A consulta pública do novo leilão de transmissão prevê expansão da rede em cinco regiões do país, com milhares de quilômetros de linhas, reforço em subestações e impacto direto sobre obras, energia e empregos.
O governo brasileiro abriu a consulta pública do Leilão de Transmissão nº 4/2026, um pacote de infraestrutura elétrica que prevê R$ 11,3 bilhões em investimentos, 2.069 km de novas linhas e seccionamentos e a criação estimada de 28.900 empregos diretos e indiretos. O projeto também inclui 13.564 MVA em capacidade de transformação, o que amplia a força do sistema para transportar energia com mais segurança.
As obras vão atravessar sete estados e alcançar as cinco regiões do país. Isso coloca o novo certame no centro da agenda de energia e infraestrutura de 2026, com impacto que vai muito além do setor elétrico e chega ao emprego, à engenharia e à cadeia de fornecedores.
Leilão de Transmissão nº 4/2026 entra em consulta antes da etapa decisiva
A consulta pública recebe contribuições entre 9 de abril e 25 de maio de 2026. Depois disso, o texto final ainda precisa passar pela diretoria da ANEEL e seguir para análise do Tribunal de Contas da União, etapa essencial antes da licitação avançar para a fase final.
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Os prazos de conclusão previstos para os empreendimentos variam entre 36 e 60 meses após a assinatura dos contratos. Isso significa um ciclo longo de obras pesadas, com reflexos distribuídos por vários anos na transmissão de energia do país.
Quilometragem, empregos e alcance territorial colocam o pacote em outra escala
O dado que mais chama atenção é a dimensão física do projeto. São 2.069 km de linhas elétricas em preparação num único leilão, um volume que ajuda a explicar por que o pacote já entra em cena como uma das movimentações mais pesadas do ano na transmissão.
A projeção de quase 29 mil empregos reforça esse peso. Em obras de transmissão, esse efeito costuma se espalhar por fabricantes, construtoras, montadoras, transportadoras e empresas de engenharia, ampliando o impacto para além do canteiro principal.
China volta ao radar depois de vitórias relevantes na transmissão
A presença chinesa na disputa ganhou força nos últimos anos. Em dezembro de 2023, a State Grid Brazil Holding venceu o lote 1 do Leilão de Transmissão nº 2/2023, justamente o maior já colocado em disputa pela ANEEL até então, com investimento estimado em R$ 18,1 bilhões dentro de um certame de R$ 21,7 bilhões.
Em outubro de 2025, a CPFL Transmissão venceu o lote 3 do Leilão de Transmissão nº 4/2025. O peso chinês também aparece nesse caso porque a State Grid concluiu em 2017 a aquisição do controle acionário da CPFL Energia, segundo a própria companhia.
Esse histórico ajuda a explicar por que o novo pacote bilionário reacende a pergunta sobre uma nova vitória chinesa. O leilão atual ainda não aconteceu, mas a memória recente do setor mantém esses grupos no radar sempre que um ativo grande de transmissão entra em cena.
Corrida segue aberta e cenário recente mostra disputa internacional
Ao mesmo tempo, a corrida está longe de ser automática. No primeiro leilão de transmissão de 2026, realizado em 27 de março, os vencedores foram a Cymi Construções e Participações, ligada ao grupo espanhol ACS, a Engie Transmissão de Energia Participações, controlada pelo grupo francês ENGIE, e o Consórcio BR2ET Transmissora. Os cinco lotes ofertados foram arrematados e o certame atraiu R$ 3,3 bilhões em investimentos.
Esse resultado mostra que o mercado segue aberto a grupos de perfis diferentes, com capital estrangeiro e consórcios locais disputando espaço num setor cada vez mais estratégico. O histórico chinês pesa, mas não fecha o jogo num leilão que nasce cercado por escala, emprego e interesse internacional.
Pacote bilionário recoloca a transmissão no centro da infraestrutura
O Leilão de Transmissão nº 4/2026 não chama atenção só pelo valor. Ele combina R$ 11,3 bilhões, 2.069 km de linhas, quase 29 mil empregos e obras em sete estados num momento em que a expansão da rede elétrica virou peça central para sustentar crescimento, segurança operacional e novos investimentos no setor.
Se o desenho atual for mantido até a fase final, o país terá um dos maiores movimentos do ano na transmissão. E, com o histórico recente de vitórias ligadas à China, o mercado já olha para esse certame como uma disputa capaz de mexer de novo com o mapa da infraestrutura elétrica brasileira.
