Terceira fase de Silvertip utiliza instalações submarinas existentes e tem 17 milhões de barris equivalentes recuperáveis estimados, ampliando a operação em águas profundas.
A Shell iniciou a produção de petróleo e gás em dois novos poços submarinos no Golfo do México, ampliando as operações da plataforma Perdido, localizada a aproximadamente 320 quilômetros da costa do Texas, nos Estados Unidos. O anúncio foi feito em 28 de outubro de 2026, com previsão de que os poços alcancem uma produção conjunta de até 6 mil barris de óleo equivalente por dia no pico de operação.
Segundo informações divulgadas pela World Oil e confirmadas pela Shell Offshore, a entrada em operação marca o início da terceira fase do projeto Silvertip. O desenvolvimento utiliza infraestrutura submarina já instalada e reúne recursos recuperáveis estimados em 17 milhões de barris de óleo equivalente, sem exigir a construção de uma nova plataforma de produção.
Dois poços submarinos ampliam a produção da Shell no Golfo do México

O início da terceira fase de Silvertip acrescenta uma nova fonte de produção ao complexo Perdido, operado pela Shell desde 2010.
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Os dois poços estão localizados no reservatório Silvertip Frio, parte de um sistema de exploração situado em águas profundas no Golfo do México.
A Shell estima que os equipamentos possam alcançar uma vazão conjunta máxima de 6 mil barris de óleo equivalente por dia. Essa medida reúne petróleo e gás natural em uma unidade energética comum, permitindo comparar diferentes tipos de hidrocarbonetos.
O volume representa o pico produtivo esperado para a terceira fase, não a produção diária já comprovada no momento da partida.
A participação da Shell no reservatório Silvertip Frio é de 40%, enquanto a Chevron possui os outros 60%. A companhia britânica permanece como operadora, responsável pela execução e pelo gerenciamento das atividades.
Os percentuais são diferentes daqueles registrados na estrutura societária da plataforma Perdido, que recebe hidrocarbonetos de diferentes projetos e possui outros parceiros.
A expansão ocorre após a Shell aprovar o investimento em dezembro de 2024. Na ocasião, a companhia estabeleceu 2026 como prazo esperado para a primeira produção, objetivo confirmado com o início das operações em outubro.
Plataforma Perdido opera em águas de aproximadamente 2.440 metros de profundidade
A produção será encaminhada para Perdido, uma das instalações offshore mais profundas do mundo.
A plataforma está localizada na região de Alaminos Canyon, a aproximadamente 200 milhas, ou 322 quilômetros, ao sul de Galveston, no Texas.
Segundo os dados da Shell, a instalação opera em águas com profundidade aproximada de 8 mil pés, equivalentes a cerca de 2.440 metros.
Perdido é uma plataforma do tipo spar, estrutura flutuante sustentada por um casco cilíndrico vertical de grande profundidade, conectado a sistemas de ancoragem no fundo do mar.
Essa configuração permite manter equipamentos de processamento e produção em regiões onde estruturas fixas convencionais seriam pouco adequadas devido à profundidade.
A instalação foi projetada para processar hidrocarbonetos provenientes de diferentes reservatórios e possui capacidade produtiva de pico de aproximadamente 125 mil barris de óleo equivalente por dia.
Esse número corresponde à capacidade de Perdido como complexo de produção. Os 6 mil barris equivalentes previstos para Silvertip representam apenas a contribuição adicional dos dois poços recém-conectados.
O sistema também envolve equipamentos submarinos, linhas de transporte e unidades responsáveis pelo tratamento dos fluidos extraídos.
A complexidade desse tipo de operação aparece em outros projetos de exploração offshore em águas profundas, como as campanhas realizadas pela Chevron no Mediterrâneo para avaliar novos reservatórios de gás natural.
Shell utiliza infraestrutura submarina existente para evitar uma nova plataforma

Uma das características centrais da terceira fase de Silvertip é a conexão dos poços à estrutura de produção já instalada em Perdido.
Esse modelo é conhecido como tieback submarino. Nele, os hidrocarbonetos extraídos de um reservatório são transportados por equipamentos e tubulações submarinas até uma unidade de produção existente.
A alternativa permite utilizar sistemas de processamento, exportação e apoio operacional previamente construídos, reduzindo a necessidade de instalar uma unidade independente para cada novo projeto.
No caso de Silvertip, os dois poços foram interligados à infraestrutura submarina disponível no complexo.
