DriX O-16 é um drone naval autônomo de 15,75 metros capaz de operar por até 30 dias sem tripulação em missões oceânicas.
Em meio à corrida global por sistemas marítimos autônomos, empresas europeias começaram a desenvolver embarcações capazes de atravessar oceanos inteiros sem marinheiros a bordo. Um dos projetos mais avançados dessa nova geração é o DriX O-16, drone naval transoceânico criado pela francesa Exail para operar sozinho por até 30 dias em mar aberto. O veículo mede 15,75 metros, desloca cerca de 10,5 toneladas e foi projetado para navegar até 3.500 milhas náuticas sem precisar retornar à base, executando missões de vigilância, inspeção submarina, mapeamento oceânico e operações ligadas à defesa marítima.
O projeto ganhou destaque internacional após os primeiros testes marítimos realizados em 2024 no porto de La Ciotat, no sul da França. A Exail apresentou o sistema como um novo padrão para operações marítimas de longa duração sem tripulação humana embarcada.
Diferentemente de navios tradicionais, o DriX O-16 não possui ponte de comando convencional, dormitórios, cozinha ou estrutura para marinheiros. Grande parte do espaço interno foi destinada a combustível, sensores, sistemas de comunicação e módulos autônomos de navegação.
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DriX O-16 foi criado para navegar milhares de quilômetros sem marinheiros a bordo
O DriX O-16 pertence à categoria dos chamados USVs, sigla para Uncrewed Surface Vehicle, expressão usada para definir embarcações de superfície não tripuladas. Esses sistemas funcionam de maneira semelhante a drones aéreos, mas operando em mar aberto.
Segundo a Exail, o DriX O-16 foi desenvolvido especificamente para missões transoceânicas e operações “Over The Horizon”, termo usado quando a embarcação continua operando muito além do alcance visual dos operadores humanos.
Para isso, o sistema utiliza uma arquitetura autônoma chamada CortiX, plataforma de inteligência embarcada responsável por navegação, gerenciamento energético, evasão de obstáculos e supervisão dos sistemas internos. A empresa afirma que a solução já acumula mais de 100 mil horas de operação marítima em diferentes modelos da família DriX.
Drone naval não precisa de interação humana, mas também pode ser operado de forma manual
O drone naval pode operar tanto em modo remoto quanto em modo supervisionado autônomo. Nesse segundo modelo, o veículo executa sozinho praticamente toda a missão enquanto operadores humanos apenas acompanham o trajeto e os parâmetros críticos a distância.

A Exail informa que o sistema possui múltiplos canais redundantes de comunicação, incluindo Starlink, redes 4G, rádios marítimos e comunicação via satélite Iridium Certus. O próprio sistema seleciona automaticamente o melhor canal disponível conforme as condições do ambiente marítimo.
Isso permite que o DriX O-16 seja monitorado praticamente de qualquer lugar do planeta desde que exista conexão de internet segura entre o centro remoto de operações e a embarcação.
Drone naval francês mede 15,75 metros, pesa 10,5 toneladas e opera por até 30 dias
Segundo as especificações oficiais divulgadas pela Exail, o DriX O-16 possui 15,75 metros de comprimento, 1,83 metro de largura e calado de 2,55 metros. O deslocamento aproximado chega a 10,5 toneladas.
Embora seja muito menor que navios militares convencionais, o veículo foi projetado para resistir a condições oceânicas severas durante missões prolongadas. A empresa afirma que a embarcação utiliza casco monohull construído em materiais compostos de epóxi, fibra E-Glass e PVC estrutural.

