Uma nova descoberta na Bahia revela uma frente de terras raras de 500 metros e um trecho com teor de 13,3%; mais de 4,5 km seguem sem perfuração enquanto a empresa prepara nova estimativa de recursos.
Uma nova frente de terras raras apareceu na Bahia com dois números que colocam a descoberta sob atenção: 500 metros de mineralização já acompanhada por sondagens e mais de 4,5 quilômetros de corredor que ainda não receberam perfuração diamantada. No trecho já testado, a Brazilian Rare Earths registrou um pico de 13,3% de óxidos totais de terras raras, ou TREO, em um intervalo de um metro.
A área recebeu o nome de Sulista South e fica cerca de 800 metros ao sul do depósito Sulista East, dentro do projeto Sulista. A mineralização continua aberta para os lados e em profundidade, o que significa que os furos realizados até agora ainda não delimitaram onde a nova zona termina.
O pico de 13,3% veio de um metro, enquanto intervalos maiores também entregaram teores elevados
O número de 13,3% é o maior teor divulgado, mas corresponde a um trecho específico de um metro. Os resultados mais largos ajudam a enxergar melhor o conjunto: um dos furos cortou 6,8 metros com média de 4,7% de TREO, incluindo 4,1 metros a 6%. Outro registrou 9 metros com média de 4,6%.
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Em uma terceira interceptação, a empresa encontrou 5,5 metros com média de 4,3%, intervalo que contém o trecho de um metro a 13,3%. A companhia também informou que as camadas mineralizadas empilhadas chegam a até 18 metros de espessura estimada na nova área.
A primeira etapa teve 13 furos e 1.674 metros perfurados. Na divulgação dos resultados, os ensaios de oito furos já haviam retornado do laboratório e cinco continuavam pendentes. Parte da própria campanha inicial, portanto, ainda pode acrescentar novos dados à descoberta.

O alvo não termina nos 500 metros: mais de 4,5 km seguem sem nenhum furo de diamante
É fora da área já perfurada que está o maior espaço para crescimento. Ao sul de Sulista South, a Brazilian Rare Earths afirma ter mais de 4,5 quilômetros de corredor de exploração ainda sem sondagem diamantada.
A companhia planeja fazer mais 2 mil metros de perfuração de acompanhamento em Sulista South e executar uma campanha superior a 10 mil metros ao longo desse corredor. Os novos furos deverão mostrar se as camadas de alto teor continuam além dos 500 metros já identificados e quanto a descoberta pode se estender.
O depósito vizinho Sulista East também avançou. Furos de extensão aumentaram em 430 metros o comprimento conhecido da mineralização além do limite usado na estimativa atual de recursos: 350 metros para o norte e outros 80 metros para o sul.
Sulista East já soma 8,2 milhões de toneladas e a empresa prepara uma nova estimativa para 2026
Sulista East possui atualmente 8,2 milhões de toneladas em recursos minerais. Desse total, 2,1 milhões de toneladas estão na categoria indicada, com média de 2,6% de óxidos de terras raras, enquanto 6,1 milhões de toneladas estão na categoria inferida, com média de 2%.
As duas classificações representam níveis diferentes de confiança geológica: a categoria indicada reúne informações mais detalhadas do que a inferida. Por isso, a empresa prevê outros 5 mil metros de sondagem em Sulista East para aumentar a quantidade de dados e tentar elevar a confiança sobre parte do recurso hoje classificado como inferido.
Os novos resultados de Sulista South ainda não fazem parte dos 8,2 milhões de toneladas. A Brazilian Rare Earths pretende atualizar a estimativa de recursos de Sulista até o fim de 2026, incorporando novas perfurações e as extensões que forem confirmadas.
Se ganhar escala, Sulista pode reforçar o plano de processamento de terras raras em Camaçari
A descoberta também tem uma conexão potencial com a estrutura que a companhia está montando em Camaçari. Sulista ficou fora do cenário econômico publicado para a operação integrada entre Monte Alto e o futuro polo de processamento, mas a empresa afirma que o projeto poderá fornecer minério adicional de alto teor no futuro, caso novas perfurações definam recursos suficientes e os estudos técnicos sustentem essa integração.
A primeira etapa da planta-piloto metalúrgica de Camaçari já entrou em operação e produziu o primeiro concentrado mineral de terras raras. A unidade serve para testar o processamento do minério e gerar dados para estudos de viabilidade e para o desenho da futura operação industrial.

Uma segunda etapa está prevista para entrar em comissionamento no segundo trimestre de 2027. A parceria com o SENAI CIMATEC prevê R$ 6,4 milhões em cofinanciamento para essa fase, que deverá testar processos voltados à obtenção de óxido de neodímio e praseodímio, concentrado de terras raras pesadas e recuperação de urânio como coproduto.
Agora, a pergunta é até onde essa nova zona continua por baixo do solo baiano
Os resultados já mostraram uma frente mineralizada de 500 metros e intervalos de alto teor, mas ainda não definiram o tamanho final de Sulista South. Cinco furos da primeira fase aguardavam resultados laboratoriais quando a descoberta foi anunciada, e milhares de metros adicionais de sondagem estão programados.
Os próximos dados serão decisivos porque mais de 4,5 quilômetros do corredor permanecem sem perfuração diamantada. Se a mineralização continuar nessa direção, a nova zona poderá acrescentar volume ao projeto justamente no momento em que a empresa prepara uma atualização de recursos para o fim de 2026.
A descoberta de terras raras na Bahia pode crescer a ponto de reforçar uma cadeia de processamento dentro do próprio estado? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria com quem acompanha mineração e minerais críticos no Brasil.
