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“Sempre tem um otário”: criminosos que davam golpes através de um esquema falso de energia solar riam das vítimas e exibiam luxo após conseguirem dinheiro roubado

Escrito por Rannyson Moura
Publicado em 06/02/2026 às 13:25
Atualizado em 06/02/2026 às 13:27
Assista o vídeoEsquema que usava uma suposta empresa de energia solar para atrair investidores é alvo da Polícia Federal após bilhões em fraudes e lavagem de dinheiro.
Esquema que usava uma suposta empresa de energia solar para atrair investidores é alvo da Polícia Federal após bilhões em fraudes e lavagem de dinheiro.
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Esquema que usava uma suposta empresa de energia solar para atrair investidores é alvo da Polícia Federal após bilhões em fraudes e lavagem de dinheiro.

A promessa de ganhos fáceis com energia solar acabou se transformando em um pesadelo para milhares de brasileiros. 

Um esquema investigado pela Polícia Federal revelou que uma empresa, que dizia atuar no setor de painéis solares, era usada para aplicar golpes financeiros e lavar dinheiro. 

Enquanto investidores acreditavam estar financiando projetos sustentáveis, os suspeitos exibiam carros de luxo e debochavam das vítimas.

Loja de carros de luxo escondia dinheiro do esquema

Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado pela Operação Pleonexia II usava uma concessionária de veículos de luxo em São Paulo para esconder e movimentar o dinheiro obtido por meio das fraudes ligadas à falsa energia solar. 

No local, mais de 75 carros de alto padrão foram apreendidos durante a ação.

O delegado Joaquim Ciríaco explicou como funcionava o esquema. “Utilizava-se de uma revenda de veículos de luxo em São Paulo. Essa revenda recebia o dinheiro através de um operador financeiro e fazia movimentação no intuito de lavar e blindar a origem do dinheiro. Blindar, sobretudo, o líder da organização criminosa, que está preso desde o começo do ano passado”.

Golpistas riam das vítimas e admitiam fraude

As mensagens interceptadas pela PF mostram o desprezo dos envolvidos pelos investidores. Em uma das conversas, um dos suspeitos admite que o negócio era uma pirâmide financeira e ironiza: “sempre tem um otário para cair”. Em seguida, ele ri.

Fonte: Polícia Federal

Além disso, os áudios revelam que as vítimas assinavam contratos “mesmo que não esteja nada funcionando”, uma referência direta a painéis solares que sequer produziam energia.

Em outra troca de mensagens, um investigado se surpreende com seus próprios bens. “Mano, eu nem sei o que eu tenho”, diz ele ao ver a foto de um apartamento que seria seu.

Empresa de energia solar existia só no papel

O núcleo principal do esquema ficava em Natal, segundo a PF. A empresa dizia atuar com energia solar, mas, na prática, não tinha autorização nem estrutura para operar no setor.

“Eles utilizavam Natal, mas revendiam para todo o país. Utilizavam, segundo eles, a cidade de Natal, tendo em vista a incidência solar. Encontraram, acredito, uma facilidade para aplicar o golpe aqui”, explicou o delegado.

De acordo com as investigações, os criminosos prometiam retorno fixo de 5% ao mês, afirmando que os investidores comprariam cotas de painéis solares administrados pela empresa.

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No entanto, a PF apurou que a companhia não atuava no ramo de energia solar e não possuía autorização dos órgãos reguladores.

Milhares de vítimas e milhões bloqueados

A polícia estima que cerca de 6,3 mil pessoas tenham sido lesadas pelo esquema. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 244 milhões em bens e valores para tentar garantir o ressarcimento das vítimas.

Somente nas contas bancárias, os investigados movimentaram mais de R$ 160 milhões. Já na primeira fase da operação, em 2025, foram bloqueados pouco mais de R$ 80 milhões e apreendidos itens raros, como uma bola autografada por Pelé, uma chuteira de Messi e uma raquete de Roger Federer.

Além das apreensões em São Paulo e Natal, mandados também foram cumpridos em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, ampliando o alcance da investigação.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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