Um dos principais diferenciais está no sistema de propulsão híbrido diesel-elétrico. O DriX O-16 utiliza um motor diesel de 120 kW combinado com propulsão elétrica auxiliar Azipod de 20 kW.
Segundo a Exail, essa configuração permite melhorar eficiência energética, ampliar redundância operacional e reduzir consumo durante missões longas. O tanque de combustível possui capacidade aproximada de 2.300 litros.
A empresa afirma que o sistema consegue permanecer em missão por até 30 dias e percorrer aproximadamente 3.500 milhas náuticas antes de precisar retornar para manutenção ou reabastecimento.
Essa autonomia coloca o DriX O-16 entre os drones navais de maior endurance operacional da nova geração de USVs oceânicos.
Sensores permitem missões de vigilância submarina, guerra antissubmarino e inspeção de cabos oceânicos
O DriX O-16 foi projetado como plataforma modular capaz de receber diferentes sensores e equipamentos conforme o tipo de missão executada. Segundo a Exail, o veículo suporta sonares multifeixe, perfiladores de subsolo, sistemas acústicos submarinos, sensores oceanográficos e equipamentos científicos.
Além disso, o drone naval possui área traseira preparada para transportar sistemas de lançamento e recuperação de outros robôs submarinos, incluindo ROVs, ROTVs e AUVs.
Isso significa que o DriX O-16 não atua apenas sozinho. Em determinadas operações, ele pode funcionar como plataforma-mãe para outros drones subaquáticos menores.
Entre as aplicações listadas oficialmente pela Exail aparecem missões hidrográficas, inspeção de dutos submarinos, monitoramento de infraestrutura energética offshore, oceanografia, monitoramento ambiental e operações ligadas à defesa marítima.
Na área militar, a empresa menciona aplicações em batimetria militar, avaliação ambiental rápida para forças navais, guerra antissubmarino e resposta a desastres marítimos.
DriX O-16 pode ser usado para inspeção de cabos submarinos
Outro ponto importante envolve inspeção de cabos submarinos. Em abril de 2026, a Exail confirmou nova venda do DriX O-16 para a OMS Group, empresa ligada ao setor de infraestrutura digital e cabos submarinos.
Segundo a companhia, o sistema será utilizado em levantamentos batimétricos, verificação de rotas e monitoramento de infraestrutura de telecomunicações submersa.
O interesse crescente nesse tipo de missão ocorre em um contexto de preocupação internacional com proteção de cabos submarinos responsáveis pela maior parte do tráfego global de dados da internet.
Sistema autônomo usa radar, câmeras, LiDAR e sonar para evitar colisões em mar aberto
Uma das maiores dificuldades técnicas para navios autônomos envolve navegação segura em ambientes marítimos movimentados. Para lidar com isso, o DriX O-16 utiliza um sistema avançado de evasão de obstáculos integrado à plataforma CortiX.
Segundo a Exail, o drone naval combina câmeras ópticas, sensores infravermelhos, LiDAR, radar marítimo, AIS e sonar frontal Forward-Looking Sonar para detectar objetos tanto na superfície quanto parcialmente submersos.

Os dados são processados por um sistema de fusão sensorial capaz de calcular rotas alternativas automaticamente quando obstáculos aparecem na trajetória.
A empresa afirma que essa arquitetura é uma das primeiras do mercado capazes de combinar simultaneamente gerenciamento de obstáculos de superfície e objetos submersos em um único sistema autônomo.
Além disso, o DriX O-16 possui capacidade de operação “Over The Horizon”, permitindo que missões sejam acompanhadas remotamente sem necessidade de contato visual direto entre operadores e embarcação. Na prática, isso transforma o sistema em uma espécie de “navio fantasma” supervisionado digitalmente por centros remotos de operação.
Drones navais começam a substituir embarcações tradicionais em missões oceânicas
Segundo a Exail, um dos principais objetivos do DriX O-16 é substituir parte das missões hoje realizadas por grandes embarcações tripuladas de apoio marítimo. Operações de levantamento hidrográfico, inspeção submarina e monitoramento oceânico normalmente exigem navios grandes, tripulações numerosas e alto consumo de combustível.
A empresa afirma que o uso de sistemas autônomos pode reduzir drasticamente custos operacionais, consumo energético e emissões de carbono.
Em comunicado divulgado em abril de 2026, a Exail afirmou que operações usando o DriX O-16 podem reduzir a pegada de carbono em até 99% em comparação com embarcações convencionais utilizadas no mesmo tipo de missão.
Outro fator importante envolve segurança humana. Missões oceânicas longas frequentemente expõem tripulações a condições marítimas severas, fadiga operacional e riscos ambientais. Com drones navais, parte dessas atividades passa a ser realizada sem pessoas embarcadas diretamente no local da operação.
Segundo dados da própria Exail, a família DriX já acumula mais de 1 milhão de milhas náuticas de navegação autônoma em mais de 25 países.
O crescimento desse mercado ocorre paralelamente à expansão de sistemas autônomos militares, submarinos não tripulados e plataformas robóticas de monitoramento oceânico utilizadas por governos e empresas privadas.

