Segundo Sergio Habib, fundador do grupo SHC e presidente da Jac Motors Brasil, o carro usado vai aumentar o preço por causa da combinação entre impostos altos, encarecimento dos veículos novos e mudanças no comportamento do consumidor.
O mercado automotivo brasileiro passa por uma transformação sem volta. De acordo com Sergio Habib, um dos executivos mais experientes do setor, o cenário é claro: o carro usado vai aumentar o preço e tende a se valorizar ainda mais nos próximos anos. A explicação envolve três fatores centrais — custos de produção cada vez mais altos, carga tributária elevada e a dificuldade de o consumidor médio acessar veículos zero quilômetro.
Para Habib, essa tendência não é exclusiva do Brasil, mas aqui ela se torna ainda mais grave. A renda do brasileiro não acompanha a escalada dos preços dos novos modelos, e isso empurra a maioria dos compradores para o mercado de seminovos e usados.
Por que o carro usado vai aumentar o preço
Segundo o executivo, não existe caminho de volta no preço dos veículos novos. Nos últimos anos, os carros ficaram mais caros devido à inclusão de equipamentos de segurança obrigatórios, como airbags, ABS e controles de estabilidade. Além disso, montadoras perceberam que é mais lucrativo vender menos unidades a preços mais altos do que disputar volume com margens pequenas.
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Esse novo padrão fez com que o consumidor que antes comprava carro zero migrasse para o usado. No Brasil, já se vende até seis vezes mais carros usados do que novos, e a tendência é que essa proporção continue aumentando.
O peso da carga tributária
Outro fator apontado por Habib é a carga tributária de 37% sobre os automóveis no Brasil, considerada a mais alta entre os grandes mercados globais. Enquanto países como Estados Unidos e europeus têm impostos menores e focados na renda, aqui o governo tributa o consumo. Isso faz com que carros populares custem muito mais no Brasil do que modelos equivalentes em outros países.
Esse peso tributário limita a capacidade de redução de preços e mantém o carro zero fora do alcance de milhões de consumidores, que passam a enxergar maior valor na compra de usados.
Comparações internacionais
Habib mostrou que a tendência é global. Nos Estados Unidos, mesmo com aumento populacional, as vendas de carros novos estão em queda desde os anos 2000, enquanto o mercado de usados cresce. Hoje, para cada carro zero vendido nos EUA, mais de três usados são negociados. Na França, a proporção já passa de quatro para um.
No Brasil, o movimento é ainda mais intenso: o carro usado representa a principal alternativa de mobilidade, já que a renda média da população é baixa e não acompanha a valorização dos veículos novos.
E os carros elétricos e híbridos?
Apesar do crescimento mundial, Habib avalia que o carro elétrico ainda não é viável em larga escala no Brasil. O preço elevado, a falta de infraestrutura de recarga e as limitações de autonomia tornam esse modelo restrito a públicos urbanos de maior poder aquisitivo. Já os híbridos custam acima de R$ 160 mil, o que restringe sua popularização.
Dessa forma, o carro usado tradicional seguirá como a principal opção para a maioria dos brasileiros, o que pressiona ainda mais os preços nesse mercado.
A análise de Sergio Habib reforça que o carro usado vai aumentar o preço no Brasil e essa tendência não deve se reverter. A combinação entre carga tributária alta, encarecimento dos novos modelos e renda estagnada empurra o consumidor para o mercado de usados, que passa a ser visto não apenas como alternativa, mas como a única escolha viável para grande parte da população.
E você, já sentiu essa valorização no bolso? Acha que o preço dos usados está justo ou acredita que virou especulação? Deixe sua opinião nos comentários — queremos ouvir a experiência de quem vive isso na prática.

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