Sistema de US$ 20 milhões armazenará excedentes renováveis, estabilizará a rede elétrica e poderá aliviar interrupções que afetam hospitais, escolas e pequenos negócios, mas os benefícios anunciados ainda são projeções.
O Malawi inaugurou sua primeira bateria autônoma de escala industrial, um sistema de 20 MW/40 MWh instalado em Kanengo, Lilongwe, para estabilizar a rede e aproveitar eletricidade renovável que antes precisava ser restringida.
Bateria pode operar por aproximadamente duas horas
A instalação entrou oficialmente em operação em 24 de julho de 2026. O projeto foi desenvolvido pela concessionária estatal Electricity Supply Corporation of Malawi, a ESCOM, em parceria com a Global Energy Alliance for People and Planet.
Segundo o comunicado oficial da inauguração, a estrutura recebeu US$ 20 milhões em financiamento catalítico da aliança internacional.
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O sistema possui potência máxima de 20 MW e capacidade para armazenar 40 MWh. Em termos nominais, isso permitiria uma descarga de aproximadamente duas horas se a bateria operasse continuamente em sua potência máxima.
Na prática, a instalação será utilizada de maneira flexível. Ela poderá armazenar eletricidade quando houver produção elevada, fornecer energia nos períodos de maior consumo e responder rapidamente às oscilações de frequência e tensão da rede.
A bateria também deverá reduzir a necessidade de desligar fontes renováveis quando a produção supera momentaneamente a capacidade de absorção do sistema elétrico.
A Global Energy Alliance estima que a instalação permitirá aproveitar cerca de 100 MW de capacidade renovável existente que enfrentava limitações na rede. A organização também projeta uma redução superior a 10 mil toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano.
Projeto deve beneficiar consumidores já conectados
A ESCOM relaciona o projeto a aproximadamente 600 mil residências e instalações industriais. Esse número, porém, não representa necessariamente 600 mil novas ligações elétricas.
O edital original da concessionária estabeleceu como objetivo melhorar o acesso e a qualidade da energia para cerca de 600 mil domicílios e indústrias que já estavam conectados à rede nacional.
A bateria não produz eletricidade nem realiza diretamente novas ligações. Sua função é armazenar a energia disponível e ajudar a rede a utilizá-la de forma mais estável, especialmente quando a geração solar varia ou o consumo aumenta.
A estrutura também oferece serviços de controle de frequência, suporte à tensão e resposta a desequilíbrios. Essas funções reduzem o risco de falhas que podem causar interrupções mais amplas.
Somente cerca de um quarto da população do Malawi possui acesso à eletricidade. O governo estabeleceu como meta elevar esse índice para 70% até 2030, expansão que também dependerá de novas linhas, subestações, transformadores e conexões residenciais.
Concessionária prevê apagões mais curtos
O diretor de operações da ESCOM, Sinosi Maliano, declarou que o sistema poderá reduzir a duração dos apagões de aproximadamente quatro horas para menos de duas horas.
A estimativa foi apresentada durante a inauguração, mas ainda não representa um resultado operacional medido. A concessionária também não especificou se as quatro horas correspondem à média diária, a cada interrupção ou a determinados ciclos de racionamento.
O efeito real dependerá da quantidade de energia disponível para carregamento, do nível de consumo, das condições da geração hidrelétrica e da forma como a bateria será administrada.
O armazenamento ganha importância diante da dependência do Malawi em relação às hidrelétricas instaladas no rio Shire. Um forte El Niño deverá provocar temperaturas elevadas e poderá reduzir a disponibilidade de água, aumentando a pressão sobre a geração.
Soldador relaciona apagões à perda de renda
As interrupções afetam especialmente atividades que dependem diretamente de máquinas elétricas. Em entrevista à Reuters, o soldador Adrian Masoambeta, de 43 anos, relatou que os apagões prejudicam sua oficina.
Masoambeta afirmou que a renda do negócio não tem sido suficiente para sustentar a família e pagar as despesas universitárias dos filhos. Ele atribuiu parte dessas dificuldades à frequência dos cortes de energia.
O depoimento mostra como a instabilidade elétrica atinge pequenos empreendedores, que podem perder horas de trabalho e enfrentar atrasos na entrega de serviços. Masoambeta afirmou esperar que as autoridades cumpram as promessas relacionadas às novas baterias.
O governo planeja instalar outras três estruturas de armazenamento, com capacidade combinada de 60 MW, em duas cidades. Os novos projetos ainda são planos anunciados, enquanto a unidade de Kanengo inicia sua fase operacional e passa a fornecer os primeiros dados sobre seus efeitos na rede nacional.
