Reportagem da Xataka consultada em 5 de julho de 2026 mostra que o forno de Odeillo, em Font-Romeu-Odeillo-Via, concentra energia solar com 63 espelhos móveis e um refletor gigante, alcançando até 3.500 °C para pesquisas com materiais extremos e combustíveis solares, sem gerar eletricidade em escala como uma central convencional.
A energia solar costuma ser associada a placas fotovoltaicas e usinas que entregam eletricidade à rede, mas o Forno Solar de Odeillo, nos Pirineus franceses, mostra outro caminho: usar a luz do sol como fonte de calor extremo. A instalação fica em Font-Romeu-Odeillo-Via e concentra radiação solar em um ponto pequeno.
Segundo a Xataka, o laboratório operado pelo PROMES-CNRS consegue multiplicar a intensidade natural da luz em até 10.000 vezes e atingir temperaturas entre 3.300 °C e 3.500 °C. O mais curioso é que essa potência não serve principalmente para gerar eletricidade, mas para testar materiais, processos industriais e combustíveis solares.
Forno solar de Odeillo fica escondido em uma encosta dos Pirineus
O Forno Solar de Odeillo está instalado em uma região montanhosa da Cerdanya francesa, nos Pirineus. A localização não foi escolhida por acaso: a área combina altitude, grande número de dias ensolarados e atmosfera com boa pureza óptica, condições importantes para reduzir perdas de radiação.
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Essa escolha ajuda a explicar por que a instalação se tornou uma referência em energia solar concentrada. Em vez de ocupar uma planície com painéis fotovoltaicos, Odeillo usa a geografia e a luz direta do sol como parte da própria engenharia, transformando a montanha em cenário de pesquisa térmica de alta intensidade.
Espelhos concentram a luz em um ponto de apenas 40 centímetros
O sistema usa dois conjuntos ópticos principais. O primeiro é um campo com 63 espelhos planos motorizados, capazes de acompanhar o movimento do sol e refletir a luz continuamente em direção ao grande refletor parabólico fixo.
Depois, essa luz converge para uma torre focal com cerca de 40 centímetros de diâmetro. É nesse ponto concentrado que a energia solar deixa de parecer algo suave e passa a se comportar como uma fonte de calor industrial, alcançando temperaturas capazes de derreter materiais resistentes.
Temperatura pode chegar a 3.500 °C sem queimar combustível

Segundo os dados citados pela Xataka, o forno pode atingir entre 3.300 °C e 3.500 °C. Essa faixa supera a temperatura de muitos processos industriais convencionais e mostra que o sol, quando concentrado com precisão, pode ser usado como ferramenta térmica extrema.
A instalação tem potência térmica nominal de 1 megawatt. A diferença essencial é que essa energia solar não é convertida prioritariamente em eletricidade, mas aplicada como calor direto para investigar reações, materiais e tecnologias que exigem condições muito severas.
Estrutura nasceu antes do boom moderno da energia solar
As origens do projeto remontam à década de 1940, quando o químico Félix Trombe usou um espelho antiaéreo reaproveitado para concentrar luz solar em experimentos. Em 1949, foi construído um primeiro protótipo na cidadela de Mont-Louis, a pouco mais de 10 quilômetros de Odeillo.
O forno atual foi construído entre 1962 e 1968 e entrou em operação em 1969. Isso significa que Odeillo explorava energia solar em escala experimental muito antes de as usinas solares modernas se tornarem comuns, funcionando como uma espécie de antecessor das tecnologias de concentração solar.
Não é uma central elétrica, e esse detalhe muda tudo
Apesar da potência e do visual impressionante, o Forno Solar de Odeillo não deve ser confundido com uma usina de geração elétrica. A própria fonte destaca que ele não produz eletricidade de forma significativa nem integra a matriz renovável atual como uma central convencional.
Essa diferença é importante para evitar interpretações exageradas. O valor do forno está na pesquisa, não na entrega de energia para residências ou empresas, o que coloca a instalação mais próxima de um laboratório industrial do que de uma planta comercial de energia solar.
Materiais extremos são testados com calor solar concentrado
Uma das aplicações atuais do forno está no estudo e na fabricação de materiais resistentes a condições extremas. Esse tipo de pesquisa pode interessar a áreas como indústria aeroespacial, processos de alta temperatura e desenvolvimento de materiais capazes de suportar ambientes agressivos.
Ao usar energia solar concentrada, os pesquisadores conseguem submeter amostras a calor intenso sem depender diretamente de combustão convencional no ponto focal. Isso abre espaço para investigar materiais em condições difíceis de reproduzir com métodos comuns, especialmente quando o objetivo é entender resistência, estabilidade e desempenho térmico.
Combustíveis solares também entram na rota de pesquisa
Outro campo citado pela fonte é o desenvolvimento de combustíveis solares. O exemplo mencionado é o projeto Sunfuel, que usa o calor de um forno solar para aquecer óxidos metálicos e gerar gases posteriormente convertidos em combustíveis limpos.
Esse tipo de pesquisa ainda pertence ao campo tecnológico e experimental, não a uma solução comercial pronta para substituir combustíveis fósseis em larga escala. Mesmo assim, mostra por que a energia solar pode ir além dos painéis: ela também pode servir como calor de processo para fabricar insumos do futuro.
Odeillo disputa protagonismo com instalação no Uzbequistão
A Xataka compara Odeillo ao forno solar de Parkent, no Uzbequistão, apontando que ambos estão entre as maiores e mais potentes instalações do tipo no mundo. A diferença aparece na potência utilizável: segundo a SolarPACES citada pela fonte, Odeillo alcança 1.000 kW, enquanto Parkent fica limitado a cerca de 700 kW.
A explicação indicada envolve a altitude. Odeillo está em torno de 1.600 metros, enquanto Parkent fica a aproximadamente 1.050 metros, o que reduz a intensidade solar disponível na instalação uzbeque. Na prática, a comparação reforça o papel dos Pirineus como parte do desempenho do laboratório francês.
O que Odeillo revela sobre o futuro da energia solar
O Forno Solar de Odeillo mostra que a energia solar não precisa ser pensada apenas como eletricidade saindo de placas ou torres solares. Ela também pode ser calor concentrado, ferramenta de laboratório, fonte para testar materiais e caminho para pesquisar combustíveis menos dependentes de carbono.
A pergunta que fica é se tecnologias assim deveriam receber mais atenção na transição energética, mesmo sem gerar eletricidade em escala. Você acha que a energia solar do futuro estará mais nos painéis das cidades ou em laboratórios capazes de fabricar materiais e combustíveis com calor extremo? Deixe sua opinião nos comentários.
