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Quem usa gás natural no Brasil passou a ter 42 milhões de m³ por dia de gás nacional da Petrobras no 3º trimestre, e a estatal cortou 28,6% da compra da Bolívia com Búzios acima de 11 milhões de m³ diários

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 29/10/2026 às 04:15 Atualizado em 29/10/2026 às 04:16
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A Petrobras entregou 42 milhões de metros cúbicos de gás nacional por dia no 3º trimestre de 2026, alta de 10,5%, e comprou só 5 milhões por dia da Bolívia, contra 7 milhões no trimestre anterior.

Os números estão no relatório de produção e vendas do terceiro trimestre, divulgado na noite desta quarta-feira (28), o mesmo que trouxe o recorde de petróleo e gás da estatal.

A importação boliviana caiu 28,6% em três meses. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, quando a Petrobras trazia 8 milhões de metros cúbicos por dia, a queda chega a 37,5%.

O gás de Búzios passou de 11 milhões de m³ por dia

A virada vem do pré-sal. Pela primeira vez, as plataformas de Búzios superaram a média de 11 milhões de metros cúbicos por dia de gás exportado para o continente, informou a Agência Petrobras.

Búzios é o maior campo do Brasil em reservas e produção, na Bacia de Santos. O gás que sai das plataformas chega à costa por gasoduto e entra na malha que abastece indústrias, distribuidoras e térmicas.

“Com a maior oferta nacional, houve recuo nas importações de gás boliviano e de GNL”, diz o relatório. A regaseificação de gás natural liquefeito, que foi de 1 milhão de m³ por dia no segundo trimestre, zerou.

Gráfico da Petrobras comparando a produção total própria do 3º trimestre de 2025, do 2º e do 3º trimestre de 2026
Produção própria da Petrobras chegou a 3,51 milhões de barris de óleo equivalente por dia no 3º trimestre de 2026 (Divulgação/Petrobras)

No ano, a Bolívia já vende 36% menos à Petrobras

O movimento não é de um trimestre só. De janeiro a setembro, a entrega de gás nacional pela Petrobras teve média de 40 milhões de m³ por dia, contra 33,5 milhões no mesmo período de 2025, uma alta de 19,4%.

No mesmo intervalo, a compra da Bolívia caiu de 9,4 milhões para 6 milhões de m³ por dia, recuo de 36,2%. O país vizinho foi por décadas o principal fornecedor externo de gás ao Brasil.

As vendas de gás natural da Petrobras, somando o consumo interno da própria empresa, ficaram em 47 milhões de m³ por dia no trimestre, 4,4% acima do segundo trimestre.

As térmicas puxaram parte da demanda

Segundo a estatal, a alta nas vendas reflete a maior oferta de gás nacional e a maior demanda termelétrica no trimestre, quando as usinas a gás foram mais acionadas.

A disponibilidade de potência vendida pela Petrobras em leilão de reserva de capacidade saltou de 1.120 MW para 2.210 MW. Cinco contratos começaram a valer em agosto, e outros três foram antecipados para setembro.

Esses contratos vêm do leilão de reserva de capacidade de março de 2026. A venda de energia elétrica da companhia subiu 5,6%, para 962 MW médios.

O aproveitamento do gás associado bateu recorde

Outro dado ajuda a explicar a sobra de gás. O Índice de Utilização do Gás Associado, que mede quanto do gás que sai junto com o petróleo é aproveitado, chegou a 98,3%, recorde da empresa.

O recorde anterior era de 98,1%, no quarto trimestre de 2025. Quanto maior o índice, menos gás é queimado nas plataformas e mais gás fica disponível para reinjeção ou para o mercado.

A Petrobras também ampliou contratos de longo prazo de processamento de gás de produtores independentes na unidade de Catu, na Bahia, segundo o relatório.

O petróleo bateu 3,51 milhões de barris por dia

A produção própria de óleo, LGN e gás da estatal chegou a 3,512 milhões de barris de óleo equivalente por dia, 11,7% acima do terceiro trimestre de 2025 e 5,3% acima do segundo trimestre.

Somando a parte dos sócios nos campos que a Petrobras opera, a produção total passou pela primeira vez de 5 milhões de barris por dia e chegou a 5,08 milhões.

O avanço veio da maior eficiência de produção desde o quarto trimestre de 2018, do aumento de produção das plataformas P-78 e P-79 em Búzios e do FPSO Alexandre de Gusmão em Mero.

Navio-plataforma FPSO Almirante Tamandaré, de casco laranja, em alto-mar no campo de Búzios
FPSO Almirante Tamandaré, em Búzios, bateu 263 mil barris por dia em julho e segue como a plataforma que mais produz no Brasil (Divulgação/Petrobras)

Mero já é o terceiro maior campo do país

No campo de Mero, também no pré-sal da Bacia de Santos, as plataformas produziram juntas 760 mil barris de óleo por dia no trimestre.

Mero fica atrás só de Búzios e de Tupi. O FPSO Sepetiba, afretado da SBM Offshore, chegou a um pico de 212 mil barris em um dia de setembro, acima dos 180 mil do projeto.

Doze poços produtores novos entraram em operação no período, seis na Bacia de Campos e seis na de Santos, segundo a companhia.

Mais duas plataformas gigantes chegam em 2027

O gás de Búzios deve crescer mais. As plataformas P-80 e P-82 deixaram o estaleiro em Singapura em 30 de setembro e 18 de outubro, rumo ao campo, com operação prevista para 2027.

Cada uma tem capacidade para produzir 225 mil barris por dia e comprimir 12 milhões de metros cúbicos de gás por dia. Serão a nona e a décima unidades instaladas em Búzios.

O FPSO Almirante Tamandaré, também em Búzios, segue como a plataforma que mais produz no Brasil, com média recorde de 263 mil barris por dia em julho.

Quem compra gás da Bolívia sente o efeito

A queda da importação boliviana já aparecia nas distribuidoras do Centro-Oeste e do Sul, que dependem do Gasbol. Aqui no site, o tema surgiu quando a MSGás avançou com o gasoduto para a fábrica da Arauco.

O relatório não informa o preço do gás nacional vendido às distribuidoras nem diz se a troca de origem reduz a conta de quem consome. A Petrobras divulga o resultado financeiro do trimestre em novembro.

O que falta saber sobre o gás de 2027

Com a P-80 e a P-82, a oferta de gás de Búzios pode subir mais no ano que vem. A dúvida é se a malha de gasodutos e as unidades de processamento em terra vão dar conta.

Você acha que o gás do pré-sal vai baratear a conta de quem usa gás natural na indústria e em casa, ou a economia fica no caminho? Conte nos comentários.

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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