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Apagões de 4 horas sufocam o negócio de um soldador num país onde só 1 em cada 4 pessoas tem eletricidade; nova bateria de 20 MW promete atender 600 mil casas

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Escrito por Fabio Lucas Carvalho Publicado em 02/08/2026 às 18:09
Descubra como o Malawi está transformando seu negócio de energia com uma bateria autônoma de 20 MW instalada em Lilongwe.
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Sistema de US$ 20 milhões armazenará excedentes renováveis, estabilizará a rede elétrica e poderá aliviar interrupções que afetam hospitais, escolas e pequenos negócios, mas os benefícios anunciados ainda são projeções.

O Malawi inaugurou sua primeira bateria autônoma de escala industrial, um sistema de 20 MW/40 MWh instalado em Kanengo, Lilongwe, para estabilizar a rede e aproveitar eletricidade renovável que antes precisava ser restringida.

Bateria pode operar por aproximadamente duas horas

A instalação entrou oficialmente em operação em 24 de julho de 2026. O projeto foi desenvolvido pela concessionária estatal Electricity Supply Corporation of Malawi, a ESCOM, em parceria com a Global Energy Alliance for People and Planet.

Segundo o comunicado oficial da inauguração, a estrutura recebeu US$ 20 milhões em financiamento catalítico da aliança internacional.

O sistema possui potência máxima de 20 MW e capacidade para armazenar 40 MWh. Em termos nominais, isso permitiria uma descarga de aproximadamente duas horas se a bateria operasse continuamente em sua potência máxima.

Na prática, a instalação será utilizada de maneira flexível. Ela poderá armazenar eletricidade quando houver produção elevada, fornecer energia nos períodos de maior consumo e responder rapidamente às oscilações de frequência e tensão da rede.

A bateria também deverá reduzir a necessidade de desligar fontes renováveis quando a produção supera momentaneamente a capacidade de absorção do sistema elétrico.

A Global Energy Alliance estima que a instalação permitirá aproveitar cerca de 100 MW de capacidade renovável existente que enfrentava limitações na rede. A organização também projeta uma redução superior a 10 mil toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano.

Projeto deve beneficiar consumidores já conectados

A ESCOM relaciona o projeto a aproximadamente 600 mil residências e instalações industriais. Esse número, porém, não representa necessariamente 600 mil novas ligações elétricas.

O edital original da concessionária estabeleceu como objetivo melhorar o acesso e a qualidade da energia para cerca de 600 mil domicílios e indústrias que já estavam conectados à rede nacional.

A bateria não produz eletricidade nem realiza diretamente novas ligações. Sua função é armazenar a energia disponível e ajudar a rede a utilizá-la de forma mais estável, especialmente quando a geração solar varia ou o consumo aumenta.

A estrutura também oferece serviços de controle de frequência, suporte à tensão e resposta a desequilíbrios. Essas funções reduzem o risco de falhas que podem causar interrupções mais amplas.

Somente cerca de um quarto da população do Malawi possui acesso à eletricidade. O governo estabeleceu como meta elevar esse índice para 70% até 2030, expansão que também dependerá de novas linhas, subestações, transformadores e conexões residenciais.

Concessionária prevê apagões mais curtos

O diretor de operações da ESCOM, Sinosi Maliano, declarou que o sistema poderá reduzir a duração dos apagões de aproximadamente quatro horas para menos de duas horas.

A estimativa foi apresentada durante a inauguração, mas ainda não representa um resultado operacional medido. A concessionária também não especificou se as quatro horas correspondem à média diária, a cada interrupção ou a determinados ciclos de racionamento.

O efeito real dependerá da quantidade de energia disponível para carregamento, do nível de consumo, das condições da geração hidrelétrica e da forma como a bateria será administrada.

O armazenamento ganha importância diante da dependência do Malawi em relação às hidrelétricas instaladas no rio Shire. Um forte El Niño deverá provocar temperaturas elevadas e poderá reduzir a disponibilidade de água, aumentando a pressão sobre a geração.

Soldador relaciona apagões à perda de renda

As interrupções afetam especialmente atividades que dependem diretamente de máquinas elétricas. Em entrevista à Reuters, o soldador Adrian Masoambeta, de 43 anos, relatou que os apagões prejudicam sua oficina.

Masoambeta afirmou que a renda do negócio não tem sido suficiente para sustentar a família e pagar as despesas universitárias dos filhos. Ele atribuiu parte dessas dificuldades à frequência dos cortes de energia.

O depoimento mostra como a instabilidade elétrica atinge pequenos empreendedores, que podem perder horas de trabalho e enfrentar atrasos na entrega de serviços. Masoambeta afirmou esperar que as autoridades cumpram as promessas relacionadas às novas baterias.

O governo planeja instalar outras três estruturas de armazenamento, com capacidade combinada de 60 MW, em duas cidades. Os novos projetos ainda são planos anunciados, enquanto a unidade de Kanengo inicia sua fase operacional e passa a fornecer os primeiros dados sobre seus efeitos na rede nacional.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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