A Shell não divulgou o investimento total realizado especificamente na terceira fase. Portanto, não é possível quantificar a economia financeira obtida com o aproveitamento da plataforma.
O projeto, entretanto, segue uma estratégia de desenvolvimento de reservatórios próximos a instalações em funcionamento, permitindo ampliar a produção sem repetir integralmente a infraestrutura de superfície.
Em comunicado oficial, Colette Hirstius, vice-presidente executiva da Shell para o Golfo e presidente da Shell USA, afirmou que utilizar as instalações de Perdido permite aumentar o aproveitamento do ativo e prolongar sua vida operacional.
O transporte e a instalação de estruturas submarinas também fazem parte das atividades de empresas especializadas. Recentemente, a DOF conquistou um contrato para instalação de sistemas submarinos na África, utilizando uma embarcação de construção offshore.
Projeto Silvertip possui 17 milhões de barris equivalentes recuperáveis estimados
A terceira fase de Silvertip reúne recursos recuperáveis estimados em 17 milhões de barris de óleo equivalente, segundo a Shell.
O volume está classificado como 2P, categoria que combina reservas provadas e prováveis dentro do sistema de classificação adotado pela indústria petrolífera.
Essa classificação considera informações geológicas, técnicas e econômicas disponíveis durante a avaliação do reservatório.
A quantidade informada representa a estimativa bruta recuperável de todo o projeto, antes da divisão econômica entre Shell e Chevron.
Portanto, não corresponde exclusivamente à participação da Shell, que controla 40% da terceira fase.
A estimativa também não significa que os 17 milhões de barris serão extraídos imediatamente. A recuperação ocorrerá ao longo da vida produtiva dos poços, sujeita às condições do reservatório e ao desempenho dos equipamentos.
A operadora não anunciou uma data para atingir o pico de 6 mil barris equivalentes por dia nem apresentou um cronograma detalhado de redução futura da produção.
Os volumes efetivamente entregues dependerão do comportamento dos poços após o início da operação comercial.
Chevron, BP e outros parceiros dividem a estrutura de produção de Perdido
Embora a Shell opere o complexo Perdido, sua participação econômica na infraestrutura principal é diferente daquela que possui no reservatório Silvertip Frio.
No empreendimento denominado Perdido Regional Host, a companhia controla 35%.
A Chevron USA possui participação de 37,5%, enquanto a 3C Perdido Holdings detém 26,5%. A BP participa com o 1% restante.
Essa estrutura reúne diferentes empresas em um mesmo sistema de produção, permitindo compartilhar instalações e serviços necessários às operações offshore.
O modelo também exige coordenação entre parceiros para administrar investimentos, manutenção, processamento e utilização dos equipamentos disponíveis.
A participação da Chevron em projetos de águas profundas não se limita ao Golfo do México. A empresa também desenvolve atividades no Mediterrâneo e integra diferentes investimentos internacionais de petróleo e gás.
No CPG, a expansão das operações marítimas também foi abordada em reportagem sobre a parceria entre Eni e PTTEP, que concentrou participações em uma concessão de gás operada pela ADNOC nos Emirados Árabes Unidos.
No caso de Perdido, a divisão societária da plataforma não altera os percentuais próprios do desenvolvimento Silvertip Frio, mantidos em 40% para a Shell e 60% para a Chevron.
Início da produção reforça estratégia de aproveitar campos offshore existentes
A entrada em operação de Silvertip ocorre em um período no qual a Shell busca ampliar o aproveitamento de instalações já desenvolvidas no Golfo do México.
Segundo a companhia, a região permanece entre seus principais mercados de produção em águas profundas, com infraestrutura capaz de receber novos projetos associados a reservatórios próximos.
A estratégia permite distribuir investimentos por diferentes fases, desde que os estudos geológicos e as condições econômicas sustentem o desenvolvimento.
Perdido permanece em operação desde 2010, enquanto a terceira fase de Silvertip acrescenta dois poços ao sistema já existente.
A Shell também afirma que sua produção na região apresenta baixa intensidade de emissões de gases de efeito estufa em comparação com operações de outros integrantes da associação internacional IOGP. Essa comparação se refere à intensidade das operações de produção e não elimina as emissões associadas ao consumo dos combustíveis.
Com os dois poços em funcionamento, a próxima etapa será acompanhar a evolução das vazões até o pico previsto de 6 mil barris equivalentes por dia. A companhia não divulgou um prazo específico para alcançar essa capacidade.
