Investimento em tecnologia de alta densidade transforma piscicultura no oeste do Paraná, amplia produção por área e reposiciona atividade como alternativa competitiva frente a culturas tradicionais, com foco em eficiência, segurança operacional e escala produtiva, dentro de um modelo integrado que aposta na intensificação do sistema.
O piscicultor Moacir Niehues, de Palotina, no oeste do Paraná, decidiu ampliar a produção de tilápias na propriedade com um investimento de R$ 7 milhões em um sistema de tanques recobertos por geomembrana.
Integrado à cooperativa C.Vale, ele prevê elevar o alojamento de 1,2 milhão de peixes por ciclo para pouco mais de 2 milhões, com aumento de 72% na capacidade, segundo a estimativa apresentada pelo produtor.
A mudança envolve a adoção de um modelo de criação em alta densidade, que, na prática, permite concentrar mais animais em uma área menor.
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De acordo com as informações divulgadas, o sistema com geomembrana possibilita alojar 30 peixes por metro quadrado, contra sete peixes por metro quadrado no método convencional usado pelo produtor até aqui.
Com isso, a ampliação projetada exige um crescimento de apenas 16% na área de piscicultura para obter um salto maior na quantidade de peixes por ciclo.
Niehues implantou o cultivo de tilápia na propriedade há quatro anos e afirma que a decisão de intensificar a atividade passou por cálculos de viabilidade.
“É uma atividade bem interessante, do ponto de vista financeiro, considerando os custos, é possível obter o retorno total do investimento em aproximadamente dez anos”, disse o piscicultor no relato que acompanha o anúncio do projeto.

Geomembrana redefine eficiência e uso da área produtiva
A geomembrana usada nos tanques é descrita como um material flexível, soldável e resistente ao sol, aplicado para recobrir estruturas de criação e reduzir perdas de água em comparação aos tanques convencionais.
Na apresentação feita pela cooperativa, a tecnologia é apontada como um caminho para combinar economia hídrica e incremento de produtividade por área, com reflexo direto no número de peixes alojados por metro quadrado.
Na propriedade de Palotina, a piscicultura já ocupa 17,5 hectares de lâmina d’água, onde o produtor mantém nove tanques convencionais e aloja 1,2 milhão de tilápias por ciclo desde 2022.
A etapa seguinte envolve a construção de 12 tanques revestidos com geomembrana, cada um com 16 metros de largura por 250 metros de comprimento.
Essa expansão amplia a área de criação em 2,88 hectares, conforme a descrição do projeto.
Pelo planejamento informado, as obras começam em janeiro e a estrutura deve estar pronta no segundo semestre de 2026.
A meta final, segundo o produtor, é alcançar pouco mais de 2 milhões de tilápias por ciclo ao completar a transição para o novo sistema.

Alta densidade exige reforço em energia e oxigenação
O aumento de lotação traz uma exigência técnica imediata, que é manter oxigenação constante na água.
Como a alta densidade pode ampliar o risco de perdas caso o fornecimento elétrico falhe, o produtor informou que vai reforçar a estrutura para evitar interrupções e garantir operação contínua dos equipamentos do sistema.
A configuração prevista inclui, além da linha principal de energia que atende a propriedade, dois conjuntos de geradores.
O objetivo é criar redundância operacional.
Se ocorrer queda no fornecimento, uma linha de geradores entra em funcionamento.
Se houver falha também nesse conjunto, a segunda linha de reserva é acionada, de acordo com o plano descrito.
A iniciativa foi apresentada durante o Dia de Campo 2025/26 da C.Vale.
Na ocasião, Niehues participou do evento com o filho Guilherme e se reuniu com o presidente do Conselho de Administração da cooperativa, Alfredo Lang, e com o gerente do Departamento de Peixes, Paulo Poggere.
Foi nesse contexto que o produtor detalhou o investimento e associou a adoção da tecnologia à expectativa de ganho de escala na piscicultura.
Crédito, integração e comparação com outras atividades do campo
O investimento de R$ 7 milhões, segundo a cooperativa, engloba a infraestrutura completa dos tanques e os equipamentos necessários para operar o sistema.
Os recursos devem vir de uma linha de crédito via Fiagro-FIDC disponibilizada pela C.Vale, em parceria com Fomento Paraná e Sicredi.
A taxa informada para a operação é de 9% ao ano.

Com histórico profissional ligado à área financeira, Niehues relatou que comparou o potencial de renda da piscicultura com outras atividades do campo antes de avançar no projeto.
Ao demonstrar um cálculo no celular, ele afirmou que seriam necessários 232 hectares de soja para alcançar renda bruta equivalente à gerada por 2,88 hectares destinados à criação de tilápias em alta densidade, dentro dos parâmetros apresentados.
O piscicultor também atribuiu parte da decisão à segurança que diz ter recebido em relação ao mercado e ao futuro da atividade dentro do modelo de integração.
“A C.Vale me passou muita segurança quanto ao futuro da piscicultura.
Esse sistema é o futuro.
Os outros produtores vão migrar para esse sistema de criação de alta densidade”, afirmou.
A estratégia, na prática, combina aumento de produtividade por área com a aposta em um pacote tecnológico que envolve estrutura física, equipamentos de aeração e um modelo de operação pensado para reduzir vulnerabilidades, sobretudo as ligadas ao fornecimento de energia e à manutenção da qualidade da água.
Com o avanço de sistemas de criação mais intensivos no campo e o interesse crescente de produtores por tecnologias de maior densidade, até que ponto a capacidade de investimento e a infraestrutura local vão definir quem consegue acompanhar essa transformação na piscicultura?

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