A EPE apresentou novas perspectivas para a produção brasileira de petróleo e gás natural até 2036. O estudo reúne estimativas sobre o pré-sal, novos projetos e investimentos necessários para ampliar a infraestrutura energética do país.
O Brasil poderá aumentar sua produção de petróleo em até 30% na próxima década, impulsionado principalmente pelos campos do pré-sal. Para o gás natural, a perspectiva apresentada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) é de crescimento próximo de 95% na produção líquida, ampliando o volume do combustível potencialmente disponível para processamento no país.
As projeções foram apresentadas pelo superintendente adjunto de Petróleo e Gás Natural da EPE, Marcelo Alfradique, durante a 5ª Brazilian Petroleum Conference, realizada entre 19 e 21 de outubro de 2026, no Rio de Janeiro.
Segundo o comunicado oficial da EPE, publicado em 22 de outubro, o crescimento previsto faz parte das perspectivas do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), que reúne estimativas para a evolução da produção e do abastecimento energético brasileiro.
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O levantamento aponta para a ampliação das atividades de exploração e produção no país, acompanhada da necessidade de investimentos em plataformas, gasodutos e instalações de processamento.
No caso do gás natural, a expansão dependerá também da infraestrutura necessária para transportar o combustível das áreas produtoras aos centros consumidores.

Produção de petróleo no Brasil poderá chegar a 5 milhões de barris por dia
O pré-sal continuará sendo um dos principais responsáveis pelo crescimento da produção brasileira de petróleo nos próximos anos. As projeções consideram a entrada de novas unidades de produção e o desenvolvimento de campos já descobertos, especialmente em águas profundas.
No Relatório Síntese do PDE 2036, divulgado em 8 de outubro, a EPE estima que o país poderá alcançar 5 milhões de barris de petróleo por dia em 2028, mantendo a produção próxima desse patamar até o encerramento da próxima década.
Para 2036, a expectativa é de aproximadamente 4,9 milhões de barris diários. O documento considera uma produção de 4,2 milhões de barris por dia em 2026, dentro do cenário de referência utilizado no planejamento energético.
Entre os principais campos que sustentam essas projeções estão Búzios, Tupi, Mero, Sépia e Atapu, localizados no pré-sal da Bacia de Santos. O estudo também inclui projetos como Bacalhau, Bacalhau Norte, Raia e Sergipe Águas Profundas.
A participação do pré-sal já aparece nos dados mais recentes da produção nacional. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o Brasil extraiu 4,615 milhões de barris de petróleo por dia em agosto de 2026, dos quais 3,842 milhões vieram do pré-sal.
Naquele mês, o campo de Búzios, na Bacia de Santos, liderou a produção brasileira de petróleo, com aproximadamente 1,172 milhão de barris por dia.
A EPE também considera a contribuição futura de novas áreas exploratórias. No cenário apresentado pelo PDE 2036, recursos ainda não descobertos em áreas contratadas poderão responder por cerca de 10% da produção nacional de petróleo ao final do período.
Produção líquida de gás natural pode quase dobrar até 2036
As perspectivas para o gás natural envolvem principalmente o aumento dos volumes disponíveis para processamento e a entrada de projetos capazes de ampliar o abastecimento nacional.
Durante a conferência de outubro, Marcelo Alfradique apresentou uma expectativa de crescimento de aproximadamente 95% na produção líquida de gás natural ao longo do horizonte decenal.
Já o Relatório Síntese do PDE 2036 trabalha com uma projeção de 135 milhões de metros cúbicos por dia em 2036, crescimento de 85% em relação aos 73 milhões de metros cúbicos diários considerados para 2026.
O comunicado da conferência não detalha a diferença entre os percentuais apresentados nas duas publicações.
A produção líquida corresponde ao volume potencialmente disponível para as unidades de processamento, depois de descontadas parcelas utilizadas nas operações de exploração e produção, como reinjeção nos reservatórios, consumo próprio, perdas e queima.
