juvenal, fizeram parte dessa investigação.

Uma palavra encontrada nos textos ganhou importância especial: acus.

Tradicionalmente, esse termo havia sido traduzido como “grampo de cabelo”.

Stephens identificou, porém, outro significado possível.

A palavra também poderia indicar uma agulha ou um instrumento utilizado com linha.

Essa interpretação mudou completamente a maneira como a cabeleireira passou a observar os penteados das esculturas.

A hipótese precisava, entretanto, funcionar na prática.

Agulha e linha revelaram como as tranças poderiam ficar firmes

Stephens resolveu reproduzir os penteados sem depender dos grampos modernos.

Durante os testes, ela passou uma linha entre diferentes partes do cabelo.

As próprias mechas eram, dessa forma, costuradas umas às outras.

O método apresentou um resultado importante.

Os penteados permaneceram firmes e reproduziram modelos semelhantes aos observados nas esculturas romanas.

Grandes estruturas internas também deixaram de ser necessárias.

A reconstrução utilizava materiais relativamente simples:

  • cabelo natural, separado e organizado em tranças;
  • agulha e linha, usadas para prender diferentes mechas;
  • água, utilizada durante a modelagem dos fios;
  • pomadas, empregadas principalmente pelas mulheres da elite no acabamento.

A técnica mostrou que estruturas visualmente complexas poderiam depender mais do método utilizado do que de grandes quantidades de acessórios.

Pesquisa foi publicada no Journal of Roman Archaeology

Os resultados foram apresentados por Janet Stephens no artigo “Ancient Roman Hairdressing: On (Hair)pins and Needles”.

O estudo foi publicado em 2008, no volume 21 do Journal of Roman Archaeology, entre as páginas 110 e 132.

A pesquisa ajudou a aproximar técnicas profissionais de cabeleireiro das práticas utilizadas pela arqueologia experimental.

Esse tipo de investigação busca compreender atividades antigas reproduzindo ferramentas, materiais e procedimentos disponíveis naquele período.

Stephens continuou reconstruindo penteados históricos e divulgando demonstrações dessas técnicas.

O trabalho também aproximou a história dos penteados romanos do cotidiano de cabeleireiros e interessados na cultura da Antiguidade.

Penteados também mostravam posição social na Roma Antiga

A aparência dos cabelos não servia apenas como elemento estético.

Entre as famílias mais ricas, penteados elaborados também poderiam demonstrar riqueza e prestígio social.

Mulheres da elite contavam com servas especializadas conhecidas como ornatrices.

Essas profissionais cuidavam da criação de tranças, cachos e outras composições capilares.

Estruturas mais complexas exigiam habilidade e tempo.

A sofisticação do penteado, portanto, também indicava os recursos disponíveis para aquela mulher.

Perucas e extensões eram conhecidas no mundo antigo.

Stephens argumentou, porém, que muitas romanas não precisariam recorrer necessariamente a grandes quantidades de cabelo postiço.

O domínio da técnica poderia permitir a construção de penteados sofisticados usando o próprio cabelo da mulher.

Técnica pode ajudar a explicar um costume de quase 2 mil anos

A interpretação desenvolvida por Stephens apresentou uma explicação prática para imagens preservadas durante séculos em esculturas romanas.

Grampos simples provavelmente teriam dificuldades para sustentar determinadas estruturas.

A costura das mechas, por outro lado, distribuía melhor a sustentação ao longo do penteado.

Stephens também considera que técnicas semelhantes podem ter relação com o desenvolvimento posterior dos grampos em formato de “U”.

Uma dúvida aparentemente simples diante de esculturas, dessa maneira, resultou em uma investigação publicada em uma revista especializada de arqueologia.

O trabalho mostrou que observar técnicas antigas pela experiência prática pode ajudar a compreender detalhes que documentos e esculturas nem sempre explicam diretamente.

Fontes nominais: Journal of Roman Archaeology; Cambridge University Press; Archaeological Institute of America; Walters Art Museum; textos clássicos de Ovídio e Juvenal.

Você imaginava que penteados romanos tão complexos poderiam ser sustentados apenas costurando as próprias mechas com agulha e linha? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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