O crescimento previsto pela EPE depende, em parte, de novos empreendimentos de gás natural não associado, encontrado em reservatórios cuja exploração não depende diretamente da produção de petróleo.
Entre os projetos considerados no planejamento estão Raia, Sergipe Águas Profundas e campos da Bacia do Parnaíba, que poderão contribuir para o aumento da oferta nacional.
O gás natural é utilizado como combustível e matéria-prima em diferentes atividades econômicas, incluindo a geração de eletricidade, a produção de fertilizantes, a indústria química e outros processos industriais.
Na conferência, Alfradique destacou sua importância para o abastecimento industrial, o agronegócio e os transportes, além do papel que o combustível pode desempenhar na segurança energética brasileira.
Gasodutos e unidades de processamento entram no planejamento da expansão
O aumento da produção de gás natural também exigirá investimentos para levar o combustível dos campos produtores até os locais de consumo.
Essa estrutura envolve gasodutos de escoamento, unidades de processamento de gás natural (UPGNs) e redes de transporte que conectam os pontos de oferta aos mercados consumidores.

A EPE projeta que a oferta potencial total de gás na malha integrada poderá alcançar 175 milhões de metros cúbicos por dia em 2036, considerando diferentes fontes de suprimento.
Uma das questões discutidas durante a Brazilian Petroleum Conference foi justamente a necessidade de ampliar a infraestrutura de escoamento e transporte.
Marcelo Alfradique também mencionou diferenças regulatórias entre os mercados como desafios para o desenvolvimento do setor. As condições de acesso à infraestrutura e a integração entre produção, processamento e transporte fazem parte das questões consideradas no planejamento.
No pré-sal, parte do gás extraído junto com o petróleo é reinjetada nos reservatórios. Essa prática pode contribuir para manter a pressão das jazidas e melhorar a recuperação de petróleo, além de participar do manejo do gás com dióxido de carbono.
O PDE 2036 considera que a expansão mais expressiva da produção líquida virá da entrada de novos projetos de grande porte, especialmente aqueles com reservas de gás não associado.
Investimentos em petróleo e gás podem ultrapassar US$ 400 bilhões na próxima década
A ampliação da produção brasileira está associada a um volume expressivo de investimentos no setor de exploração e produção.
Segundo o PDE 2036, os investimentos em exploração e produção de petróleo e gás natural poderão variar entre US$ 415 bilhões e US$ 443 bilhões de 2027 a 2036.
As estimativas contemplam o desenvolvimento de campos do pré-sal, projetos em novas áreas exploratórias, atividades para manter a produção de campos existentes e melhorias tecnológicas nas operações.
O estudo também considera novas fronteiras, como a Margem Equatorial, além de possíveis projetos futuros na Bacia de Pelotas e em áreas terrestres.
No planejamento energético mais amplo, que inclui eletricidade, biocombustíveis e outras atividades, a EPE estima aproximadamente R$ 3,3 trilhões em investimentos durante o período.
A participação das fontes renováveis na matriz energética brasileira deverá permanecer próxima de 50%, de acordo com a apresentação realizada na conferência. O cenário combina crescimento da demanda energética com expansão de diferentes fontes de abastecimento.
Apesar da expectativa de maior produção de petróleo, o PDE 2036 também projeta que o Brasil continuará importando determinados derivados, especialmente óleo diesel, para complementar o abastecimento nacional.
O planejamento considera que o país permanecerá exportador líquido de petróleo bruto até 2036, enquanto a ampliação do refino e da infraestrutura de transporte integrará as necessidades do setor.
O Relatório Síntese do PDE 2036 está em consulta pública desde 8 de outubro de 2026, com recebimento de contribuições até 6 de novembro.
O processo é conduzido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), em conjunto com a EPE, e subsidiará a elaboração da versão final do planejamento energético.
